Soja: dólar e demanda firme sustentarão preços

Soja: dólar e demanda firme sustentarão preços

CARLOS COGO Segundo dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), no Agricultural Outlook Forum, realizado em fevereiro nos Estados Unidos, os produtores norte-americanos devem reduzir em 0,2% a área plantada de soja em 2015/2016, indo para 33,79 milhões de hectares. No caso do milho, o plantio deve apresentar redução de 1,8% no próximo ciclo, chegando a 36,01 milhões de hectares, contra os 36,66 milhões observados em 2014/2015.

E conforme o Relatório de Oferta e Demanda Mundial de Fevereiro/2015 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção doméstica de soja na temporada 2014/2015 foi mantida em um recorde de 108,0 milhões de toneladas, 18,2% superior à colheita de 2013/2014. O USDA elevou as estimativas de processamento interno, consumo total e exportações ao passo que reduziu a projeção de estoques finais nos Estados Unidos em 2014/2015. Para a América do Sul, a projeção da nossa consultoria para a produção de soja na safra 2014/2015 é de 163,2 milhões de toneladas, sendo 92,9 no Brasil, 56 na Argentina, 8 no Paraguai, 3, no Uruguai e 2,7 milhões na Bolívia.

Do lado da demanda, as importações da China devem crescer 7,2% na safra 2014/2015, para um recorde de 74 milhões de toneladas, contra 69 milhões em 2013/2014. A projeção de consumo de soja na China foi elevada para 86,2 milhões de toneladas, contra 85,9 previstas em janeiro, 7,3% acima das 80,3 milhões de toneladas consumidas em 2013/2014, muito provavelmente em função da demanda aquecida no mercado de carnes e de lácteos. Com produção estimada em 12,3 milhões de toneladas em 2014/2015 e consumo de 86,2, o déficit de soja da China será recorde, de 73,9 milhões de toneladas. A projeção do USDA de um crescimento de 7,3% na demanda e de 7,2% nas importações de soja da China em 2014/2015 é conservadora diante das estimativas de consumo e produção de carnes do país para 2015. As importações de soja da China cresceram 12,7% no ano de 2014, alcançando 71,4 milhões de toneladas, devido a melhora das margens de esmagamento e a forte demanda de carnes.

Os preços futuros devem seguir no intervalo entre US$ 9,50 e US$ 10,50 por bushel, tanto para os contratos mais próximos, como para os mais distantes (2015/2016). A forte alta do dólar no Brasil e um piso de US$ 9,50 por bushel para os preços futuros na Bolsa de Chicago devem propiciar margens positivas sobre os custos de produção da safra 2014/2015 em todas as regiões produtoras do país. Os prêmios seguem positivos nos portos brasileiros, em plena colheita de uma safra recorde nos Estados Unidos e na América do Sul, indicando que a demanda mundial pela soja permanece aquecida e que prossegue a retração vendedora por parte dos produtores brasileiros. No curto prazo, a confirmação das perdas na safra de soja 2014/2015 no Brasil poderá dar mais sustentação aos preços futuros em Chicago.

Carlos Cogo
Sócio-diretor de consultoria
Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica

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