Como evitar que sua lavoura enferruje

Como evitar que sua lavoura enferruje

E no meio do caminho havia não somente uma pedra. Mas, também as condições ideais para a proliferação de plantas guaxas a beira de uma estrada onde cerca de 90% da soja é transportada.

Nesse caminho, também houve vento, varredura e o balanço dos caminhões que rodam por ela. Os mesmos que pouco a pouco derrubaram as sementes de soja e também adubo e calcário. Foi então que no meio do caminho havia a situação ideal para a proliferação de uma grande quantidade de ferrugem.

Geradas por quase todos, mas pertencentes a ninguém por lei. Uma real e bem nutrida soja tiguera incontrolável e que acaba sobrevivendo e auxiliando na continuidade da Ferrugem Asiática.

Independente do ano anterior, a expectativa sobre a Phakopsora pachyrhizi está sempre alta. Não entramos em nenhuma safra sem imaginar sobre a ferrugem. Pois, essa é uma doença que não nos permite relaxar, mesmo que tenhamos anos de ação mais branda, não existe uma ação durativa e por isso, estamos sempre em alerta nos preparando com estratégias pré-safra para que no momento das primeiras aplicações todos os cuidados já estejam previstos.

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Há sempre a expectativa de que haverá novamente Ferrugem Asiática, principalmente num ambiente de plantas de soja tiguera à beira das estradas, em pleno vazio sanitário. Outro fator que nos faz estarmos mais atentos à presença da mesma são as chuvas que caíram no mês de agosto, que ajudam na sobrevivência desse fungo nas plantas guaxas. Pois, quando a Ferrugem sobrevive ali, com o plantio da nova safra o esporo vai para o ar, encontra o hospedeiro (soja recém emergida da nova safra) e começa a nova infecção.

De certo que esse não é o melhor momento e nem tem a condição climática mais favorável, e por isso, temos menos esporo suspensos. Mas, em breve, quando a condição climática melhorar, logo após o vazio sanitário, a quantidade de esporos irá aumentar o que influenciará na infecção de novas safras que já estarão em crescimento.

Nos três últimos anos, por termos tido condições ora muito secas, ora muito propícias para a semeadura no cerrado como um todo, e apesar de algumas aparições da Ferrugem, as infecções não chegaram a causar danos de tanta proporção nas lavouras.

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No último ano também foi conseguido pelos produtores um plantio bastante “acelerado”, o que permitiu um fechamento do ciclo da cultura e uma colheita antecipada, evitando perdas pela doença. Isso faz com que os pesquisadores sintam grande preocupação, pois situações como essa em um passado não tão distante levaram a um relaxamento dos produtores e a grandes prejuízos nos períodos subsequentes.

Em situações de aparente “calmaria” o risco é que aplique-se menos fungicidas ou programas mais fracos, sem fungicidas multissítios/protetores, hoje essenciais para um controle seguro da ferrugem asiática. E já temos visto isso, em alguns programas de aplicação, o que causa grande preocupação, porque produtos importantes no manejo da doença estão perdendo a eficácia, o que torna o uso de multissítios, que ainda infelizmente não estão sendo adotados por grande parte dos produtores é primordial, visto a necessidade de se preservar as moléculas que ainda estão funcionando a contento.

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Como aumentar a eficácia e colher mais?

Começa com a proteção da sua lavoura e utilizar produtos com responsabilidade, além de acreditar nas pesquisas que estão sendo trazidas sobre o fungo.

E os cuidados pra já são:

– Eliminar toda planta guaxa que forem encontradas;

– Se preparar bem com a compra de fungicidas no mínimo igual ao pior cenário que já tivemos notícia no passado;

– A indicação é ter o mesmo número de aplicações de multissítio que o de misturas. De forma alternada ou como mistura de tanque;

– Realizar as aplicações preventivas;

– Utilizar bons produtos;

– Fazer o monitoramento da lavoura;

– Respeitar os intervalos de aplicação;

– Respeitar o vazio sanitário;

– E fazer o plantio, dentro do possível, o mais cedo e mais rápido possível.

Outro fator importante é que segundo modelos meteorológicos, tem se a confirmação de que o clima está em neutralidade, com um pequeno atraso na estabilização das chuvas em relação ao ano passado. Usar o tempo ao nosso favor é imprescindível.

 

Fabiano Siqueri, Pesquisador, Consultor Técnico da Fundação MT e integrante do Eagle Team

 

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