Seja bem-vindo ao especial Trigo!

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Para demonstrar a importância indiscutível do cultivo do trigo dentro de um sistema integrado na propriedade rural, hoje trazemos o Especial Trigo para você. Boa leitura!

Nitrogênio para o trigo: eficiência acima de tudo

A agricultura é uma atividade altamente suscetível ao clima, e o trigo no inicio de agosto sofreu com essa instabilidade, com baixos volumes de chuvas, além de geadas recentes. Grande parte das lavouras estão em fase de desenvolvimento vegetativo e algumas já chegaram ao início da floração, momentos onde podem ser mais afetadas por dificuldades hídricas. Com cenários pouco favoráveis, como garantir uma boa nutrição das plantas para um produto final melhor?

Nesse sentido, o agricultor deve optar sempre por fertilizantes nitrogenados de alta tecnologia e eficiência agronômica com o objetivo de maximizar a produtividade. Sabemos que o nitrogênio (N) é o nutriente absorvido e exportado pelos grãos de trigo em maior quantidade, 1,7 e 1,4 kg, respectivamente, para cada saco produzido e que suas funções estão diretamente ligadas à qualidade e à produtividade da cultura.

O principal fertilizante nitrogenado consumido é a ureia, uma fonte que tem a função de levar nitrogênio às plantas, mas é altamente vulnerável às perdas de N na forma de gás amônia, durante sua reação no solo, dependendo das condições do ambiente.

No inverno, tal efeito até poderia ser reduzido, devido às situações de alta umidade do solo e de baixas temperaturas, contudo, como observamos, temos passado por períodos com menos chuvas. Pesquisas indicam perdas de 20% de N, aproximadamente, quando aplicado no inverno, em situações de orvalho abundante e estiagem após aplicação. Uma tática que muitos agricultores adotam é a aplicação após as chuvas, mas, ainda assim as perdas ocorrem.

Uma excelente estratégia de manejo da adubação nitrogenada do trigo é o uso de fertilizantes à base de nitrato de amônio. Eles apresentam perdas insignificantes de N por volatilização, independentemente das condições ambientais. Então, esses fertilizantes podem ser aplicados antes da chuva, sem risco de perdas, independente do tempo decorrido entre a aplicação e a chuva.

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Quando chove, o nitrogênio infiltra no solo e é aproveitado pelas plantas. Eles entregam outros benefícios importantes que, conjugados, podem potencializar consideravelmente a Eficiência de Uso do Nitrogênio (EUN). Por ser uma fonte balanceada (N-nítrico e N-amoniacal), o equilíbrio das formas nitrogenadas promove maior enraizamento, menor acidificação da rizosfera, menos imobilização de nitrogênio pela microbiota, absorção sinérgica de outros cátions e ânions, o que leva a uma nutrição mais equilibrada e potencializada.

Os resultados em lavouras demonstrativas apontam incremento de 6,3 sc/ha (10,9%) com essa tecnologia posicionada na adubação de base e de cobertura, em comparação com fertilizantes convencionais. O correto manejo da fertilização nitrogenada no trigo pode proporcionar consideráveis incrementos em produtividade, portanto, quem planeja uma lavoura deve seguir as recomendações da cultura respeitando o conceito do Manejo 4C: dose, fonte, momento e local corretos. Por: Diego Guterres é Engenheiro Agrônomo e Especialista líder nas culturas de Trigo e Soja da Yara Brasil

Dados de pesquisa contribuem para lucratividade do produtor de trigo

A escolha da cultivar a ser semeada é uma das decisões mais importantes a serem tomadas pelo agricultor, podendo definir o sucesso ou o fracasso de uma lavoura. Ciente disso, a Fundação Pró-Sementes em parceria com o Sistema Farsul realiza, desde 2008, Ensaios de Cultivares em Rede (ECR) de trigo.

A cada safra testa-se um grupo de 30 a 35 cultivares, as quais são elencadas levando-se em consideração a indicação junto ao zoneamento agrícola, representatividade comercial e campos homologados junto ao Ministério da Agricultura.

Os ensaios são conduzidos em duas épocas de semeadura abrangendo os municípios de Passo Fundo, Vacaria, Cruz Alta, Santo Augusto, São Luiz Gonzaga, Cachoeira do Sul e São Gabriel, que são escolhidos levando-se em consideração características como: índices pluviométricos, altitude, temperatura, solo e regionalização – buscando obter uma boa cobertura com resultados.

