O manejo de doenças de milho contribui para a melhor qualidade de silagem e maior produtividade de leite e de grãos

O manejo de doenças de milho contribui para a melhor qualidade de silagem e maior produtividade de leite e de grãos

 

 Além do cultivo de milho para produção de grãos, há a importante participação da cultura para a produção de silagem, destinada à alimentação animal. Até pouco tempo, pouca atenção era dispensada à sua qualidade. Porém, atualmente os animais possuem melhor padrão genético, requerendo assim, alimento de melhor qualidade. Vários fatores influenciam na qualidade da silagem, como o híbrido escolhido, o estádio em que é feita a colheita de plantas, o solo, o clima e a ocorrência de doenças.

As doenças causam redução na área foliar, através da morte dos tecidos. Com menor área fotossinteticamente ativa há menor acúmulo de substâncias de reserva nos grãos, redução na produção de massa verde e na qualidade e produtividade da matéria seca para silagem. Há ainda, aumento na concentração de matéria seca e de fibra nas plantas, o que reduz a digestibilidade das silagens.

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Em trabalhos realizados na CCGL Tecnologia, com o intuito de avaliar o efeito de aplicações de fungicida em híbrido de milho suscetível às doenças, visando tanto o aumento na produtividade de grãos (Kg/ha) quanto na produtividade de leite (L/ha), os resultados foram bastante satisfatórios.

Para a produtividade de grãos, o incremento médio (considerando uma e duas aplicações de fungicida) foi de 9% em relação à testemunha sem aplicação de fungicida. Para a produtividade de leite houve um ganho de 15% com as aplicações. Através das análises de qualidade de silagem, observou-se ainda, um incremento médio de 3,5% na digestibilidade das silagens.

Outro aspecto importante relacionado às doenças é a produção de micotoxinas nos grãos. As micotoxinas são compostos metabólitos secundários produzidos por fungos, especialmente os dos gêneros Aspergillus, Fusarium e Penicillium. Quando presentes na alimentação animal, seja na forma de grãos fornecidos em rações ou na silagem, podem reduzir a produtividade do rebanho, resultando em menor ingestão de alimentos. Há redução no desempenho reprodutivo, na taxa de ovulação de fêmeas, aumento na taxa de abortos, redução na imunidade do animal e, como consequência, redução na produtividade de leite.

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Algumas micotoxinas, como as aflatoxinas, por exemplo, podem passar para o leite do animal, ocasionando efeitos negativos também em seres humanos, já que apresentam potencial carcinogênico.

Sendo assim, o manejo de doenças em milho é importante, tanto para o milho destinado para a produção de grãos, quanto para a produção de silagem. A redução na intensidade de doenças e na produção de micotoxinas, em função das aplicações de fungicida, possui reflexos positivos na produtividade de grãos e também, na produtividade de leite, consequentemente, agrega em rentabilidade para o produtor rural.

Caroline Wesp Guterres é bióloga formada na UPF, com Mestrado e Doutorado em Fitopatologia pela UFRGS e atua como pesquisadora na área de Manejo de Doenças na Cooperativa Central Gaúcha (CCGL TECNOLOGIA), em Cruz Alta, RS.

 

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