A economia do agro em 2017

A economia do agro em 2017

economia agronegócioComo se sabe, o Brasil encontra-se em recessão desde o segundo trimestre de 2014, de acordo com o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da Fundação Getulio Vargas (CODACE/FGV). Depois do PIB crescer, em termos reais, 0,5% em 2014 (dados revistos pelo IBGE e divulgados em novembro), a economia teve uma queda de quase 4,0% em 2015, e outra em 2016 (projetado em 3,4% pelo IBRE/FGV). Mas, para 2017, as expectativas são de números melhores do que em 2016, talvez algo levemente positivo.

Nos últimos vinte anos (1996 – 2015), o PIB da agropecuária, calculado pelo IBGE, cresceu em média, 3,6% ao ano, em termos reais. Durante esse período, somente em duas oportunidades (2009 e 2012) o PIB da agropecuária teve crescimento negativo (-3,7% e -3,1%, respectivamente). Vale frisar que tanto em 2010 quanto em 2013 (anos imediatamente posteriores às quedas), o PIB da agropecuária cresceu fortemente (6,7% e 8,4%, respectivamente). Em 2016 ainda, deverá ocorrer nova queda com a retomada no ano seguinte (-1,6% e 4,5%, respectivamente, de acordo com as projeções do IBRE/FGV).

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Algumas variáveis melhoraram esse ano. A inflação, por exemplo, que encerrou o ano de 2015 em dois dígitos (10,7%), deve ficar por volta de 7,0% em 2016 e 5,0% em 2017. No começo de 2016, as expectativas de mercado para a inflação do final de 2018, segundo a mediana do boletim Focus, estavam em 5,0%, portanto, acima da meta de inflação. Ao longo do ano, essas expectativas já convergiram para a meta de 4,5%. O risco país, medido pelo CDS de 5 anos, caiu de uma média em janeiro de quase 500 pontos para uma média em novembro em torno de 300 pontos. Na taxa nominal de câmbio aconteceu o mesmo: enquanto que a expectativa média em janeiro era de R$ / US$ 4,3 para o fim de 2016, em novembro, essa expectativa média foi de R$ / US$ 3,2.

O Índice de Confiança do Agronegócio (IC Agro), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que mede a expectativa dos agentes do setor em relação ao seu negócio e ao ambiente econômico de forma geral, fechou o terceiro trimestre de 2016 em 106,3, o maior número da série histórica iniciada no quarto trimestre de 2013. Vale lembrar que o indicador acima de 100 pontos sinaliza um cenário otimista; igual a 100, neutralidade; e abaixo dos 100, baixo grau de confiança. Foi um aumento de 28,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Em termos de comparação, o terceiro trimestre de 2015 teve uma queda de 7,7% em relação ao terceiro trimestre de 2014.

Como destaque negativo, temos o aumento da taxa de desemprego, que é uma das últimas variáveis a entrar na crise e a sair dela também. No início da recessão (segundo trimestre de 2014), a taxa de desemprego estava em 6,8%, tendo fechado em 9,0% no final de 2015. Para o fim de 2016, o IBRE/FGV projeta 12,0%, e 11,3% para 2017.

Por: Marcel Grillo Balassiano

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