O cenário do nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines) em lavouras do Rio Grande do Sul

O cenário do nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines) em lavouras do Rio Grande do Sul

Este nematoide foi detectado no Brasil na safra 1991/92 e atualmente está presente em vários Estados (MG, MT, MS, GO, SP, PR, RS, BA, TO e MA). No Brasil já foram encontradas 11 raças do nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines): NCS (1, 2, 3, 4, 4+, 5, 6, 9, 10, 14 e 14+). Esse nematoide é responsável por perdas na ordem de 10 a 30%. No entanto, dependendo do tipo de solo e da densidade populacional as perdas podem atingir até 70% da área. No RS as raças 3,5 e 6 já foram relatadas em três municípios, de acordo com Dias et al. (2009).

Levantamentos realizados pelo Instituto Phytus (Santa Maria – RS) desde 2012 até o presente momento vêm registrando a ocorrência de H. glycines em outros municípios, diferentes dos já relatados. A sua rápida disseminação normalmente é devido ao trânsito de veículos e implementos agrícolas, contendo partículas de solo aderidas em suas rodas e latarias, de áreas ou regiões infestadas.

Os sintomas nas plantas sobre o ataque do nematoide do cisto da soja apresentam o porte reduzido, seguido de amarelecimento na parte área. Em casos de alta densidade populacional no solo esses sintomas podem ser mais severos.

nematoides cisto

Após a observação desses sintomas de parte área o produtor deve arrancar plantas dentro dessas manchas (reboleiras) e observar o sistema radicular, de preferência com a cultura entre 25-45 dias após a semeadura.

Normalmente as fêmeas do nematoide H. glycines estão na superfície das raízes e apresentam coloração esbranquiçada.

nematoide cisto

A observação direta no sistema radicular, após o período de 45 dias da semeadura, deverá ser cuidadosa, pois com o passar do tempo o nematoide completa seu ciclo de vida e sua tonalidade (cor) acaba ficando mais escura (marrom). Nessa fase ou período o produtor praticamente não conseguirá observar esses sintomas facilmente no sistema radicular, pois o cisto desprende-se da raiz no momento do arranque das plantas.

Cada cisto pode armazenar cerca de 100 a 300 ovos, garantindo a sobrevivência do nematoide por aproximadamente 8 anos no solo sem a cultura hospedeira, seguido de períodos adversos do ano como altas e baixas temperaturas, incluindo a dessecação.

Devido a restrita relação com a soja, sua principal hospedeira, o seu manejo é facilmente realizado através do uso de cultivares resistentes e da rotação de culturas com plantas não hospedeiras (milho, trigo, aveia, entre outras). Cabe salientar que a visualização desses sintomas acelera o processo de diagnose, sendo necessário o envio de amostras de solo e raízes para um laboratório para obter-se a confirmação da espécie e, se possível, a raça e também o número de nematoides presentes na amostra, incluindo contagem de cistos viáveis e inviáveis.

Biólogo Paulo Santos, mestrando em Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Santa Maria e colaborador ad hoc do Instituto Phytus.

← Mais uma Vitória à Tecnologia DBV e a Família Difere Soja tem manhã de 6ª feira do lado negativo da tabela na CBOT, mas mantendo estabilidade - Notícias agrícolas →

Deixe seu comentário aqui