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Fósforo e cálcio em fertilizantes para soja

A origem do fósforo (P) utilizado nos fertilizantes na agricultura brasileira é, predominantemente, de rochas fosfáticas de origem vulcânica, em maior parte a fluorapatita.

Desde a extração nas minas até a absorção pelas plantas, ocorrem várias reações e transformações nas formas de P. Com isso, têm surgido muitas dúvidas, especulações e mitos acerca das tecnologias empregadas nos fertilizantes nacionais.

Na condição natural da rocha, o fósforo está na forma de fosfato tricálcico, o qual as plantas não conseguem absorver (elas absorvem o P como dihidrogenofosfato – H2PO4–). Para aumentar a eficiência agronômica dos fosfatos, a indústria realiza o processo de acidulação, solubilizando a rocha fosfática moída com ácido sulfúrico (rota sulfúrica de acidulação), o que resulta em superfosfato simples e sulfato de cálcio.

O superfosfato simples possui fósforo, cálcio e enxofre. Também se pode atacar a rocha fosfática com ácido fosfórico, originando o superfosfato triplo (Lopes, A. S. et al., 2016). Esses dois produtos passam por diversos processos até serem granulados e utilizados puros ou em misturas com outras matérias-primas como fertilizantes na agricultura.

 

As formas de fósforo são influenciadas pelo pH da solução (figura 1). E em solos ácidos, como a maioria dos solos tropicais brasileiros, o fósforo é fixado por ferro e alumínio. No outro extremo, em situações de pH acima de 7, o fósforo torna a sofrer um processo chamado retrogradação, no qual ele reage com o cálcio (do fertilizante ou do solo) e retorna à condição de fosfato tricálcico, tornando-se indisponível às plantas.

Aqui, então, surge o mito de que em fertilizantes com P e Ca, esses elementos reagem e se tornam indisponíveis às plantas. Ora, em solos alcalinos (pH acima de 6,5), como os de clima temperado, essa reação pode acontecer. Mas não é a realidade dos solos brasileiros onde se cultiva soja.

Além da acidez dos nossos solos, os fertilizantes fosfatados acidulados possuem reação ácida, inviabilizando a possibilidade dessa reação ocorrer. Ademais, se isso fosse fato, a eficiência agronômica dos superfosfatos seria muito baixa e essas fontes não seriam empregadas na agricultura.

Em contrapartida, uma maneira bastante provável de indisponibilizar P e Ca é através da prática de misturar o adubo com corretivos de acidez, visando corrigir a zona do sulco de semeadura. Neste ponto é que reside a verdade com relação à retrogradação do P.

Se o corretivo for altamente reativo e se for utilizado em dose excessiva, pode elevar o pH junto aos grânulos do fertilizante, levando à indisponibilização do P. No entanto, o recomendado pela pesquisa agronômica é trabalhar a correção da acidez do solo de forma plena através de calagem criteriosa.

Nesse contexto, destacamos que foi embasada no conhecimento pioneiro e centenário de fabricação de fertilizantes em todo o planeta que a Yara Fertilizantes desenvolveu uma linha de produtos para a soja. Essa linha é produzida no Brasil, com fosfato obtido via rota de solubilização sulfúrica. É empregada a mais alta tecnologia, sem o risco de ocorrer a indisponibilização do P por reação com o Ca em uso em nossas condições e respeitando as recomendações de manejo.

Aliás, todos os oito nutrientes presentes (N, P, K, Ca, S, B, Mn e Zn) possuem de alta disponibilidade e estão presentes na mesma proporção em cada grânulo de fertilizante, garantindo uniformidade às lavouras. E o equilíbrio dos nutrientes é ajustado às necessidades da soja, trazendo segurança na uniformidade da adubação e na nutrição de sua lavoura.

Diego Guterres – Engenheiro Agrônomo YARA

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