27º Fórum Nacional da Soja, mais um destaque da Expodireto

27º Fórum Nacional da Soja, mais um destaque da Expodireto

grd_2828Na manhã desta terça-feira, 8, aconteceu na Expodireto Cotrijal um dos eventos mais tradicionais, o Fórum Nacional da Soja. As palestras deste ano trouxeram a importância da semente para a alta produtividade, o cenário econômico brasileiro e as perspectivas para o mercado da soja. Confira o conteúdo dos painéis e o que esperar para um futuro próximo da agricultura a economia:

1 – Tecnologia

A primeira palestra tratou do tema técnico relativo à importância da semente na economia da soja, ministrado pelo professor da Universidade Federal de Pelotas, Paulo Dejalma Zimmer e moderado pelo diretor administrativo da Apassul, Antonio Eduardo Loureiro da Silva. O senhor Paulo Zimmer destacou que, hoje, um dos segredos para aumentar a produtividade das lavouras sem aumentar custos de produção se encontra em saber investir na semente. Diante de uma produtividade média estagnada no Brasil, o produtor de soja, para superar isso, necessita avançar sobre quatro pontos: a melhor genética possível; acúmulo de plantas produtivas por área; maior resposta de cada planta; e proteção da semente.

grd_2830Nesse contexto, a semente se reveste no insumo mais nobre da cadeia produtiva e, infelizmente, tem sido muito negligenciado. Dessa forma, o grande desafio é a quantidade de plantas produtivas por área. Ou seja, aprender a melhorar o desempenho das plantas por área. Dito de outra forma, até o momento a semente tem sido o fator limitante no contexto da prática agrícola.

Para tanto, a qualidade da semente exige que a mesma esteja em conformidade com as exigências dos clientes; tenha uma adequada relação custo/benefício; e que o produtor faça certo a primeira vez. Essa qualidade passa pelos seguintes atributos, portanto: sanitário; genético; físico; e fisiológico.

A semente deve ser manuseada com treinamento por parte do produtor rural. A tal ponto que, em alguns casos no Centro-Oeste brasileiro, já se encontram exemplos de a cada 1,5 ponto de vigor na semente se obtém um saco a mais por hectare.

Nesse sentido, um ponto chave é o vigor da planta e o seu posicionamento (espaço entre as plantas). A combinação destes dois elementos, no contexto do manuseio da semente, pode elevar a produtividade, aumentando a rentabilidade do produtor.

Enfim, o palestrante destacou que o produtor precisa ter precisão em todas as atividades e não deve se limitar a comprar preço. Ou seja, vale a pena pagar mais para que tenha qualidade na semente. Isso não isenta o produtor de considerar, igualmente, a questão de solo e tecnologia de aplicação para que possa retirar o máximo da semente que utilizará na semeadura da soja.

2 – Economia

grd_2869A segunda palestra, ministrada pelo senhor Pedro L. Ramos, gerente de Análise Econômica do Banco Cooperativo Sicredi e moderada por Caio Cézar F. Vianna, presidente da CCGL/Termasa-Tergrasa, tratou dos aspectos econômicos, internacionais e nacionais, que influenciam a economia da soja.

Segundo ele, em termos da economia internacional, deve-se levar em conta as três locomotivas: EUA, Zona Euro e China. O contexto atual das mesmas indica que o crescimento global, em 2016, deverá repetir o do ano anterior, ficando ao redor de 3,4%. Ao mesmo tempo, haverá menor liquidez, enquanto os preços das commodities deverão se manter estáveis.

Especificamente em termos dos EUA, a taxa de desemprego recua para níveis normais, chegando ao chamado “objetivo de máximo emprego no longo prazo”. Isso tende a levar à retirada dos estímulos oficiais. Por sua vez, esse aquecimento da economia provoca mais inflação, forçando uma alta dos juros básicos locais. Tal comportamento, que se iniciou ainda timidamente no final de 2015, leva a uma saída de recursos dos países emergentes, como o Brasil. Como consequência, haverá uma desvalorização do Real e outras moedas emergentes.

