Agronegócio seguirá na contramão da economia em 2016

Agronegócio seguirá na contramão da economia em 2016

Agronegócio seguirá na contramão da economia em 2016 A área plantada e a produção de grãos devem continuar crescendo. O faturamento bruto do setor, em termos reais, deve continuar se expandindo. O Valor Bruto da Produção (VBP) da agricultura brasileira, a valores de outubro/2015, está estimado em R$ 319,8 bilhões em 2016, 4,3% acima do estimado para 2015. Destaques para a soja, cujo faturamento deve atingir R$ 105,4 bilhões; cana-de-açúcar (R$ 50,5 bilhões); milho (R$ 36,8 bilhões); e café (R$ 22,3 bilhões). O PIB da Agropecuária deverá crescer 2,4% em 2016, contra uma projeção de novo recuo no PIB brasileiro, estimado em, pelo menos, -1,5%. Para a safra de grãos 2015/2016, a projeção da nossa Consultoria é de uma produção de 213,4 milhões de toneladas, 2% acima da atual (2014/2015), cuja produção está estimada em 209,7 milhões de toneladas.

Para 2015/2016, a área de cultivo de grãos deverá crescer 1,4%, para 58,848 milhões de hectares, uma expansão de 784 mil hectares, em relação aos 58,064 milhões de hectares cultivados em 2014/2015. Confirma-se, assim, a tendência de redução de área em praticamente todos os cultivos de verão (1ª safra), com a expansão concentrada na soja, cuja área deverá crescer 3,7% em 2015/2016, para 33,2 milhões de hectares (acréscimo de 1,2 milhão de hectares sobre 2014/2015). O avanço da área de soja compensa o recuo previsto para a 1ª safra (verão) nas culturas de milho, feijão e arroz. Para a 2ª safra (inverno) de 2015/2016, a projeção é de expansão da área de milho e de trigo. Os estoques mundiais de grãos vão parar de crescer em 2016. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) reduziu sua estimativa de produção mundial de cereais em 2015/2016, para 2,53 bilhões de toneladas, 0,9% abaixo do recorde de 2014/2015.

A revisão reflete a perspectiva de menor produção de grãos destinados à produção de ração. Para a temporada 2015/2016, a previsão de demanda global é de 2,53 bilhões de toneladas, 1,2% maior que o do ciclo 2014/2015. Os estoques globais no fim da temporada 2015/2016 estão estimados pela FAO em 638 milhões de toneladas, com redução de 1,1% sobre 2014/2015 – a primeira queda nos últimos seis anos. O clima será um desafio para os agricultores brasileiros na nova temporada 2015/2016. Dados da agência norte-americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) sobre os desvios de temperatura da superfície do mar (TSM) indicam que o fenômeno El Niño deve se intensificar até o final deste ano. Esse El Niño pode ser um dos mais intensos da história, segundo o Centro de Previsão do Clima (CPC) dos Estados Unidos. Os efeitos típicos do El Niño no Brasil são a diminuição da precipitação em áreas do Norte e Nordeste durante o verão. No Sul, há uma tendência de aumento de precipitação durante a permanência do El Niño, sendo mais comum nos meses de novembro a março.

 

Carlos Cogo – Consultor em Agronegócios

Sócio-Diretor de Consultoria
CARLOS COGO CONSULTORIA AGROECONÔMICA

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