Nutrição e manejo, as chaves do sucesso na produção leiteira

Nutrição e manejo, as chaves do sucesso na produção leiteira

Nutrição e manejo, as chaves do sucesso na produção leiteiraNão é de hoje que o Rio Grande do Sul vem se destacando na produção leiteira nacional. Segundo dados do IBGE, o Estado se figura em segundo lugar, com produção estimada de 5 bilhões de litros/ano, atrás somente dos mineiros, com produção de 9,5 bilhões de litros/ano. O Noroeste gaúcho, responsável por 67% do volume produzido no Estado, detém produção estimada em 3,3 bilhões de litros/ano (DADOS IBGE 2015). Esses números refletem o quanto evoluiu o desempenho do rebanho gaúcho e exigem que os produtores de leite estejam prontos e capazes de superar os desafios que a atividade impõe.

Dois componentes, dentre tantos que a cadeia leiteira possui, o manejo e a nutrição, tornam-se de fundamental importância nos momentos em que se busca uma melhor eficiência na atividade. Informações sobre características do alimento, se é protéico, energético, se tem qualidade de fibra, origem segura, formas de armazenagem e quantidade estimada que a vaca ingere ao dia, são dados preciosos para se avaliar e buscar melhores resultados na propriedade.

A vaca, por ser um ruminante, possui exigências pré-determinadas por sua fisiologia, exigências específicas de proteína, energia, fibra, minerais e vitaminas, divididas em necessidades que ela venha a possuir, exigências para mantença, gestação, lactação e reserva com base nas orientações do NRC (Nutrients Requeriments of Dairy Cattle 2001). Assim, uma alimentação balanceada, além de não prejudicar o animal e causar distúrbios negativos, pode ser uma ferramenta útil para tornar uma produção média em uma produção de alto desempenho, com saúde para o animal.

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Com a valorização de commodities, como soja, milho e feijão, as áreas destinadas a pastejo estão perdendo espaço para a plantação de grãos. Em consequência a este cenário, a alimentação dos rebanhos está se intensificando cada vez mais e os produtores estão fornecendo grande parte da dieta dos animais em cocho, tanto alimentos volumosos quanto concentrados. Acompanhando essa tendência no setor, torna-se importante o controle sobre consumo das dietas ofertadas, pois o ganho na fazenda, além da capacidade da vaca em produzir litros de leite no final de cada mês, passa pela baixa quantidade de alimentos que ela desperdiça, ainda mais no momento em que os preços dos grãos, como o milho e soja, principais ingredientes dos concentrados utilizados nas fazendas, estão em alta.

Não menos importante, o manejo é peça fundamental dessa engrenagem, pois de nada adianta uma dieta balanceada para a vaca se a mesma não conseguir ingerir. Boa parte do apetite, ou falta dele, pode ser responsabilidade do manejo que os animais são submetidos na propriedade. Itens como sombra em piquetes, água de qualidade à disposição, ventilação em galpões de confinamentos e em salas de espera são componentes de uma fazenda que, quando bem utilizados, fazem toda a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma propriedade.

Portanto, ter controle sobre as variáveis em torno da alimentação dos animais e a utilização de procedimentos que tornem o manejo da propriedade mais eficiente, são chaves indispensáveis para se obter sucesso na atividade leiteira. Consultar um técnico nutricionista mais próximo de sua propriedade pode ser uma ótima iniciativa para a implementação deste panorama.

Jorge Augusto Abreu – Médico Veterinário CRMV-PR 12381
Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

 

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