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Plantio do trigo chega a 87% da área do Paraná

Depois de passar por um longo período de estiagem em abril e maio, chegando a superar 40 dias sem chuvas em alguns municípios, a semeadura do trigo se normaliza no Paraná.

Segundo o levantamento semanal do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Paraná, divulgado nesta terça-feira (19), o plantio da safra 2018 de trigo atingiu 87% da área prevista, um avanço de quatro pontos porcentuais em comparação a semana anterior. Conforme o departamento, 79% das lavouras estão em situação boa e a proporção de plantações em condição média passou de 19% para 17%.

Um dos efeitos negativos encontrados em algumas lavouras de trigo, especialmente nas regiões norte e oeste paranaenses, é o baixo índice de população de plantas. Mas esta é uma situação que pode ser amenizada com o um clima favorável de temperaturas amenas para estimular o perfilhamento e, especialmente, com uma atenção maior no manejo do nitrogênio (N) na cultura.

Segundo a pesquisadora e engenheira agrônoma Ingrid Arns, uma lavoura ideal e segura trabalha com 300 a 330 plantas por metro quadrado. Caso esta população seja inferior, isto não indica que a produtividade será menor, já que o que define a produtividade é o número de espigas, grãos por espiga e peso de grãos e não o número de plantas.

“Em casos de lavoura ‘rala’, perde-se espigas da planta mãe, mas é possível aumentar o número de afilhos viáveis que ajudarão a aumentar a densidade de espigas e compensar falhas de semeadura”, explica. Mas como fazer isto?  Ingrid esclarece que a primeira medida a se tomar é fazer uma aplicação de N quando o trigo estiver com 2 a 3 folhas. “Esta aplicação é fundamental e imprescindível em condições de baixa população, pois ela irá produzir mais afilhos e, portanto, formará o potencial de produção do número de espigas. Os perfilhos são formados até a quarta ou quinta folha, dependendo da cultivar. Desta forma, assim que tivermos condição de chuva e o trigo estiver com 2 a 3 folhas, devemos fazer a aplicação de N. O ideal é aplicar de 50 a 60 kg.ha-1 de N”, orienta.

Uma segunda etapa de aplicação de nitrogênio deve ser realizada no início do alongamento ou quando a planta estiver com 6 a 8 folhas. “No alongamento, mais especificamente, entre o primeiro nó visível e o emborrachamento, em caso de déficit de N, os afilhos começarão a morrer por deficiência deste nutriente. Precisa-se então, fazer mais uma aplicação de uma fonte nitrogenada. Isso reduzirá a perda de afilhos e ajudará na manutenção de componente de rendimento mais importante que, do ponto de vista de manejo, é espigas por metro quadrado”, acrescenta.

Porém, se o estádio da lavoura já tenha passado de 2 a 3 folhas ou até de 7 folhas, a aplicação do fertilizante deve ainda ser realizada. “O trigo responde em rendimento a aplicações de nitrogênio realizadas até o emborrachamento. Invista no fertilizante nitrogenado. Esse é o insumo que mais lhe trará retorno econômico na cultura do trigo”, indica a engenheira agrônoma.

Aplicação de N por regiões do PR

O gerente regional norte da Biotrigo Genética, Fernando Michel Wagner, explica que nessa safra nas regiões norte e parte da região de transição ao oeste do Paraná, 50% das lavouras já receberam adubação nitrogenada em cobertura. Nas demais regiões, poucas áreas de trigo receberam o fertilizante pois a semeadura ainda não ocorreu, como é o caso da região sul, ou porque as lavouras ainda estão em fase de início de desenvolvimento vegetativo, como ocorre na região sudoeste.

Nas áreas que se encontram em estágio de germinação - cerca de 15% da área semeada até o momento, conforme o levantamento do Deral -, a indicação além da adubação nitrogenada na "base", é fazer a primeira aplicação no início do perfilhamento. Nas áreas em desenvolvimento mais avançado do trigo - como final de perfilhamento, e que se enquadram dentro das características de déficit de população -, é indicado posicionar a aplicação de nitrogênio até a fase de emborrachamento (quando a folha bandeira está recém visível, cerca de 1 cm). “Este manejo é essencial para recuperar potencial produtivo”, explica Fernando.

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