Os experimentos são implantados e conduzidos de maneira uniforme em todos os locais selecionados, oferecendo ao produtor rural e à assistência técnica informações idôneas das cultivares, sendo apresentados dados como ciclo em dias, rendimento em kg/ha e em sacos/ha, além de pH e percentual de rendimento de cada cultivar sobre a média da região.

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Segundo a pesquisadora responsável pela unidade de Pesquisa da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl, o Estado é marcado pelo excesso de chuvas na primavera (setembro), período que coincide com o florescimento do trigo. O fato proporciona o aparecimento de doenças de espiga (giberela) a qual afeta diretamente a qualidade da farinha produzida.

“Na safra 2016 houve a ocorrência de chuvas intensas, porém a ocorrência foi maior no mês de outubro, período que coincidiu mais com o florescimento das lavouras implantadas na primeira quinzena de julho na região de Vacaria. Já em 2016 tivemos um período de estiagem na região das missões onde inclusive alguns produtores fizeram o uso de irrigação a fim de garantir boa emergência de plantas e em alguns pontos isolados a ocorrência de granizo”.

Os dados coletados e analisados somados a mensuração deles é o que norteia o trabalho que tem como principal objetivo poder orientar o produtor sobre o desempenho das cultivares na sua região, a fim de que obtenha maior liquidez na sua produção.

A pesquisadora ainda ressalta que: “o ideal, por exemplo, seria o produtor identificar o grupo das cinco cultivares mais produtivas na sua região, e ainda observar a demanda do mercado pelos tipos de farinha e nível tecnológico exigido para que cada cultivar desempenhe seu melhor resultado”.

Com base nos rendimentos alcançados na última safra de inverno, tendo como exemplo a cultivar mais produtiva e a cultivar menos produtiva no grupo de cultivares de ciclo precoce em Cachoeira do Sul na primeira época de semeadura, encontra-se uma diferença de 47 sacos, o que representa um ganho de R$ 1.337,00 por hectare.

Um trabalho que serve para orientar os produtores quanto à evolução no desenvolvimento das sementes e existência de cultivares adaptáveis às especificidades locais, o que enfatiza a importância do uso da tecnologia no campo. Esse é o principal objetivo do trabalho: “o produtor apenas em optar por cultivar “X” ou “y” pode ganhar, ou estar deixando de ganhar em torno de R$ 1.400,00/ha”, enfatiza a pesquisadora. Os resultados de todos os Ensaios de Cultivares em Rede estão disponíveis para consulta gratuita no site www.fundacaoprosementes.com.br. Além disso, a Farsul distribui aos Sindicatos Rurais a publicação impressa dos resultados a cada safra.

escape da giberela embrapa

Escape da giberela

A orientação da Embrapa Trigo mostra que finalizar a semeadura da lavoura sem pressa, no tempo certo e com dedicação deixa a giberela bem longe do seu trigo.

Sabemos que ela é a principal doença de espiga nos cereais de inverno, e por isso a Pesquisadora Maria Imaculada Pontes Moreira Lima recomenda o escalonamento da semeadura dos cereais de inverno e o investimento em cultivares de ciclos diferentes, justo para evitar que o espigamento, de toda a lavoura, ocorra na mesma época, potencializando os danos.

Essa doença, causada pelo fungo Gibberella zeae (Fusarium graminearum), é o principal problema que afeta as espigas de lavouras de trigo, cevada e triticale no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e região centro-sul do Paraná. Nestas regiões o ambiente exerce influência direta sobre a doença. Com períodos frequentes de alta umidade do ar, precipitação pluvial em dias consecutivos e temperatura entre 24 e 30ºC, o clima potencializa a ocorrência de epidemia.

O fungo causador da giberela ataca as espigas, comprometendo o rendimento e a qualidade dos grãos. O período de suscetibilidade das espigas é longo, a partir do espigamento até a fase final de enchimento de grãos.

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Quando a espiga é afetada nos primeiros estágios, o grão não é formado e a maioria dos que se formam são perdidos no processo de colheita por serem mais leves. Além do rendimento, o grão com giberela pode estar contaminado com micotoxinas, que comprometem a saúde humana e causam complicações digestivas nos animais.

Atualmente, não existem cultivares de trigo indicadas para plantio com bom nível de resistência à giberela. A rotação de culturas também não tem se mostrado eficiente para o controle dessa doença.

