Atual momento sugere mudanças nas dietas de terminação de bovinos

Atual momento sugere mudanças nas dietas de terminação de bovinos

A necessidade de melhorar as condições de rentabilidade e tornar a atividade pecuária cada vez mais competitiva está fazendo com que confinadores engajados nesta ideia estejam buscando novas alternativas na terminação de seus rebanhos.

Com o preço do milho em baixa e o valor da arrouba sinalizando aumento, as dietas de alto grão tendem a aumentar o número de confinamentos adeptos. Para entendermos melhor, essas dietas são compostas por 85% de grão (em média) de milho ou outro cereal, e 15% (em média) de um concentrado vitamínico com alto teor de proteína, em média 38%. As vantagens que fazem com que cada vez mais confinadores se tornem usuários dessa dieta “alto grão”, assim denominada, são inúmeras, como maior facilidade de trato, menos mão de obra, instalações simples, agilidade na engorda, rapidez do processo, menos dejetos, etc… A quantidade de alimento ofertado ao boi é reduzida pela metade.

Numa dieta convencional um boi comeria 20 kg/MO (matéria original) de alimento diário, e em uma dieta alto grão, os valores são reduzidos à aproximadamente 10 kg/MO. Os estudos de SCHOONMAKER mostram animais com melhores desempenhos e características de carcaça, resultados superiores aos animais submetidos a dietas convencionais com fontes de volumoso (SCHOONMAKER, 2002). Esse perfil de dieta causa uma grande mudança na composição dos microrganismos do rumem e metabolismo do animal, e alguns riscos que devem ser considerados. Por isso, uma adaptação bem feita torna-se necessária, a fim de reduzir possíveis distúrbios metabólicos como acidoses e ruminites.

Durante o período de adaptação, o animal inicia ingerindo uma quantidade de 1,2%/ PV (peso vivo) da ração (ex: milho e concentrado), e o restante em volumoso, o qual já vinha sendo ofertado. Ao passar dos dias ocorre um aumento gradativo do consumo em relação ao PV, cerca de 0,2% a cada dois dias, e vai se reduzindo a oferta do volumoso. Ao fim de 15 dias o consumo deverá estar equivalente a 2,4%/PV somente concentrado. No que se refere às sobras de cocho, quando são superiores a 15% do oferecido diário, deve ser reduzida a quantidade de alimento do lote, e quando forem inferiores a 5% deve ser aumentada a oferta de alimento. Assim, as sobras encontradas após o último trato do dia deverão permanecer entre 5% a 15% do ofertado, e quando se atinge números próximos a estes a quantidade é mantida (NEUMANN, 2010).

Portanto, dentre os fatores acima expostos, somados à necessidade de o pecuarista ter condições de produzir melhor com maior lucratividade, produzindo carcaças com melhor acabamento e em maior demanda, nos levam a acreditar que o perfil das dietas de terminação irá mudar nos próximos meses.

Jorge Augusto Abreu Médico Veterinário
CRMV-PR 12381 Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

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