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Fertilizantes: autossuficiência reduz os preços ao produtor ou não?

Fertilizantes: autossuficiência reduz os preços ao produtor ou não?

Fertilizantes: autossuficiência reduz os preços ao produtor ou não?O Brasil é o único país, grande produtor agrícola, altamente dependente de fertilizantes, importando entre 74% e 76% da demanda total, ao custo médio anual de US$ 10 bilhões. O Brasil importa 91% das necessidades de potássio e 51% de fósforo, se tornando o segundo maior importador mundial destes produtos. O Brasil, ainda, é o 5º maior consumidor de fertilizantes do mundo, mas sua produção não acompanha essa demanda, possuindo uma participação de apenas 2% da produção mundial.

Em relação aos investimentos do setor, a projeção é de US$ 13 bilhões até 2018 em projetos para atender a demanda interna por fertilizantes. Entretanto, o país deverá continuar dependente dos fertilizantes internacionais, uma vez que o aumento na produção estar atrelado a novas plantas que demandam muito investimento. O consumo de fertilizantes no Brasil cresce a cada ano por causa da expansão da área cultivada e a soja é a commodity que concentra a maior parte da demanda. Nos últimos três anos, a participação dela passou de 34% para 38%. Essa concentração fica ainda mais evidente quando se leva em consideração que a soja não utiliza nitrogenados, respondendo, assim, por mais de 50% do consumo de fosfatados e cloreto de potássio.

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Depois dela, as commodities que mais demandam fertilizantes no Brasil são: milho (17%), cana-de-açúcar (15%), café (6%), algodão (4%), entre outros (20%). 63% das indústrias de fertilizantes encontram-se entre São Paulo, Minas Gerais e Paraná. Não há como competir com os produtos importados, que têm 0% de imposto de importação e 0% de ICMS. Para se ter uma ideia do descompasso que marca o segmento, nos últimos 10 anos, a produção nacional cresceu apenas 4%, enquanto as importações aumentaram 47,2%.

Nos últimos 10 anos, a produção nacional cresceu apenas 4%, enquanto as importações aumentaram 47,2%. 

Entre 1990 e 2015, segundo dados da Associação Internacional da Indústria de Fertilizantes (IFA), a taxa média de avanço das importações brasileiras foi de 8,9% ao ano, ante um avanço médio global de 2,1%. A tendência é que o consumo de fertilizantes no Brasil cresça mais rápido do que no resto do mundo nos próximos dez anos. Mas é pouco provável que os preços ao produtor rural recuem com uma maior produção no país, uma vez que esse mercado é referenciado por oscilações no exterior (são commodities). Entretanto, um aumento da produção local conferiria maior garantia de fornecimento e reduziria gastos com demurrage nos portos.

Carlos Cogo – Consultor em Agronegócios – Sócio-Diretor de Consultoria – www.carloscogo.com.br

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