Adubação equilibrada gera tomates mais bonitos e duradouros

Adubação equilibrada gera tomates mais bonitos e duradouros

Bruno Dittrich*

O tomate é uma das principais frutas consumidas no Brasil, presente em saladas e molhos clássicos de massas, sendo também amplamente utilizado em dietas restritivas, já que cada fruto possui em média 25 calorias. Com muitas propriedades diuréticas e grandes quantidades de vitamina C, que colabora na absorção de ferro pelo organismo, a exigência do consumidor é o ponto chave que determina o funcionamento de toda a cadeia dessa cultura.

Frutos mais padronizados, sem defeitos, com boa coloração, firmeza de casca, sabor e durabilidade estão entre as principais características que as grandes redes de Hortifruti e os clientes finais observam. No início dessa cadeia está o agricultor, que precisa produzir um tomate que tenha essas qualidades, visando sua produtividade e rentabilidade, mas ao mesmo tempo com menor custo de produção, o que implica em uma tarefa difícil por conta de fatores previsíveis e outros nem tanto, como o clima, por exemplo.

Dentre os itens controláveis, um dos principais e que possui impacto direto nestas características finais do produto, é a nutrição da planta. Um cenário que ainda leva em conta aspectos tradicionais, com práticas antigas e não ajustadas a nova genética disponível no mercado. Hoje em dia, ainda há nutrição feita com fórmulas antigas muito tradicionais, como o famoso 04.14.08, o principal adubo de plantio utilizado na tomaticultura, porém, desequilibrado e incompleto para a necessidade da planta.

Adubação equilibrada

De acordo com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o recomendável para o tomate de mesa é até 800 kg de P2O5/ha. Se o agricultor seguir essa recomendação, utilizando a fórmula 04.14.08, ele fornece mais de 450 quilos de K2O nas fases iniciais da planta, além de uma alta dose de N. A consequência de uma adubação de plantio desequilibrada é a salinização do solo, o que resulta em uma difícil absorção de água e demais nutrientes pela planta.

Outro ponto crítico é a falta de uniformidade, que leva uma segregação durante o transporte e aplicação, gerando uma distribuição desuniforme dos nutrientes no campo. Mais um importante ponto que diferencia a adubação da nutrição são os micronutrientes e macronutrientes secundários. Alguns deles devem ser fornecidos no plantio do tomateiro para o desenvolvimento equilibrado da planta e o crescimento do sistema radicular.

Hoje, já existem fórmulas especialmente desenvolvidas para o plantio da cultura do tomate com maior teor de fósforo em relação ao nitrogênio e potássio, possibilitando a aplicação de todo o P necessário sem o risco de problemas por excesso de nitrogênio e ou potássio.

Principais nutrientes para o tomate

Alguns elementos são fundamentais na fase inicial, onde o primeiro a ser lembrado é o fósforo, não só pelo enraizamento e o sistema energético do tomateiro, como pela sua baixa mobilidade no solo. Nitrogênio e potássio devem ser aplicados em doses menores no plantio, pois, seu fornecimento pode se dar em cobertura em fases de maior necessidade da cultura.

O tomateiro se desenvolve com muito mais qualidade quando se usa 20% aproximadamente de nitrogênio amoniacal e 80% de nitrogênio nítrico, mas, a distribuição do fornecimento do nitrogênio deve ser a fonte amoniacal no plantio, que favorece a absorção de fósforo e nítrica na cobertura.

Uma dose inicial de cálcio também deve fazer parte do programa, por que sem o suprimento desse nutriente, a planta terá um desenvolvimento radicular muito menor, enquanto o enxofre é importante para tornar essas raízes mais fundas e para que a planta absorva mais água.

Já dentre os micronutrientes fundamentais na fase de plantio, está o boro, essencial na divisão das novas células do ápice da raiz, o zinco, que atua no crescimento do vegetal, e o manganês, que transforma o nitrogênio amoniacal em aminoácido dentro da planta.

O passo número 1 para produzir um tomate de mais qualidade está nas mãos do agricultor e na qualidade do plantio. Para buscar atender as necessidades do mercado e ter uma plantação produtiva, é necessário buscar novas tecnologias, realizar uma nutrição equilibrada, que leva em conta esses principais pontos mencionados e, assim, resultar em uma colheita farta e rentável.

*Bruno Dittrich é engenheiro agrônomo e especialista na cultura de Tomate da Yara Brasil

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