No entanto, a redução dos danos causados reside na adoção de cultivares menos suscetíveis, associada ao escalonamento de semeadura, diversificação de cultivares com ciclos distintos ao espigamento e uso de fungicidas que devem ser aplicados antes que ocorram condições climáticas favoráveis à infecção das espigas pelo patógeno. Por: Joseani M. Antunes – Embrapa Trigo.


Quando é chegada a hora de controlar percevejos no trigo?

Quando é chegada a hora de controlar percevejos no trigo?

Com a aproximação do mês de setembro e aumento gradual das temperaturas, os insetos pragas começam a ficar mais ativos na lavoura de trigo, em especial os percevejos.

As espécies de percevejos que podem ser encontradas no trigo causando danos neste momento são o percevejo-barriga-verde e o percevejo-verde, entretanto este último ocorre em menor número. Esses percevejos quando atacam o trigo na fase de grão leitoso podem diminuir o peso dos grãos em até 30% e ainda causar danos na qualidade da semente, que vai refletir na germinação e no vigor.

Os danos decorrem da introdução do estilete do percevejo, e injeção de saliva para solubilizar os conteúdos da planta com posterior sucção. A saliva dos percevejos contem toxinas que aumentam ainda mais os problemas causados.

A forma de fazer uso consciente e sem desperdícios de inseticidas é realizando o monitoramento para tomar a decisão do momento certo de controlar a praga. O monitoramento do percevejo em trigo é basicamente visual, no qual o produtor deve fazer caminhadas na lavoura na primeira hora da manhã, quando os percevejos sobem para as partes superiores em busca dos raios do sol para secar o corpo, e contabilizar numa média, quantos percevejos por metro quadrado encontra.

Com base em estudos realizados pela CCGL TEC e comparados com outros trabalhos publicados, sugere-se 2 percevejos por metro quadrado a partir da fase de emborrachamento como sendo o momento para realizar o controle.

Poucos são os inseticidas que podem ser utilizados para o controle de percevejos. E o número de inseticidas registrados para o controle de percevejos no trigo é ainda menor. Eles pertencem a apenas dois grupos químicos, neonicotinóides e piretróides, o que enfatiza ainda mais o monitoramento, diante da necessidade de preservação dos princípios ativos existentes, visto que os mesmos são utilizados também no manejo em soja e em milho. Por: Janine Palma (Eng. Agr. Dr. Pesquisadora do Setor de Entomologia da CCGL TEC, Cruz Alta/RS)

 

Sucesso na lavoura do trigo depende da prevenção

Sucesso na lavoura do trigo depende da prevenção

Aplicar fungicida ainda no perfilhamento previne o ataque de doenças. Após alguns períodos de chuva, o plantio da safra 2017/18 das culturas de inverno foi retomada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-oeste e o Brasil espera colher cerca de 5,47 milhões de toneladas de trigo, 90% entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Para isso, o produtor deve se ater ao manejo preventivo de doenças como da ferrugem da folha, do oídio e da giberela. Sendo que a primeira pode acarretar prejuízos acima de 50% na produtividade de grãos.

A incidência de doenças tem sido fator limitante para a manutenção do potencial produtivo nas lavouras de trigo, se tornando um dos maiores desafios dos produtores. Neste contexto, a melhor forma de combater os fungos é por meio do manejo correto e preventivo com fungicidas.

De acordo com Ademir Santini, engenheiro agrônomo e gerente de marketing operacional da Bayer, o agricultor deve fazer a primeira aplicação de fungicida na fase inicial do cultivo, ainda no perfilhamento, e depois refazer a aplicação caso haja necessidade.

“O produtor deve continuar o monitoramento de forma constante na lavoura e, após quinze dias da primeira aplicação e em condições climáticas propícias ao aparecimento da doença (15 a 20 graus com elevada umidade do ar), se necessário, deve repetir a aplicação”, alerta Santini lembrando que para qualquer controle fitossanitário na cultura do trigo devemos seguir as recomendações técnicas da Comissão Sul-Brasileira de pesquisa do trigo.

Para que o produtor tenha conhecimento da importância da aplicação apropriada, a Bayer conta com o programa De Primeira Sem Dúvida, que incentiva o manejo fitossanitário correto. Assim, o agricultor obtém melhor conhecimento do trato cultural e se previne de pragas nas lavouras.

Nos três anos em que a iniciativa tem ocorrido, a eficácia da instrução para o triticultor tem mostrado resultados expressivos, pois nas extensões de terra em que o De Primeira Sem Dúvida tem sido colocado em prática, foi possível observar aumento de 6,46 sacas de trigo por hectare.

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