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A Importância da Manutenção da Tecnologia Bt

Na safra 2016/2017, as lavouras de milho apresentaram alguns problemas, principalmente relacionados ao aparecimento de lagartas, com grande pressão de ataque, dentre as quais podemos citar: lagarta-do-cartucho-do-milho (Spodoptera frugiperda), lagarta-do-trigo (Pseudaletia sequax), lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) e Helicoverpa sp. Esse complexo de lagartas causam sérios danos principalmente na fase de estabelecimento do milho, diminuindo o estante inicial de plantas além de danificar a área foliar do mesmo, imprescindível para o desenvolvimento e formação dos componentes de rendimento da cultura.

No ano de 2005 foi aprovada no Brasil a Lei de Biossegurança (nº 11.105/05), regularizando o uso de organismos geneticamente modificados; o fato permitiu a introdução de sementes transgênicas na agricultura, como uma forma de minimizar os danos causados por determinadas pragas nos mais diversos cultivos. Nessa categoria cabe destaque às plantas que são resistentes ao ataque de insetos, chamadas de Bt, em referência à bactéria Bacillus thuringiensis, que promove a expressão de proteínas com ação inseticida principalmente para algumas espécies de lagartas.

As plantas Bt são organismos geneticamente modificados, em seu DNA foram introduzidos genes responsáveis pela produção de certas proteínas (proteínas Cry) com ação tóxica a certos insetos. Dessa forma, quando uma lagarta se alimenta de uma planta de milho Bt, as proteínas liberam toxinas que se ligam à parede do intestino do inseto, causando a ruptura de células e tecidos, levando-o à morte. Uma grande vantagem da utilização dessa tecnologia é que as proteínas Cry apresentam alto grau de especificidade aos insetos-alvo, ou seja, afeta somente uma categoria de insetos pré-determinados, auxiliando na manutenção de insetos benéficos e não apresentando efeitos em mamíferos.

Porém, toda tecnologia tem suas implicações e particularidades. Devemos ter em mente que, para toda e qualquer população de insetos sobre a qual aplicamos determinada substância com ação tóxica, naturalmente haverá indivíduos mais tolerantes, que sobreviverão à exposição dessa substância. Os insetos sobreviventes se reproduzem e passam essa característica genética de resistência aos seus descendentes. Dessa forma, a pressão de seleção em virtude da aplicação frequente e sucessiva do mesmo produto leva a perda da eficiência do mesmo, em virtude da redução no número de indivíduos suscetíveis e consequente aumento de indivíduos resistentes na população de insetos, seja devido à aplicação direta dos produtos (como é o caso dos inseticidas) ou à tecnologia, como é o caso dos insetos resistentes aos cultivos Bt, que conseguem sobreviver ao se alimentarem dessas plantas.

Evolução da Resistência dentro da população de insetos.           

Para maximizar a eficiência e permitir uma maior duração da tecnologia Bt no mercado,  a implantação de áreas de refúgio torna-se imprescindível.  Refúgio são áreas implantadas com sementes convencionais, aquelas que não levam tecnologia Bt, com o objetivo de aumentar a população de indivíduos suscetíveis no cultivo na expectativa de que estes irão cruzar com os indivíduos resistentes provenientes da área plantada com Bt, gerando descendentes completamente suscetíveis. Este é o método mais eficiente para reduzir a velocidade de crescimento de insetos resistentes em cultivos Bt.

O percentual da área que deve ser usada como refúgio varia de acordo com a cultura transgênica utilizada e com aspectos agronômicos. Para a safra 2015/2016, convencionou-se que, para a soja e para o algodão, 20% da área deveria ser cultivada com sementes não Bt; para o milho, esse índice foi de 10%.

Alguns aspectos devem ser considerados na implantação do refúgio, como por exemplo, essa área deve estar localizada a uma distância de até 800 metros da lavoura Bt, e deve ser manejada da mesma forma; deve-se atentar para a utilização de cultivares de ciclo parecido para que a cultura nas duas áreas se desenvolva de forma semelhante, facilitando assim o manejo e aplicações que se fazem necessárias ao bom andamento da lavoura.

Também não devemos nos esquecer dos princípios agronômicos, que devem ser a base para todo e qualquer cultivo, independentemente de ser transgênico ou não, objetivando a produtividade e a sustentabilidade do sistema. Uma vez realizados, esse conjunto de princípios gera o chamado manejo integrado, que além de permitir a manutenção da efetividade da tecnologia Bt, traz avanços produtivos geram um menor impacto ambiental, conciliando produtividade e sustentabilidade ao meio agrícola.

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Autores: Marlova Bernardi
Acadêmica do Curso de Agronomia da Uceff Itapiranga
E-mail: marlovaeng@outlook.com

Juracy Caldeira Lins Junior
Pesquisador da Epagri – Estação Experimental de Caçador
E-mail: juracyjunior@epagri.sc.gov.br

 

Referências:
http://boaspraticasagronomicas.com.br/culturas-bt/
Conselho de Informações sobre Biotecnologia.  http://cib.org.br/
Associação Brasileira de Sementes e Mudas. http://www.abrasem.com.br/

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