Quanto à China, o país busca uma aterrissagem suave de sua economia. A mesma fechou 2015 ao redor de 6,8%, fato que leva o governo local a estimular a economia, já que o propósito é sair de um modelo dependente das exportações para um modelo que estimule o consumo interno.

Todavia, o modelo não está evitando a desvalorização da moeda chinesa, fato que torna suas importações mais caras. Isso influenciou os índices de preços das commodities no mercado mundial. Portanto, os movimentos chineses ainda exigem muitos cuidados.

Quanto à economia mundial, a dúvida que se coloca é se a munição para estimular a economia global acabou ou não. Hoje, o sentimento é de que um evento que venha a provocar elevação do risco global e desaceleração econômica pode ser difícil de reverter.

Como fica a economia brasileira nesse contexto mundial?

Em dificuldades! Houve grandes desajustes na mesma entre 2011 e 2014, onde o déficit público cresceu, houve alta necessidade de recursos externos, e a inflação igualmente subiu. A alternativa de melhorar o consumo interno, como elemento alavancador da economia, se esgotou ainda em 2010, porém, o governo continuou gastando na expectativa de manter o modelo. Para ajudar no processo, os preços administrados foram subsidiados, comprometendo as empresas (Petrobrás) e aumentando o gasto público.

Em 2015 se tentou iniciar um ajuste econômico, porém, insuficiente. Com isso, o resultado fiscal piorou, saindo de -0,6% do PIB em 2014 para -1,9% em 2015, estando em janeiro/16 em -1,8%. Na prática, o governo enfrenta forte oposição política para realizar tal ajuste, inclusive de aliados.

Como o ajuste não sai do papel, o país perdeu o selo de “bom pagador”, levando a uma saída importante de dólares e a perda de confiança dos investidores. Tal saída de dólares leva a uma forte desvalorização do Real, que passa de R$ 2,34 por dólar, na média de 2013, para R$ 3,90 na média de 2015, com picos superiores a R$ 4,15.

Por sua vez, o governo se vê obrigado a corrigir os preços administrados fato que eleva a inflação interna, forçando-o a aumentar a taxa básica de juros (Selic), com a mesma chegando a 14,25% ao ano no final de 2015.

Esse conjunto de situações provoca uma queda no salário real dos trabalhadores; um aumento no desemprego; uma queda na confiança dos empresários; uma forte alta na taxa de juros ao consumo. Em suma, o consumo geral despenca no país em 2015 e não dá mostras de mudar de tendência neste 2016. Como resultado, a ociosidade industrial cresce para 26,4% em fevereiro/16, contra a média histórica de 18,5%.

A situação é tão grave que o retorno obtido pelas empresas sobre o capital investido cai de 22% em 2007 para apenas 1,4% em 2015. Não há nenhum estímulo, a partir desta realidade, para se investir na produção. Junto a isso, os salários aumentaram muito mais do que a produtividade, minando os ganhos do setor produtivo de forma definitiva. Resultado: a taxa de investimento despenca, ficando em -14,1% em 2015. Ora, sem investimento a economia não encontra apoio para alavancar seu desenvolvimento futuro.

Por enquanto, o palestrante salienta que a saída seria pelo setor externo, aproveitando-se o câmbio favorável. Nesse sentido, a expectativa é de um câmbio ao redor de R$ 4,55 ao final de 2016.

Dito isso, é possível que em 2017 talvez o país consiga iniciar um processo de lenta recuperação econômica, após dois anos de forte recessão (2015 e 2016). Todavia, isso dependerá da ocorrência dos ajustes na economia interna em particular.

Assim, o futuro da economia brasileira depende do restabelecimento da política macroeconômica de antes de 2011, sabendo-se que o mercado nacional ainda encontrará grandes dificuldades para sair do atual quadro. Alia-se a isso o fato de que o custo do capital continuará elevado, o desemprego ainda crescerá e os salários tendem a recuar um pouco mais. Sobrará o setor agropecuário como um elemento que poderá dar alguma sustentação à economia brasileira.

