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Que outras doenças podemos negligenciar, pensando somente no controle da ferrugem da soja?

Não há dúvidas de que a ferrugem da soja é a principal preocupação dos produtores no que tange ao controle de doenças. Isso se deve ao grande potencial de perdas ocasionado por ela, tanto em função de sua agressividade quanto por sua variabilidade genética. O que a tornou menos sensível a muitos dos fungicidas utilizados.

No entanto, outras doenças, muitas vezes esquecidas pelos produtores, podem reduzir a produtividade de grãos em níveis superiores a 30%. Neste grupo estão as chamadas doenças de final de ciclo (cercosporiose, mancha parda, mancha alvo, etc), a antracnose, a seca da haste, e as doenças de raiz (como a podridão de fitóftora, a podridão vermelha da raiz e a podridão cinzenta).

Os fungos associados a essas doenças são Cercospora kikuchii (cercosporiose ou mancha púrpura), Septoria glycines (mancha parda), Corynespora cassiicola (mancha alvo), Colletotrichum truncatum (antracnose), Phomopsis spp. (seca da haste), Phytophthora sojae (podridão de fitóftora), Fusarium spp. (podridão vermelha da raiz) e Macrophomina phaseolina (podridão cinzenta).

Nas duas últimas safras observou-se um aumento significativo na ocorrência destas doenças, tanto em função das condições climáticas, quanto em função das práticas de manejo adotadas. Em comum, todos estes fungos possuem as características de serem transmitidos via sementes ou de sobreviverem nos restos culturais e/ou solo. Isto implica em atenção especial às sementes, tornando o tratamento das mesmas indispensável.

Porém, o fato de tratar as sementes não significa que elas estarão isentas de patógenos. O ideal é que se realize uma análise de sanidade de sementes antes de se definir quais fungicidas serão utilizados no tratamento das mesmas.

Com isso, estaremos sendo mais assertivos na escolha dos princípios ativos mais efetivos para os fungos presentes em cada lote de sementes. Já que nem todos os princípios ativos controlam com a mesma eficiência todas as espécies de fungos.

Outro ponto que corrobora ao aumento na incidência de patógenos necrotróficos é a baixa adesão da rotação de culturas. Os resíduos de soja levam entre 24 a 35 meses para se degradar por completo e a monocultura de soja favorece o aumento e a disseminação deste tipo de doença. Sem a realização da rotação de culturas a tendência é de que os patógenos necrotróficos cresçam em importância nas próximas safras de soja.

A escolha de cultivares com resistência genética, o tratamento de sementes eficiente e a utilização de fungicidas de amplo espectro, especialmente nas primeiras aplicações na cultura da soja, auxiliam a evitar epidemias dessas doenças e agregam rentabilidade ao sistema produtivo.

Caroline Wesp Guterres é pesquisadora na área de Manejo de Doenças na Cooperativa Central Gaúcha (CCGL TECNOLOGIA), em Cruz Alta, RS.

 

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