Considerações sobre o processo fermentativo de silagens de milho

Considerações sobre o processo fermentativo de silagens de milho

silagem Jorge AbreuAtualmente o uso de silagens de milho como fonte alimentar dos rebanhos de bovinos está cada vez mais consolidado. O benefício para os produtores em possuir um alimento guardado de alto valor nutritivo, aliado à praticidade de não depender somente de pastagens e concentrados para alimentar os animais, torna a prática de ensilar milho cada vez mais unânime.

O que pouco é esclarecido a “nível de campo” é o tema referente aos processos fermentativos que ocorrem durante as etapas da montagem do silo, do início da deposição do material dentro do buraco, até a abertura e início do trato aos animais. Desde o momento que as primeiras cargas são depositadas dentro do silo, ou na superfície, nos casos de silos superficiais (silos montados rente ao solo), já há presença de microorganismos que estão fermentando todo o material.

Podemos dizer que há 3 fases de fermentação no silo: Fase Aeróbica: Fase que se inicia antes do fechamento do silo. A planta ainda consome oxigênio, e as enterobactérias presentes quebram os carboidratos solúveis presentes na planta, e mais, as proteínas são degradadas e ocorre produção de amônia NH3. Fase Anaeróbica: Fase que se inicia no momento do fechamento do silo. Ocorre a ação de bactérias láticas, produtoras de ácido lático, ácido benéfico ao processo, e a ausência do oxigênio tornase de grande importância à silagem, pois ocorre uma melhor estabilidade do material, o que acaba o qualificando. Fase Aeróbica: Fase que se inicia após abertura do silo e início do trato aos animais. O pH que vinha estabilizado em torno de 4,0, com a presença do oxigênio, acaba subindo, desestabilizando o material, favorecendo a ação de leveduras, que quebram a proteína, consomem CO2 e aumentam a produção de Etanol, produção esta que é responsável por uma grande perda da qualidade da silagem, pois o Etanol volatilizado por ação das leveduras poderia ser aproveitado na forma de energia para os animais.

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Assim, torna-se importante o entendimento de que há micro-organismos bons e maléficos ao processo, e sempre que ocorrer a presença de oxigênio, enterobactérias, leveduras, fungos, clostrídios com ação acentuada, haverá um desequilíbrio, e a fermentação irá interferir de forma negativa na qualidade da silagem. Sempre que o silo estiver bem vedado, que não ocorra exposição ao oxigênio, as bactérias láticas terão melhor desempenho. Estas colônias podem ser classificadas como Homofermentativas e Heterofermentativas, em que através da ação de ambas, há a produção de ácidos e açúcares que qualificam o conteúdo energético da silagem. Alguns pesquisadores afirmam que quanto maior for o tempo que uma silagem fique vedada, maior a ação destas bactérias láticas em produzir nutrientes e disponibilizar carboidratos no material, reforçando a importância de se evitar perdas por volatilização ao se expor ao oxigênio.

Como forma de prevenção ou tratamento a esta ação negativa de enterobactérias, leveduras, clostrídios, o mercado disponibiliza aos produtores alguns produtos aditivos que normalmente, em suas composições, apresentam Lacto bacillus, bactérias produtoras de ácido lático, o que ajudaria de forma positiva a estabilização do material, que por algum motivo de manejo ou adversidade sofreu contato com chuvas, terras ou até mesmo exposição ao oxigênio, todos estes fatores que devem ser evitados no momento do fechamento de um silo. Desse modo, muito se é questionado sobre a utilização desses produtos aditivos, os chamados inoculantes de silagem.

A pesquisa comprova uma melhora de 3 a 5% do desempenho fermentativo-energético da silagem, relata Pedroso em seus estudos publicados na Revista Brasileira de Zootecnia (2000). Mas não se pode esquecer que cuidados que antecedem o uso dessas ferramentas devem ser tomados, como o tratamento da planta cultivada, controle à parasitas, fungos e identificação do momento ideal para o corte da planta, pois se a planta for cortada e alojada de forma prematura, o excesso de umidade pode comprometer toda a qualidade da silagem.

Jorge Augusto Abreu Médico Veterinário CRMV-PR 12381 Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

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