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Insetos-praga: esperar ou combater

Insetos-praga: esperar ou combater

O manejo integrado de insetos-praga (MIP) em sua pluralidade tem sido deixado de lado, onde que os pressupostos do método são simplesmente esquecidos, ou, o MIP é velho e não acompanhou a evolução das técnicas e tecnologias disponíveis.

Não sabemos qual premissa é correta, contudo, sabemos que devido ao elevado potencial biótico, variabilidade genética, ciclo reduzido e alta capacidade de adaptação, hoje, um pequeno número de espécies de insetos-praga é responsável por elevadas perdas em produtividade e qualidade de grãos e sementes.

O grande desafio no manejo de insetos-praga é deixar a população abaixo do nível de dano econômico, principalmente em um cenário onde as populações estão emergindo mais cedo de seus hibernáculos. E, com a implantação das culturas de verão milho e soja, estes encontram-se, em sua maioria, já em segunda geração e com elevada densidade populacional.

Para entender a lógica do esperar ou combater, algumas afirmações são importantes para a compreensão:

I – A amostragem de insetos é pressuposto para se estabelecer manejo;

II – Nosso método de amostragem, em sua maioria apresenta erros, para cada inseto que vemos na lavoura, tem outro cuidando o avaliador;

III – Para cada inseto encontrado, estima-se 200 novos indivíduos (quando for percevejo) e 600 (quando for lagarta), para cada geração, ou seja, esse inseto que você visualizou daqui a 25 dias poderá gerar 200 ou 600 novos indivíduos dependendo da espécie;

IV – Em média, o ciclo de um inseto-praga é de 25 dias, a cada 25 dias uma nova geração, depende da espécie;

V – Considerando a eficiência para registro de inseticidas, a cada 10 percevejos ou lagartas em primeira geração quando controlados, ficam dois, de cada 2000 percevejos e 6000 lagartas (quando não controlados na primeira geração), em segunda geração, ficam 400 e 1200 respectivamente;

VI – Um percevejo ou lagarta por metro quadrado pode representar até 60 kg a menos por ha.

Neste contexto, três situações são apresentadas:

I – Spodoptera cosmioides e Chrysodexis includens realizam sua primeira geração em plantas hospedeiras alternativas, chegando em segunda geração na cultura da soja no início do desenvolvimento, entre V1 e V3;

II – Dichelops furcatus chega em segunda geração no início do desenvolvimento do milho e enchimento de grão do trigo, desenvolvendo-se inicialmente em plantas hospedeiras alternativas e cultivadas.

Na sucessão de cultivos, esperar ou combater uma população de insetos é uma tomada de decisão de grande importância, principalmente, no período de setembro a outubro, onde as populações de insetos apresentam densidades populacionais menores.

Professor Eng. Agrônomo Mauricio Pasini

Figura 1. Spodoptera cosmioides em soja

Figura 2. Chrysodexis includens em nabo

Figura 3. Dichelops furcatus em trigo

 

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