Embrapa lançou nesta terça (25) primeira soja geneticamente modificada totalmente brasileira

Embrapa lançou nesta terça (25) primeira soja geneticamente modificada totalmente brasileira

Primeira soja transgênica totalmente brasileira chega ao mercadoA ministra Kátia Abreu (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) participou nesta terça-feira (25), na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do lançamento do Sistema de Produção Cultivance®. A nova tecnologia é considerada um marco para a ciência brasileira porque contém a primeira soja geneticamente modificada totalmente desenvolvida no Brasil, desde as pesquisas em laboratório até a comercialização.

“O Sistema Cultivance® é, antes de tudo, motivo de muito orgulho para todos nós. Representa uma alternativa especial para o produtor brasileiro porque auxilia no manejo de resistência das plantas daninhas na lavoura de soja”, discursou Kátia Abreu, durante solenidade na sede da Embrapa.

Para a ministra, a rotação de culturas é uma ferramenta importante para auxiliar os agricultores a obter maior rentabilidade de forma sustentável. “Este produto não vem para tomar o lugar do outro, mas para fazer uma rotação. É uma forma de dizer que estamos ‘tapeando’ as plantas daninhas. Além disso, nada melhor que concorrência. Com dois produtos, a tendência é que o preço da semente caia”, completou.

O Cultivance® foi desenvolvido ao longo de 20 anos por meio de uma cooperação técnica entre a Embrapa e a empresa Basf. O sistema combina a utilização de cultivares de soja geneticamente modificada com o uso de um herbicida com amplo espectro de ação para o manejo de plantas daninhas de folhas largas e estreitas. O resultado é uma opção inovadora disponível aos produtores brasileiros, que passam a contar com um sistema de rotação de tecnologias para o manejo das pragas da soja.

A ministra destacou ainda que a nova tecnologia também trará benefícios para o consumidor final, já que o produto poderá chegar mais barato às prateleiras. “Temos que estimular a pesquisa aplicada, aquela que irá para o campo e trará resultado para o Brasil. Se os produtores conseguirem produzir com mais qualidade e custo mais baixo, os alimentos chegarão ao mercado com preço menor.”

Aliança para inovação

A ministra ressaltou, durante seu discurso, que um dos principais eixos de atuação do Mapa é a formação da Aliança Nacional para Inovação Agropecuária. O projeto, que terá a Embrapa como foco, impulsionará a pesquisa e a inovação no campo por meio de novas fontes de financiamento.

Kátia Abreu afirmou que é necessário dobrar o atual orçamento da Embrapa, que gira em torno de R$ 3 bilhões, e posteriormente triplicar esse valor. Somente com a tecnologia desenvolvida pela empresa de fixação biológica do nitrogênio, exemplificou a ministra, o Brasil economiza anualmente R$ 12 bilhões. “Se a Embrapa fosse hoje cobrar legitimamente como uma empresa privada, esse orçamento deveria ser muitíssimo maior”, comparou.

“A Aliança para Inovação será um legado, um passo a mais do que a Embrapa deu até aqui”, observou Kátia Abreu, acrescentando que é necessário agregar todas as instituições de pesquisa voltadas para a agricultura que, segundo a ministra, podem estar “dispersas”. “Sob o comando da Embrapa, teremos uma grande aliança, uma grande rede de pesquisa.”

Na avaliação da ministra, a Embrapa deve continuar firmando parcerias produtivas e inovadoras com a iniciativa privada, nas quais poder público, consumidor e empresários saiam ganhando – a exemplo do projeto Cultivance® desenvolvido juntamente com a Basf. Esse será um dos focos da Aliança para Inovação, que pretende captar recursos do mercado para impulsionar a pesquisa na área agropecuária.

“Não queremos ficar distantes da iniciativa privada. Não temos o preconceito de que pesquisa tem que ficar longe de comércio. Produzimos pesquisa para ser comercializada, democratizada e usada pelas pessoas, sempre com o objetivo de beneficiar a sociedade, porque é dinheiro público que está por trás também”, disse Kátia Abreu.

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