O risco da disseminação de uma nova planta daninha resistente

O risco da disseminação de uma nova planta daninha resistente

A presença de Amaranthus palmeri no Estado do Mato Grosso deve servir de alerta aos produtores de soja, milho e algodão.

Trata-se de uma planta exótica extremamente agressiva, com risco de reduzir a produtividade de soja, milho e algodão tanto quanto a buva ou o capim amargoso tem. Ou seja, no caso de altas infestações a produtividade pode ser reduzida em até 70% ou mais. Plantas do gênero Amaranthus, são conhecidas popularmente no Brasil com o nome de “caruru” e podem cruzar com Amaranthus palmeri. A campo não é fácil sua identificação, pois pode ser confundido com outras espécies que vegetam no Brasil, especialmente a A. spínosus (caruru-de-espinho). A A. palmeri coletada no Mato Grosso pelo IMAmt, UNIVAG e UFMT, foi identificada como resistente aos herbicidas glifosato (inibidor da EPSPs), pyrithiobac-sodium e clorimuron-ethyl (inibidores da ALS).

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Nos Estados Unidos, já existem bitipos resistentes a cinco mecanismos de ação, o que dificulta tremendamente o seu controle. Por essa razão, os agricultores devem prestar mais atenção ao caruru nas suas propriedades. A rápida identificação pode viabilizar medidas de contenção e o estabelecimento de programas de controle. Em caso de suspeita, o agricultor deve comunicar ao assistente técnico responsável pela área de produção e às autoridades sanitárias estaduais e federais para obtenção de mais informações. No Paraná, a SEAB, a Adapar, a Ocepar, a FAEP, a Embrapa e o MAPA, se uniram em torno de uma campanha de alerta para esse problema, visando à prevenção. Estados que fazem fronteira com países produtores de soja e milho devem estar ainda mais atentos.

Características

Algumas características ajudam a identificação e a diferenciação de A. palmeri. As mais comuns envolvem os pecíolos das folhas, que normalmente são iguais ou maiores que a lâmina foliar, enquanto nas demais espécies, ele é menor (Figura 1). Apresenta plantas apenas com flores masculinas e outras apenas com flores femininas (Figura 2), sendo que essas últimas ao serem tocadas, dão a sensação de picadas nas mãos e nos dedos, principal característica de reconhecimento da planta.

Em algumas plantas, pode ser observada uma longa inflorescência bem destacada. As folhas são arranjadas de forma simétrica no caule, que é liso. Amaranthus palmeri possui elevada taxa fotossintética, eficiência no uso da água, rápido crescimento, alta produção de biomassa em curto espaço de tempo e, ainda, uma única planta pode produzir de IOO mil a 1 milhão de sementes, dependendo das condições em que se desenvolve.

O pecíolo de Amaranthus palmeri pode ser igual ou maior que o limbo foliar (A), enquanto nas demais espécies, ele é menor (B)

Figura 2: Amaranthus palmeri possui plantas com inflorescência masculina e plantas com inflorescência feminina.

 

 

 

 

 

 

 

 

Dionísio Luiz Piza Gazziero – Pesquisador Embrapa Soja
Fernando Storniolo Adegas – Pesquisador Embrapa Soja

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