5 dicas para acertar na nutrição da soja

5 dicas para acertar na nutrição da soja

O aumento exponencial na demanda por alimentos deixa o Brasil em uma posição de destaque na missão de abastecer o mundo e eleva a sua competitividade de exportação de commodities. A soja é uma das principais culturas de exportação do País e a tendência é que supere recordes de produtividade nas próximas décadas.

De acordo com dados divulgados pela FAO, nos últimos 50 anos a produção mundial do grão multiplicou por dez, chegando a 269 milhões de toneladas, e a previsão até 2050 é que esse número quase dobre, podendo bater 515 milhões de toneladas. Com esse cenário promissor, um dos principais fatores que precisam ser avaliados criteriosamente é o manejo correto dos fertilizantes.

Uma nutrição equilibrada é fundamental para o desenvolvimento da cultura, ampliar a colheita em um mesmo espaço de terra e conseguir maior qualidade do produto final. Para entender como alcançar resultados satisfatórios nesta etapa do processo produtivo, Diego Guterres, especialista agronômico da Yara, elencou as cinco principais dicas para a nutrição correta da soja. Confira:

1. Trabalhar a construção da fertilidade do solo

Para atingir altos rendimentos é fundamental construir a fertilidade do solo. As ações chave para isso são:

Combater a acidez do solo superficialmente e em profundidade com o uso de corretivos, condicionadores de solo e de fertilizantes com menor poder de acidificação;

Promover a elevação do teor de matéria orgânica do solo, empregando sistemas de rotação de culturas diversificadas e com alto aporte de resíduos ao solo, ajustado à realidade de cada sistema produtivo;

Corrigir os níveis de concentração principalmente de fósforo e de potássio.

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2. Adubação de base é fundamental

É importante fazer a adubação de base para nutrir a cultura da soja, posicionando o fertilizante abaixo das sementes. Essa ação se torna mais importante quanto menos evoluída estiver a fertilidade do solo e quanto maior forem os riscos climáticos previstos. Para tanto, a formulação deve conter os principais nutrientes em equilíbrio, de acordo com a demanda da planta e com as suas dinâmicas no solo. São eles: nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, enxofre, boro, manganês e zinco.

Além disso, há uma maior eficiência nutricional se todos esses componentes estiverem na mesma proporção, em cada grânulo do fertilizante e em formas disponíveis para a imediata absorção pela cultura.

3. Fixação biológica de nitrogênio

Nutrientes como o cobalto e o molibdênio são extremamente importantes para a fixação biológica de nitrogênio (FBN). Esse processo agrega cerca de 80% do principal nutriente que a cultura da soja necessita para produzir. É necessário o tratamento de sementes ou aplicação via foliar (até o estádio V3 – V4) com esses dois nutrientes. Ademais, todo o manejo que maximizar a fotossíntese, indiretamente, favorecerá a FBN, pois existe uma estreita relação entre os dois processos. A aplicação foliar de cobre, manganês e zinco, como também de enxofre, podem contribuir nesse sentido, dependendo das condições de disponibilidade e de absorção desses nutrientes no solo.

Além disso, até o estádio V5, o principal dreno da planta são as raízes. Portanto, é preciso estimular o desenvolvimento radicular desde a formação das radículas (raízes iniciais) e usar produtos enraizadores que contenham, além de cobalto e de molibdênio, extratos de algas e aminoácidos, estimulando a planta a fixar mais nitrogênio e a desenvolver mais as raízes. Com isso, o estabelecimento da lavoura fica mais uniforme e as plantas já iniciam o ciclo mais vigorosas.

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4. Aplicação de produtos energizadores

As principais cultivares de soja utilizadas atualmente são as RR, tecnologia que confere resistência a herbicidas a base de glifosato. Com isso, evoluímos muito no manejo de plantas daninhas, mas, em contraponto, a aplicação de glifosato pode provocar estresse nas plantas de soja em maior ou menor grau, mesmo sendo resistentes.

Cabe salientar que as cultivares RR mais antigas apresentam claros sintomas de deficiência de manganês, o que nem sempre tem ocorrido com as cultivares modernas. Mesmo assim, esse efeito pode provocar redução de produtividade, pois essa substância prejudica o metabolismo da planta e provoca maior gasto energético.

A aplicação de produtos energizadores, destinados a destravar a planta neste momento são fundamentais, sendo interessante que possuam uma concentração de manganês para ajudar, caso haja imobilização desse nutriente na rizosfera. É imprescindível que tais produtos sejam compatíveis com o glifosato, e os melhores resultados ocorrem com a aplicação conjunta dos dois produtos.

Em outras situações de estresse, como granizo, estiagem, umidade excessiva do solo e alta nebulosidade, a aplicação foliar de produtos com nutrientes e substâncias que estimulam o metabolismo energético da planta podem promover maior resistência (se usados antes) ou recuperação (se usados depois do estresse).

5. Atenção para o boro

O boro é um nutriente muito dinâmico no solo, porém, imóvel na planta. Ele é muito importante no transporte de açúcar nos tecidos vegetais e fundamental para o processo de fecundação na fase de florescimento. Existem linhas de trabalho que preconizam elevar excessivamente o teor de boro no solo, onde esse nutriente é muito dinâmico, sendo bastante afetado pela mineralização/imobilização pela matéria orgânica e pelo fluxo interno de água do solo.

E como o mecanismo de contato íon raiz predominante para esse nutriente é o fluxo em massa, se a transpiração vegetal for reduzida no período reprodutivo inicial, a sua absorção será prejudicada, mesmo com elevada concentração de boro no solo. Por essa razão, é recomendável o uso deste elemento via fertilizante de base, com fonte disponível, distribuída em todos os grânulos e ajustada à demanda da planta. Além disso, aplicações foliares na pré-florada e no estádio R1 podem favorecer o suprimento desse nutriente, principalmente em condições de baixa umidade do solo, como também alta nebulosidade e umidade relativa do ar elevada.

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