Alimentamos vacas ou bactérias?

Alimentamos vacas ou bactérias?

Alimentamos vacas ou bactérias?Quando se busca nutrir um animal de forma que lhe garanta um bom desenvolvimento e uma vida saudável, torna-se necessário o uso de bons alimentos que irão ser responsáveis pelo êxito de todo o processo alimentar. A aplicação e o controle de inseticidas, fungicidas e adubações em pastagens são feitos de forma muito eficiente para prevenção de doenças que prejudicam a qualidade da forragem. Já os dejetos de granjas de suínos e aviários se tornam uma opção mais econômica e sustentável para melhorar os nutrientes das pastagens.

Atualmente, no mercado de nutrição animal, existe uma grande variedade de aditivos – produtos com finalidade específica que visam melhorar o desempenho em determinada fase de todo o processo digestivo dos animais – desde a mastigação do alimento até o momento da defecação. Em bovinos esta realidade avança a passos largos. Muitas pesquisas desenvolvidas por instituições públicas e privadas, que realizam testes com produtos como ionóforos, micro-organismos, enzimas, óleos naturais, minerais orgânicos e inorgânicos, buscam uma resposta positiva e segura na produção de leite e carne. Porém, os ruminantes (bovinos, ovinos e caprinos) possuem uma característica única, que torna o processo alimentar mais complexo frente aos demais animais domésticos.

A presença do rúmen (órgão responsável pela digestão) faz com que os alimentos nobres, como açúcares, amidos, aminoácidos e proteínas, sejam fermentados e desperdiçados pelo animal, evento este que não ocorre com monogástricos (aves, suínos e equinos). O rúmen é o maior órgão do corpo de um bovino, pois representa 1/7 da massa corporal do animal (PEREIRA, 2014), o que corresponde a um volume aproximado de 90 litros. Ainda, ele possui uma temperatura em torno de 39 graus e uma população de microorganismos (bactérias, fungos e protozoários) que ultrapassa a barreira de seis dígitos. E toda essa infinidade de bactérias vive em uma “simbiose”, ambiente de ação mútua, onde cada microorganismo tem ação fundamental para o desenvolvimento e mantença de toda esta engrenagem.

Boa parte das fibras e carboidratos que o animal ingere é biotransformada em energia, na forma de glicose, em um ambiente com concentrações mínimas de oxigênio e uma quantidade de aproximadamente 70% de líquido. Por apresentar essa característica própria, não é errada a afirmação de que, ao alimentar uma vaca, na verdade está se alimentando bactérias, pois toda a energia e proteína metabolizável que nutre um bovino é produto do trabalho da ação dos microorganismos presentes no rúmen.

Muitos pesquisadores afirmam que, ao alimentar uma vaca, deve-se avaliar como o rúmen desse animal irá responder ao alimento, pois perdas por adaptação ao alimento podem ser minimizadas e distúrbios como diarreia e timpanismo evitados. Sintomas estes que são característicos de uma dieta mal adaptada.

Mudanças bruscas na fonte alimentar dos animais, como por exemplo, em bovinos que consumiam fibras oriundas de pastos e que deixaram de comer somente a fibra para consumir concentrados de grãos de cereais, podem apresentar sinais negativos, e causar prejuízos ao produtor.

Portanto, ao alimentar uma vaca se alimenta uma infinidade de microrganismos, que podem tanto acelerar o ganho do animal quanto atrasá-lo. Desse modo, o uso de dietas balanceadas e bem adaptadas torna todo o processo mais seguro e uma nutrição mais contundente e eficaz.

Jorge Augusto Abreu – Médico Veterinário CRMV-PR 12381 – Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR – (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

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