Dados de pesquisa contribuem para lucratividade do produtor de trigo

Dados de pesquisa contribuem para lucratividade do produtor de trigo

A escolha da cultivar a ser semeada é uma das decisões mais importantes a serem tomadas pelo agricultor, podendo definir o sucesso ou o fracasso de uma lavoura. Ciente disso, a Fundação Pró-Sementes em parceria com o Sistema Farsul realiza, desde 2008, Ensaios de Cultivares em Rede (ECR) de trigo.

A cada safra testa-se um grupo de 30 a 35 cultivares, as quais são elencadas levando-se em consideração a indicação junto ao zoneamento agrícola, representatividade comercial e campos homologados junto ao Ministério da Agricultura.

Os ensaios são conduzidos em duas épocas de semeadura abrangendo os municípios de Passo Fundo, Vacaria, Cruz Alta, Santo Augusto, São Luiz Gonzaga, Cachoeira do Sul e São Gabriel, que são escolhidos levando-se em consideração características como: índices pluviométricos, altitude, temperatura, solo e regionalização – buscando obter uma boa cobertura com resultados.

Os experimentos são implantados e conduzidos de maneira uniforme em todos os locais selecionados, oferecendo ao produtor rural e à assistência técnica informações idôneas das cultivares, sendo apresentados dados como ciclo em dias, rendimento em kg/ha e em sacos/ha, além de pH e percentual de rendimento de cada cultivar sobre a média da região.

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Segundo a pesquisadora responsável pela unidade de Pesquisa da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl, o Estado é marcado pelo excesso de chuvas na primavera (setembro), período que coincide com o florescimento do trigo. O fato proporciona o aparecimento de doenças de espiga (giberela) a qual afeta diretamente a qualidade da farinha produzida. “Na safra 2016 houve a ocorrência de chuvas intensas, porém a ocorrência foi maior no mês de outubro, período que coincidiu mais com o florescimento das lavouras implantadas na primeira quinzena de julho na região de Vacaria. Já em 2016 tivemos um período de estiagem na região das missões onde inclusive alguns produtores fizeram o uso de irrigação a fim de garantir boa emergência de plantas e em alguns pontos isolados a ocorrência de granizo”. Os dados coletados e analisados somados a mensuração deles é o que norteia o trabalho que tem como principal objetivo poder orientar o produtor sobre o desempenho das cultivares na sua região, a fim de que obtenha maior liquidez na sua produção.

A pesquisadora ainda ressalta que: “o ideal, por exemplo, seria o produtor identificar o grupo das cinco cultivares mais produtivas na sua região, e ainda observar a demanda do mercado pelos tipos de farinha e nível tecnológico exigido para que cada cultivar desempenhe seu melhor resultado”.

Com base nos rendimentos alcançados na última safra de inverno, tendo como exemplo a cultivar mais produtiva e a cultivar menos produtiva no grupo de cultivares de ciclo precoce em Cachoeira do Sul na primeira época de semeadura, encontra-se uma diferença de 47 sacos, o que representa um ganho de R$ 1.337,00 por hectare.

Um trabalho que serve para orientar os produtores quanto à evolução no desenvolvimento das sementes e existência de cultivares adaptáveis às especificidades locais, o que enfatiza a importância do uso da tecnologia no campo. Esse é o principal objetivo do trabalho: “o produtor apenas em optar por cultivar “X” ou “y” pode ganhar, ou estar deixando de ganhar em torno de R$ 1.400,00/ha”, enfatiza a pesquisadora.

Os resultados de todos os Ensaios de Cultivares em Rede estão disponíveis para consulta gratuita no site www.fundacaoprosementes.com.br. Além disso, a Farsul distribui aos Sindicatos Rurais a publicação impressa dos resultados a cada safra.

Para conferir o ensaio de Cultivares em Rede de Trigo Safra 2016/2016 aproxime o leitor de QR CODE do seu celular da imagem ao lado:

Link: http://www.fundacaoprosementes.com.br/arq/201703031149581239706465.pdf

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