Cenário atual e futuro do leite

Cenário atual e futuro do leite

Onde estamos e para onde vamos foram os questionamentos que nortearam o Seminário Regional do Leite, uma ação conjunta do Corede Fronteira Noroeste, Associação Regional dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais de Santa Rosa, Emater/RS-Ascar, Funcap, Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa (AMGSR) e Arranjo Produtivo Local (APL) do Leite, com o apoio de diversas cooperativas, prefeituras, instituições de ensino, sindicatos, associações e institutos.

O evento ocorreu nesta quarta-feira (18/10) no auditório central da Unijuí – campus Santa Rosa, em um cenário de preocupação diante da saída de um número expressivo de famílias de uma das atividades com maior impacto social e econômico no meio rural da região.

Em um primeiro momento, o presidente do APL Leite, Luiz Zimmermann, saudou a presença de todos, chamou a atenção da importância de mensurar os impactos da cadeia produtiva do leite, refletindo sobre as possibilidades de desenvolvimento e de inclusão social, através da atividade.

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O gerente regional da Emater/RS-Ascar, Ademir Renato Nedel, reiterou a importância de discutir uma das atividades centrais para o desenvolvimento da região e estabelecer estratégias de forma a torná-la rentável, viabilizando a permanência das famílias produtoras de leite, com maior rentabilidade e qualidade de vida.

O gestor da APL Leite, Diógenes Albring, destacou o grande número de entidades engajadas em pensar e agir em relação ao cenário atual e futuro do leite e apresentou a metodologia e resultados do trabalho realizado via arranjo produtivo local.

Reuniões de governança, diagnósticos qualitativos, organização de grupos de trabalho de produtores e indústrias, promoção de dias de campo, capacitações de técnicos, produtores e agentes estiveram entre as ações.

Na sequência, o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, Ivar Kreutz, destacou o cenário atual do leite em relação a variáveis de mercado interno e externo, preços pagos, distribuição diária da produção de leite nas diferentes regiões, bem como outros aspectos que revelam a importância da cadeia e preocupações sociais e econômicas, em função das grandes mudanças que vem ocorrendo nos últimos dois anos.

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Uma das preocupações mais enfatizadas é o preço pago pelo produtor, entretanto, percebeu-se uma evasão da atividade mesmo quando este estava em padrões razoáveis. “Em 2016 o preço por litro pago ao produtor da região chegou a R$ 1,70 e em 2017 a média tem sido de R$ 1,13.

Neste contexto, 36% do total de produtores das regiões Fronteira Noroeste e Missões saíram da atividade entre julho de 2015 e julho de 2017, incluindo o período de preços altos. Percebe-se aí que existem gargalos maiores a serem superados”, comentou Ivar.

Mesmo existindo outras variáveis, a redução no preço pago ao produtor pode impactar significativamente os valores que circulam na região. Em um comparativo apresentado ao converter em sacas de soja, em um valor médio de R$ 56,00, a redução do valor pago pelo litro de leite, em R$ 0,10 por litro, deixariam de circular por mês o equivalente a quase 60 mil sacas de soja, ou seja, aproximadamente 3.571 salários mínimos, apenas nos municípios da Fronteira Noroeste.

O professor da Fahor, Márcio Leandro Kalkmann, apresentou a proposta de levantamento dos resultados econômicos e sociais do leite nos municípios que será realizado ao longo dos próximos meses, como forma de mensurar a viabilidade e a importância da atividade.

Já o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Jorge Fainé Gomes, lançou o programa Siga Leite, sistema de produção de leite com qualidade e de baixo custo, além de apresentar questões técnicas que interferem no resultado e nos custos de produção.

A Associação dos Municípios da Grande Santa Rosa aproveitou a ocasião para também lançar o programa Prefeito Amigo do Leite, uma iniciativa que busca levar o comprometimento e o reconhecimento dos municípios em relação à atividade leiteira.

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Ao final, autoridades da AMGSR, representada pelo seu coordenador, prefeito de Santa Rosa, Alcides Vicini, da Emater/RS-Ascar, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, Fetag/RS, Embrapa Clima Temperado, Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios, Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul, Senar e Sebrae participaram de uma mesa de debates, coordenada pelo professor da Unijuí, Pedro Büttenbender.

A partir da discussão, foram indicados direcionadores estratégicos para a cadeira do leite na Fronteira Noroeste do Rio Grande do Sul.

Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar – Regional Santa Rosa

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