Enfim, em termos dos preços da soja, o palestrante frisou que, hoje, os mesmos se sustentam exclusivamente pelo câmbio, já que os preços internacionais devem se manter estáveis nos atuais níveis.

3 – Mercado

grd_2866O senhor André Pessoa, sócio-diretor do Grupo Agroconsult, acompanhado do moderador Paulo Cezar Pires, presidente da FecoAgro, iniciou sua palestra destacando que o Brasil está diante de uma boa safra de soja, porém, irregular entre regiões. O resultado final acabará sendo melhor do que se desenhava inicialmente. Dito isso, a atual safra mostra que o país está no limiar de um salto de produtividade, o que veio corroborar o raciocínio do primeiro palestrante.

Isso é extremamente importante porque o Brasil estaria chegando ao limite de suas possibilidades de aumento na área absoluta de soja, sendo que algumas regiões já demonstraram recuo neste ano 2015/16, caso de partes do Cerrado e da região conhecida como Mapitoba. Todavia, vale ressaltar que tal recuo se deveu em muito ao problema da falta de crédito para custeio neste ano.

Até o final de fevereiro passado a colheita brasileira atingia 40% da área, sendo 60% no Mato Grosso e 8% no Rio Grande do Sul. A produtividade média nacional estaria em 50,7 sacos/hectare, ficando estagnada em relação aos últimos anos. No Rio Grande do Sul, por enquanto, a mesma está estimada em 49 sacos/hectare. No total, o Brasil deverá colher entre 100 a 101 milhões de toneladas. Considerando que a Argentina venha a colher 60 milhões de toneladas e que os EUA colheram 107 milhões, a oferta mundial chegaria a 324 milhões de toneladas neste ano comercial. Ora, o consumo previsto é de 318 milhões de toneladas, com forte empuxe da China.

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Nesse contexto, segundo o palestrante, o mundo estaria na iminência de uma reviravolta nos preços internacionais. Isso, todavia, tende a ser limitado neste ano devido a forte valorização do dólar no cenário mundial, porém, pode se esperar um bushel de soja entre US$ 9,50 e US$ 10,00 para o final do corrente ano, contra os atuais US$ 8,70 praticados em Chicago.

Brasil e Argentina poderão dar um pouco mais de atenção ao milho, que está com preços elevados, e os EUA podem reduzir um pouco a sua área. Além disso, há ainda a possibilidade da ocorrência do fenômeno climático La Niña a partir de meados de 2016.

Em isso ocorrendo, os estoques mundiais de soja recuarão depois de cinco anos em elevação, o que confirmaria a elevação das cotações da oleaginosa.

Quanto ao mercado do milho, o palestrante destacou que as fortes exportações nacionais neste ano comercial reduziram os estoques, deixando o mercado bastante “apertado” mesmo diante de uma boa produção. Não se pode esquecer que o Brasil reduziu a área semeada com o cereal neste ano.

O que pode reverter um pouco este quadro de aperto será a safrinha, desde que o clima ajude. Entretanto, os produtores do Centro-Oeste, onde ocorre a principal produção, já teriam comercializado ao redor de 60% do que esperam colher. Portanto, os volumes disponíveis, mesmo na safrinha, não serão muito elevados, fato que pode manter os preços do cereal.

Ao mesmo tempo, espera-se uma recuperação dos preços internacionais do milho, com o bushel passando acima dos US$ 4,00 em Chicago, contra os atuais US$ 3,70. Isso poderá ser corroborado pelo fato de que o Brasil terá dificuldades em exportar a mesma quantidade de milho deste último ano, levando os EUA a ocuparem esse espaço via uso de seus estoques.

Em síntese, estaríamos diante dos primeiros indícios de valorização dos preços mundiais da soja e milho. Com o câmbio ficando como está no Brasil, os produtores rurais poderão vivenciar um cenário positivo para o futuro próximo do mercado da soja e mesmo do milho. Todavia, isso acaba se tornando uma incógnita diante do atual cenário político brasileiro, o qual não parece se resolver antes das próximas eleições presidenciais.

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