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Nutrição do trigo: desenvolvimento radicular é fundamental para altas produtividades

Nutrição do trigo: desenvolvimento radicular é fundamental para altas produtividades

A definição do alto potencial produtivo de uma cultura começa no estabelecimento, que é o momento de assentamento da lavoura. Muitos fatores podem impactar esta etapa, interferindo positivamente no desenvolvimento e na produtividade na lavoura. Um manejo nutricional que favoreça o crescimento inicial das raízes de trigo pode fazer toda a diferença a favor do desempenho da triticultura.

Um fator fundamental para o trigo é a máxima redução de alumínio tóxico do solo, pois esse elemento pode danificar os tecidos radiculares – responsáveis pela formação da primeira raiz da planta, causando sérios problemas como menor desenvolvimento radicular. Nesse sentido, deve-se realizar um intenso trabalho de correção da acidez aplicando calcário, para eliminação do efeito desse nutriente na camada explorada pelas raízes. Também é necessário dar preferência aos fertilizantes com baixo potencial de acidificação do solo, principalmente com fontes de nitrogênio e de enxofre.

O nitrogênio é, sem dúvidas, o nutriente mais importante para a produtividade e qualidade de grãos de trigo, já desde o início do desenvolvimento da planta. Dependendo da forma do elemento encontrado, a planta pode ter diversas maneiras de aproveitamento. A presença de nitrogênio na forma amoniacal favorece o crescimento das raízes, levando a maior produção de citocininas, hormônio responsável pelo crescimento e pela arquitetura do sistema radicular.

Por outro lado, se a cultura anterior for uma gramínea com palhada de alta relação, como o milho, podemos ter imobilização de nitrogênio pela microbiota do solo. Por isso, a aplicação equilibrada deste nutriente nas formas combinadas (nítrica e amoniacal) se encaixa perfeitamente para a produtividade da lavoura.

Outro elemento fundamental para o desenvolvimento radicular é o fósforo, importante na transferência de energia da célula, na respiração e na fotossíntese. A disponibilidade do elemento nas fases iniciais também é essencial para a recuperação do efeito subletal de temperatura baixa, razão pela qual se recomenda sempre o uso de uma dose de fósforo no sulco da semeadura, mesmo que o solo tenha alta concentração desse nutriente.

Já o potássio, por sua vez, atua no controle das concentrações de sais nos tecidos ou nas células, o que determina a pressão de água interna celular, forçando a célula a se expandir. A carência de potássio, portanto, no início do desenvolvimento, pode retardar o crescimento radicular. Vários motivos, principalmente a questão operacional, têm levado parte dos agricultores a optar pela aplicação de toda a dose de potássio em superfície. Para isso, o primeiro aspecto a ser considerado é a disponibilidade do nutriente no solo. A aplicação do elemento deve ser feita obrigatoriamente próximo ao sulco de semeadura, a não ser que a disponibilidade de potássio no solo seja alta. Mesmo assim, a temperatura elevada do solo pode dificultar o processo de absorção do potássio pelo solo.

Em trabalhos de campo, uma equipe de agrônomos observou um incremento médio de 6,9 sc/ha em comparação da aplicação de fertilizante NPK (com as duas formas de nitrogênio) em relação a produtos convencionais na adubação de base do trigo. Por fim, em micronutrientes, o zinco merece grande destaque para o estabelecimento da lavoura de trigo. Dentre as suas funções, destaca-se a importância na síntese de triptofano, aminoácido precursor das auxinas, hormônios que regulam o crescimento das plantas. Porém, vários fatores podem provocar indisponibilidade desse nutriente, como a elevada alcalinidade e aplicação de altas doses de fósforo no sulco da semeadura.

Nesse contexto, o ótimo estabelecimento da lavoura de trigo é fundamental para lavouras produtivas, lucrativas e de menor risco. Plantas com maior desenvolvimento radicular suportam melhor os períodos de estiagem, sofrendo muito menos estresse. Esse é um dos aspectos do manejo da lavoura e parte importante do programa nutricional desenvolvido para a triticultura, que envolve a combinação de produtos que auxiliam o produtor a escolher a melhor fonte de nutrientes e a aplicação na dose, época e local corretos para elevar os níveis de produtividade e proporcionar um produto final melhor e de mais qualidade.

Diego Guterres

Engenheiro agrônomo e especialista nas culturas de Trigo e Soja da Yara Brasil

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