Fertilizantes foliares e a fisiologia das plantas

Fertilizantes foliares e a fisiologia das plantas

Eles são utilizados em diversas culturas e complementam a adubação feita no solo, trazendo nutrientes minerais ou orgânicos que auxiliam no processo de nutrição da planta.

Suas fórmulas podem conter a mistura de alguns elementos como os aminoácidos, as proteínas hidrolisadas, os extratos de alga, entre outros. É uma ferramenta importante para a gestão sustentável e produtiva das culturas. No entanto, a compreensão atual dos fatores que influenciam a sua eficácia final permanece incompleta.

Dentre as justificativas de uso destacam-se:

  • Condições de solo que limitam a disponibilidade de nutrientes a ele aplicado;
  • Situações em que podem ocorrer altas perdas de nutrientes aplicados ao solo;
  • Quando, na fase de crescimento, a demanda interna da planta e as condições do ambiente interagem para limitar o suprimento de nutrientes a órgãos essenciais da planta.

Em cada uma destas condições, a decisão de aplicação é determinada pela magnitude do risco financeiro associada à incapacidade de corrigir a deficiência de um nutriente e a sua provável eficácia.

De uma maneira geral, a eficiência da nutrição foliar deve respeitar as demandas fisiológicas das plantas, ou seja, fazer uso de um produto que possua efeito rápido (como os que possuem base de cloreto, nitrato e sulfato), mas ao mesmo tempo prolongado por meio de fontes quelatizadas ou fontes mais complexas.

Outra forma é adotada quando são aplicados micronutrientes de fontes que proporcionam maior mobilidade, visto que os principais micronutrientes não possuem grande mobilidade, como Zn, Cu, Fe, Mn, Ni e Mo, ou são imóveis (B). Por sua vez, as fontes quelatizadas ou complexas, apenas auxiliam, aumentando a redistribuição desses micronutrientes depois de aplicados.

As formulações de suspensão concentrada têm sido amplamente estudadas pela pesquisa e difundidas ao setor agrícola. São produtos de elevada concentração de nutriente, o que diminui a quantidade aplicada do produto em litros por hectare se comparada a outras fontes utilizadas.

Ainda existem algumas questões sendo analisadas, como a aplicação dos macronutrientes em forma de fertilização foliar, visto que eles podem não ser o suficiente para causar incrementos de produtividade.

Pesquisas, ainda apontam que a quantidade de nitrogênio (N) e potássio (K) acumulada pelas plantas é superior às doses comumente aplicadas, além disso, a dose utilizada de forma efetiva pela planta é relativamente menor, já que a quantidade aplicada não é totalmente absorvida pelas folhas.

As avaliações sobre essas respostas fisiológicas e sequenciamento dos genes têm sido utilizadas para esclarecer como esses fertilizantes incrementam a produtividade e como as respostas dadas na aplicação às culturas podem ser potencializadas.

Além disso, as pesquisas identificaram que os genes que não são responsivos em baixas concentrações de nutrientes – como o nitrogênio e o fósforo (P) -, quando ativados, sinalizam respostas que vão desde o incremento em atividades de enzimas relacionadas à absorção e assimilação de nutrientes a partir do solo, resistência das plantas aos estresses bióticos e abióticos, até o estímulo na manutenção de citocinina em formas ativas, como o nitrogênio.

Os resultados após a aplicação não eram necessariamente dependentes da função do elemento como componente de algum composto na planta, mas de sinalizações desencadeadas pelas baixas doses do elemento.

Em resumo, o uso da adubação foliar está intrinsecamente ligado à demanda fisiológica da planta em relação aos nutrientes necessários para que possa se desenvolver de maneira correta e saudável.

Marcos Silva – Gerente Técnico BIOSOJA

Referências Bibliográficas:

Anuário Abissolo 2017; trecho extraído do autor, Prof. Dr. Luis Henrique Soares, Engenheiro Agrônomo e Doutor em Produção Vegetal, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Fisiologia e Estresse de Plantas (NUFEP) e professor adjunto do Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM).

Fernández, Victoria. Adubação foliar: fundamentos científicos e técnicas de campo / Victoria Fernández, Thomas Sotiropoulos e Patrick Brown. — São Paulo : Abisolo, 2015. – 150 p. : il.

 

 

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