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Aspectos práticos da suplementação no período de inverno para recria e terminação de bovinos

A grande variedade anual na produção de plantas forrageiras, aliada a baixa qualidade decorrente no período de inverno, faz com que nutrientes essenciais sejam ingeridos em menor quantidade. Esta situação acaba prejudicando o desenvolvimento dos animais que por vezes acabam sendo abatidos com mais de 3 anos.

A suplementação alimentar, no período de inverno (período de secas), pode ser utilizada de forma estratégica, como uma ferramenta para diferentes níveis de desempenho. Como para mantença, impedindo a perda de peso e escore corporal dos animais. Neste tipo de suplementação os ganhos são relativamente baixos (200 a 300 g/animal/dia), ou em alguns casos de bom manejo e status sanitário do rebanho, ganhos superiores a 500 g/animal/dia. O que adiantaria a idade de abate destes animais para até 30 meses.

As pastagens durante o período de secas apresentam taxa reduzida de crescimento, assim, todo o material depositado acaba sendo oriundo do verão (período de águas), conferindo às pastagens baixo valor nutritivo e grande acúmulo de material morto. O principal nutriente afetado neste cenário é a proteína, pois com a redução da qualidade destas pastagens a proteína acaba não sendo disponibilizada na quantidade necessária, logo, a suplementação protéica vira uma estratégia extremamente interessante.

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A suplementação protéica no período de secas tem como objetivo manter o peso dos animais, ou permitir pequenos ganhos, de até 200 a 300 g/dia. Sendo que o consumo pode variar de acordo com a categoria animal, de 100 a 400 g/dia, de terneiros desmamados a vacas de cria respectivamente. Em relação ao peso vivo, estes suplementos variam em torno de 0,1% do peso vivo animal. É comum que estes suplementos apresentem ureia em sua composição e a associação de ureia com sal mineral tende a promover bons resultados, estas misturas normalmente são misturas comerciais.

Este tipo de suplementação pode apresentar até 60% de ureia na sua composição, e a adaptação deve ser gradual, com doses aumentadas a cada 3 dias. Para melhor adaptação e obtenção do consumo desejado pode-se utilizar palatabilizantes, bons detentores de fonte de energia ou proteína verdadeira (farelos de soja e quireras de milho). Para uso de ureia acima de 30 g / 100 kg, uma fonte de energia prontamente disponível deve ser usada, assim ambas frações, tanto protéicas quanto energéticas do suplemento, estarão equilibradas, evitando possíveis distúrbios metabólicos negativos.

O uso deste tipo de suplemento para animais em terminação acaba sendo pouco eficiente, pois esta categoria possui uma exigência energética maior, para que ocorra a deposição de gordura desejada na engorda. A efetividade do uso destes produtos proteinados no período de seca, parte do princípio dos animais não perderem peso, algo habitual nos meses mais frios do ano aqui na região sul.

Portanto um suplemento que permita a manutenção do escore dos animais neste período desafiador que é o inverno, trata-se de uma efetiva estratégia para manter lucratividade da pecuária e otimizar os índices produtivos de uma fazenda.

Jorge Augusto Abreu Médico Veterinário – UNICRUZ-RS Especialista em Nutrição de Bovinos de Corte e Leite – PUC-PR Mestre em Zootecnia – Nutrição de Ruminantes - UTFPR

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