Governança em empresas rurais familiares – Pais x filhos

Governança em empresas rurais familiares – Pais x filhos

Governança em empresas rurais familiares Pais x filhosO consultor em sucessão familiar para empresas rurais familiares da Safras e Cifras, em entrevista exclusiva para a Agrocampo, esclarece mitos e verdades sobre essa importante etapa que busca preparar seus sucessores e líderes a fim de gerar uma continuidade lucrativa às empresas.

É possível manter Empresas Familiares por muitas gerações, com sucesso?

Sim, é possível, embora não seja fácil, pois todos os sucessores nascem na sombra de uma pessoa forte, e se não fosse assim, dificilmente haveria algo para suceder. Um dos procedimento mais difíceis, talvez seja a tomada de decisão. Antes ela era exclusiva dos pais, posteriormente com a participação dos filhos no negócio, a gestão passa a ter que ser compartilhada, o que pode levar a atritos se não for bem conduzida.

O que é necessário para a gestão de uma Empresa Familiar ser harmoniosa quanto a família e ser eficiente no que tange ao crescimento dos negócios?

Seja na harmoniosa convivência da família como no crescimento e na sustentabilidade do negócio, usamos alguns delimitadores para otimizar as relações, FAMÍLIA X NEGÓCIO X PATRIMÔNIO, tais como:

Regras que separam bem: FAMÍLIA X NEGÓCIO

– Estruturação de um formato que separa: TERRA X NEGÓCIO

– Formatação de uma estrutura administrativa do negócio com regras, funções e responsabilidades

– Plano de remuneração para os administradores e para os donos da terra (sócios)

– Plano de diversificação e crescimento do negócio

No caso da estruturação do processo sucessório conduzimos da seguinte forma:

– Não faça tarde ou tampouco em momentos de crise

– Tenha clareza das diferenças existentes entre os fundadores e seus filhos, bem como entre estes últimos

– Prepare a família para enfrentar e superar paradigmas, barreiras, forças contrárias, espertezas e manipulações

– Não crie preferência entre sócios na condução do processo, evitando a condução unilateral

– Acerte o passado para depois construir as regras para o futuro

– O sucesso deve estar preparado para atender as necessidades da empresa, e não o contrário

– Sempre proteja os filhos

  • – Busque ao máximo evitar a ruptura da família

Um processo de sucessão precisa ser muito bem estruturado, para não criar conflitos familiares e não prejudicar o crescimento do negócio. O pior momento de se tratar isso é após a morte dos pais, portanto, o mesmo tem que ser feito em vida, com a presença dos pais e nunca esquecendo de protegê-los até o final de suas vidas.

Qual a idade mais indicada para começar o processo de sucessão?

A Safras & Cifras tem estruturado processos de sucessão para pais ainda jovens com idade entre 50 e 60 anos, pois os mesmos estão em plena atividade e auxiliam muito nas decisões que terão que ser tomadas, buscando o crescimento da empresa e as boas relações da família. Costumamos dizer que normalmente processos de sucessão mal feitos levam aos seguintes paradigmas:

BRASIL: Pai rico, filho nobre, neto pobre

MÉXICO: Pai comerciante, filho playboy, neto mendigo

ALEMANHÃ: A primeira geração cria, a segunda herda, e a terceira destrói

CHINA: A primeira geração pisa no barro e planta o arroz, a segunda colhe e come o arroz e a terceira vai voltar a pisar no barro.

Quais os principais resultados positivos das ações desenvolvidas com a governança familiar e a estruturação do processo de sucessão em vida?

Permitir uma relação harmoniosa da família;
Proporcionar a continuidade do negócio familiar por mais de uma geração;
Permitir o crescimento econômico e financeiro da empresa;
Estabelecer uma relação comercial entre pais, filhos e netos;
Possibilitar que as novas gerações conheçam o negócio da família mais cedo e com isto possam tomar decisões com relação as suas carreiras profissionais;
Estabelecer formas de participação ou não dos cônjuges no negócio familiar;
Tranquilizar os pais em relação ao processo de sucessão;
Preparar a sucessão do patrimônio em vida, com custo e atritos muito menores;
Trazer à propriedade controles e rotinas administrativas, gerando eficiência na gestão;
Vencer o desafio de transformar a família numa família empresária.

Cilotér Borges Iribarrem
Consultor em Sucessão Familiar em Empresas Rurais Familiares

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