A lucratividade na atividade rural

A lucratividade na atividade rural

A lucratividade ruralEm 2014, a oferta mundial de grãos – soja e milho, cresceu muito. Graças a Safra Record nos EUA, aumento significativo no Canadá e na América do Sul – pois tivemos também safras grandes no Brasil e Argentina. Consequentemente a oferta mundial acendeu muito acima da demanda e os preços, em U$, caíram no mercado internacional na faixa de 30%, o que é uma ameaça muito grande para rentabilidade das duas próximas safras.

Muitos custos mascarados pelos altos preços terão de ser revistos, entre eles:

– O alto índice de endividamento ocasionado pela euforia de mercado

– E o arrendamento certamente é outro sério problema.

São inviáveis nos patamares contratados nesse período de vacas gordas, e ainda mais com contratos firmados para cinco anos. Os arrendamentos aumentaram em até 50% na média, o que é um contrassenso, pois já que são pagos em sacas de soja e o que subiu foi o preço da soja, não a produção que deu um salto. Regiões em que o arrendamento de 10 sc/ha passou para 15 sc/ha, tem lógica? Um aumento de 50%!

A queda de preço da soja ocorre num ano e a dos insumos só no outro, e isso se cair. O adubo já subiui 45%, enquanto o dólar 28%.  Esse filme aconteceu em 2009 onde o adubo aumentou em dois anos 50%. Em 2010 o preço da soja incidiu 30%, e o adubo se manteve neste patamar e nunca mais baixou.

Custos estruturais que estavam mascarados pelo alto preço da soja, mas que nós é que pagamos. Transporte em estradas de velho mundo, a falta de armazéns e silos. Tirando o porto mais moderno do mundo que construímos em Cuba o resto deles não conseguem escoar a produção em tempo real. O Brasil está esculhambado e ninguém tem experiência suficiente para dar jeito nisso. Inflação, somos doutores nesse tema. Desemprego, o Brasil sempre soube lidar com ele. O problema é que pela primeira vez nós temos inflação, desemprego e um nível de endividamento muito elevado.

Como já soubemos, nos países desenvolvidos existem políticas públicas que até mesmo para manter o produtor no campo garantem a ele uma lucratividade mínima. Existem seguros agrícolas e uma cultura bastante enraizada de proteção aos produtores. Não somos um país desenvolvido, não temos uma política pública que dê garantias para o produtor continuar produzindo. Muitas vezes ficamos torcendo para que o governo não atrapalhe mais do que já atrapalha. Precisamos é gerar rentabilidade por nós mesmos e portanto não temos outra saída a não ser a de ficarmos na obrigação de dar resultado.

Paulo Nicola
Agropecuarista e Engenheiro Civil pela FURG e MBA Factoring pela FAI.

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