Desempenho agrícola impulsiona emprego

Desempenho agrícola impulsiona emprego

DESEMPENHO AGRICULTURANos três primeiros trimestres de 2015, o Produto Interno Bruto do setor agropecuário cresceu 2,1%. Tivemos uma supersafra e exportação recorde. Tudo isso se reverteu em emprego. Nas palavras do ministro interino da Agricultura, André Nassar, estes foram os motivos que levaram o setor a liderar o saldo de vagas registrado em 2015. E não foi apenas o topo do ranking. O levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na última semana, indica que o segmento agropecuário foi o único com saldo positivo no ano passado, gerou 9.821 empregos contra a retração que supera 608 mil postos na indústria de transformação – dona da ponta negativa.

A pasta agrícola atribuiu o resultado ao bom desempenho econômico do setor, que puxou a geração de renda e emprego no campo. Fatores como o aumento na participação das exportações do agronegócio na composição da balança comercial também foram fundamentais. Em 2015 os embarques destas commodities responderam por 46,2% de tudo o que foi vendido ao exterior, apesar de uma desaceleração no superávit do agro quando comparado aos números do ano anterior.

Esse setor não sofreu interferência da crise econômica. Salvos os problemas com a crise hídrica em algumas regiões, não houve algo grande que levasse a demitir, diz o assessor de assalariados rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Carlos Eduardo Silva.

Transições

O representante do setor conta que o boom das demissões ocasionado pela expansão da colheita mecanizada aconteceu em meados dos anos de 2008 e 2009. Na época, mais de 130 mil postos de trabalho foram perdidos. Agora, dispensas por este motivo ficaram lá atrás. A cana-de-açúcar foi a grande cultura responsável por esse movimento. Já as commodities em grão, como soja, milho e algodão, historicamente, nunca foram grandes empregadores. Enquanto a fruticultura emprega seis pessoas por hectare, na soja este número não chega a um, enfatiza.

Nos anos mais recentes tem ocorrido uma substituição de mão de obra rural. Seja por mudança nas épocas dos trabalhos de colheita, como na cana, ou pelo processo de migração de trabalhadores de outros setores para a agricultura.

Em geral, Silva comenta que não há propriamente uma qualificação dos lavradores porque parte deles sofre com o analfabetismo. Na contrapartida, profissionais da indústria ou da construção civil, já familiarizados com maquinário, optam pelas novas vagas no campo. Tentamos negociar com o governo qualificação mas é muito lento, destaca.

Quando houve o ápice da construção civil, este processo era invertido. Sendo assim, é verificado o sistema inverso atualmente. Para 2016, as expectativas são de normalidade no processo de geração de postos de trabalho.

Problema salarial

Um dos principais problemas do trabalhador rural é também um dos mais antigos. Vemos muito atraso de salários, a maioria no Nordeste. Existem trabalhadores que não tiram férias há seis anos, ressalta o especialista da área. Após discussões ainda no governo Lula, este debate acabou.

Nayara Figueiredo >> Link original da notícia

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