Noções sobre ambiente ruminal sob um ponto de vista técnico

Noções sobre ambiente ruminal sob um ponto de vista técnico

ruminantesNoções sobre ambiente ruminal (protozoários) – Parte 2.

Dando continuidade à abordagem sobre o entendimento do metabolismo ruminal, classificações dos microorganismos nele existentes, e a simbiose que todos estes componentes atuam, abordaremos, então, a temática que envolve os protozoários. Os protozoários, por apresentar-se em menor número que as bactérias, possuem menos estudos publicados e bibliografia recorrente, o que motiva pesquisadores e técnicos da área a intensificar os estudos sobre esta classe de microorganismos do rúmen, como também limita, em parte, um conhecimento mais aprofundado sobre o assunto.

Em suas considerações sobre o metabolismo de protozoários, Kosloski et al (2009) publicou em seu livro de Bioquímica de Ruminantes que a maior parte destes microorganismos são ciliados, o que facilita a aderência à partículas fibrosas insolúveis suspensas no fluido ruminal. Estes protozoários com afinidade a um material fibroso são os do grupo dos Entodiniomorfos.

Já animais que possuem forragens como base alimentar apresentam este grupo em maior quantidade do que o grupo dos Holotriquias, grupo de protozoários que possuem maior capacidade de ingerir materiais solúveis e grânulos de amido. Este grupo destaca-se mais em dietas ricas em grãos de cereais. Os protozoários, ressalte-se, possuem grande importância na função “tampão” nos ruminantes, por dois grande motivos. A uma porque são grandes fermentadores de ácido lático AGV, responsável por redução de pH ruminal, e a duas pelo material digerido por eles apresentar-se na forma de vacúolos presentes no interior do protoplasma (parte da célula).

Quando há a degradação do amido o processo torna-se mais lento do que o trabalho feito pelas bactérias, e isto acaba por contribuir com a queda brusca do pH em animais alimentados com dietas ricas em concentrado, mas o excesso de amido na dieta também pode acabar matando os protozoários. Outra relação importante é a existente entre proteína microbiana/protozoários. Esta relação ocorre devido à grande maioria das proteínas digeridas no rúmen serem excretadas para o meio ruminal novamente, na forma de amônia e aminoácidos. Em função disso, a presença de protozoários está associada a uma redução da proteína microbiana no intestino delgado e a um aumento na reciclagem do nitrogênio no rúmen.

De igual modo, os protozoários atuam na biohidrogenação de alimentos gordurosos que, em contato com o meio ruminal, são convertidos em ácidos graxos. O processo de biohidrogenação, por sua vez, transforma ácidos graxos insaturados em saturados, e todo este processo possui atuação significativa dos protozoários. Assim, embora de menor atuação, os protozoários são coadjuvantes de uma digestão equilibrada, em que, se as demais colônias bacterianas não estiverem com excessos de substratos, ou deficiência, estes microorganismos são capazes de sintetizar e reciclar nutrientes importantes para a saúde ruminal.

Jorge Augusto Abreu Médico Veterinário CRMV-PR 12381 Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

>> Leia a primeira parte aqui. 

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