Entomopatógenos: ferramentas para acrescentar no manejo de insetos-praga

Entomopatógenos: ferramentas para acrescentar no manejo de insetos-praga

Entomopatógenos são doenças dos insetos causadas por vírus, bactérias, fungos, protozoários e nematoides. Embora pouco representativo o uso em área cultivada, é de grande valia para o estabelecimento de um manejo integrado de insetos-praga eficiente.

Neste, a sua utilização é caracterizada como fundamental para auxiliar no manejo de organismos de difícil controle, como percevejos, besouros e lagartas. Uma das principais causas avaliadas pelo não uso desses recursos envolvem o tempo de resposta do manejo adotado. Ao executar um manejo com químicos, principalmente aqueles que possuem ação de contato, a resposta é imediata, ou seja, aplicou (e o ativo chegou ao alvo) matou, já, quando se utiliza de ferramentas associadas à entomopatógenos o tempo de resposta é maior, variando de um há até seis dias.

Embora estudos comprovem a sua eficiência superior a 90% (de cada 100 indivíduos 90 morrem após a aplicação do tratamento), pelo seu tempo de resposta, o posicionamento dele deve ser visto de maneira diferente do utilizado para manejo com produtos químicos. Neste contexto, duas estratégias para se obter eficiência estão: em conhecer o alvo, tratar a lagarta como lagarta e o percevejo como percevejo; efetuar manejo em densidades populacionais baixas, menores daquelas utilizadas para se tomar a decisão de efetuar o manejo químico.

Ressalta-se que entomopatógenos utilizam o inseto para se reproduzir e/ou multiplicar, diante disso, os mesmos permanecem no sistema, atuando na manutenção da população abaixo do nível de dano econômico. Fungos entomopatogênicos não necessitam serem ingeridos para causar doença em insetos, seus conídios aderem e penetram na cutícula, hidrolisando seus principais polímeros através de proteases e quitinases. Ao estarem dentro do corpo dos insetos, rapidamente multiplicam-se, causando a morte dos mesmos por toxinas e destruição dos tecidos. Quando atacados, cessam sua alimentação e morrem. Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana são as espécies mais utilizadas.

O vírus com maior representatividade no controle de insetos é o baculovírus, o qual necessita ser ingerido para causar efeito. Os poliedros no intestino médio são dissolvidos pelo pH alcalino, os nucleocapsídeos penetram nas células epiteliais e transportados ao núcleo começam a se replicar. Com a infecção das células as mesmas rompem e ocorre a morte do inseto. No Brasil o programa de controle biológico utilizando o Nucleopoliedrovírus Anticarcia gemmatalis (AgMNPV) em soja é considerado referência.

As bactérias apresentam potencial de ação em diferentes grupos de insetos, Bacillus thuringiensis, por exemplo, tem o potencial de eliminar lagartas, larvas de moscas, mosquitos e besouros. Ele apresenta a habilidade de formar cristais proteicos durante a fase estacionária, cuja degradação dos mesmos libera as deltaendotoxinas que se associam a receptores específicos de ligação nas microvilosidades apicais das células do intestino dos insetos, causando lise osmótica por meio da formação de poros na membrana.

Mauricio Paulo Batistella Pasini

Engenheiro Agrônomo, Professor, Doutor

Coordenador do Laboratório de Entomologia e da Área Experimental da Universidade de Cruz Alta

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