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Insetos sugadores em plantas: um pouco além

Embora sejam várias, poucas possuem relação com os seres humanos, menos de 10 mil.

Os insetos sugadores em plantas fazem parte de um grupo de enorme diversidade, cuja característica que os torna comuns é o aparelho bucal picador-sugador, compreendendo a Ordem Hemiptera.

Nela, são agrupados os fede-fedes, percevejos, mosca-branca, cochonilha, pulgões, cigarras e cigarrinhas, um agrupamento com mais de 50 mil espécies.

Uma característica importante a ser considerada no manejo de insetos-praga relaciona-se a morfologia do inseto associado a cada cultura, onde o tipo e o potencial de dano estão diretamente associados ao seu tipo de aparelho bucal.

Nesse contexto, temos os de aparelho bucal do tipo mastigador (presente em lagartas, por exemplo), o qual retira partes da planta, deixando os sintomas de ataque. Muitas vezes, sendo um parâmetro para tomada de decisão. Como no caso da raspagem de lagartas em superfícies vegetais que pode ser considerada como pressuposto para o manejo em lagartas de instares iniciais.

Seus danos estão associados à inserção dos estiletes (inserção do aparelho bucal - a ponta do aparelho bucal possui estruturas cortantes), a duração da alimentação (inicia pelo xilema, seguido do floema, após laceração das estruturas do tecido vegetal - o período de alimentação pode se estender por mais de uma hora) e as secreções salivares (contém enzimas e metabólitos que degradam e digerem as estruturas vegetais, além de vírus para insetos transmissores).

Pelo seu aparelho bucal especializado, esses insetos não geram danos visíveis, só percebemos dias após o ataque.

Confira os danos gerados às culturas a seguir:

Soja: insetos sugadores, como percevejos, geram perdas na germinação e vigor de sementes, danos em cotilédones, tombamento de plantas (danos em estádios iniciais de desenvolvimento localizados na base de plantas que se refletem nos estádios posteriores), perda de meristemas, flores, vagens e grãos/sementes. Já a mosca-branca, além de causar danos em folhas e estruturas meristemáticas, é transmissora do vírus da “necrose-da-haste” e sua excreção, o “honeydew”, favorece a formação de fumagina (Capnodium sp.)

Milho: percevejos geram perdas no início do desenvolvimento, afetando os tecidos meristemáticos que após sua diferenciação refletem em plantas deformadas, plantas com perfilhos e/ou folhas manchas - posicionadas transversalmente de bordas irregulares. Pulgões além de se alimentarem pelo “honeydew”, que excreta forma fumagina, também podem ser transmissores do vírus “mosaico comuns do milho”. A cigarrinha-do-milho alimenta-se de estruturas vegetativas e também transmite dois molicutes (classe de bactérias que se distingue pela ausência de parede celular): o fitoplasma (enfezamento vermelho) e o Spiroplasma kunkelii (enfezamento pálido) e o vírus da rayado fino.

Trigo e Cevada: os sintomas iniciais de ataque de percevejos podem se refletir em folhas ou partes secas, ou com manchas transversais de bordas irregulares, morte de afilhos, coração morto, espiga ou parte da espiga branca, além de danos em grãos/sementes. Pulgões além dos danos e fumagina são transmissores do Nanismo Amarelo da Cevada (Barley Yellow Dwarf Virus - BYDV ou VNA).

Professor Mauricio Pasini

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