A importância do cuidado com o escore corporal de vacas leiteiras

A importância do cuidado com o escore corporal de vacas leiteiras
Animal com excesso de escore corporal. Fonte J Abreu

Animal com excesso de escore corporal. Fonte Jorge Abreu

Durante a desafiadora vida leiteira de uma vaca em uma fazenda, em muitos momentos de sua lactação o animal passa por problemas que, muitas vezes, podem ser evitados com um manejo preventivo eficiente. Dentre esses problemas estão as vacas que apresentam alto acúmulo de gordura, as quais estão mais suscetíveis à doenças metabólicas no início de sua lactação.

Um momento crucial para uma vaca, em que o seu escore de gordura é de grande importância, é o período de transição, que compreende 3 semanas antes do parto à 3 semana após o parto (Grummer, 1999). Nesse período o animal passa por profundas mudanças no seu organismo em preparação ao parto, e ocorre uma grande mobilização de nutrientes para obtenção de reservas energéticas, produção de colostro e mobilização de Ca sérico, a fim de uma melhor condição no momento do parto.

Nesse período o animal acaba tendo uma diminuição do consumo, causando-lhe prejuízo, pois há uma grande demanda de energia e não há consumo, e por consequência, não há síntese de glicose, principal fonte de energia para o animal. Esse cenário faz com que ocorra um comprometimento do sistema hepático, com a deposição de gordura no fígado em decorrência do BEN (balanço energético negativo), em que a vaca gasta mais energia do que consome, e este BEN causa grandes prejuízos ao animal, tanto produtivos quanto reprodutivos.

Uma das formas de avaliar o escore do animal se dá através da visualização da parte traseira do animal, mais precisamente na região caudal, em que, em uma escala de 1,0 (demasiadamente magro) à 5,0 (demasiadamente gordo), se identifica qual escore o animal apresenta. A importância de qual estado corporal a vaca irá apresentar no momento do parto é fundamental para que doenças metabólicas em decorrência de alto acúmulo de gordura venham a ocorrer ou não, e o controle sobre esta variável torna-se de fundamental importância.

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Como principais doenças que estão relacionadas com o escore elevado de uma vaca, podemos citar: cetose hepática, esteatose hepática, hipocalcemia, retenção de placenta, metrites e edemas de úbere. Atualmente, pesquisadores comprovam que o escore ideal de uma vaca no momento do parto é entre 3,0 à 3,25, pois a rápida mobilização de gordura está associada à problemas reprodutivos e de saúde em vacas leiteiras, e este escore estaria dentro de um valor aceitável para minimizar estes problemas. (Almeida 2009)

Para evitar que as vacas fiquem gordas e que não haja um comprometimento da capacidade reprodutiva e produtiva do animal, o uso de dietas específicas no pré-parto é fundamental, dietas estas com alta inclusão de fibra, aniônicas, baixos índices de Ca e K, e que se busquem estimular o consumo de forma constante, para que o BEN seja moderado. Também é válido frisar o uso de algumas estratégias no combate a alguns problemas no pós-parto, como a cetose (fígado gorduroso), em que a utilização de aditivos e vitaminas do complexo B na dieta destes animais vem se mostrando como uma boa alternativa, principalmente o uso de colina protegida.

Desse modo, é inevitável que uma vaca, no decorrer de sua lactação, venha a acumular gordura, principalmente no final de sua lactação, ou em animais que atrasaram muito sua gestação. Todavia, o mais importante, nesse cenário, é ter controle sobre o escore de vacas pré-parto, pois estes animais são os mais desafiados e certamente os responsáveis pelo sucesso ou fracasso de uma lactação. Assim, evitar balanço energético negativo, efetivar uma dieta pré-parto eficiente com boa ingestão de matéria seca, buscar opções em aditivos que a literatura contempla, são atitudes fundamentais de um bom gestor de uma fazenda leiteira.

Jorge Augusto Abreu  – Médico Veterinário CRMV-PR 12381 – Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR – (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

 

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