Alimentação de ruminantes sob um ponto de vista técnico

Alimentação de ruminantes sob um ponto de vista técnico

Noções sobre bactérias ruminais – Parte 1.

No universo que envolve a produção animal, o conhecimento sobre a alimentação e o processo digestivo das espécies torna-se imprescindível para que se busquem estratégias mais eficientes de se alcançar o sucesso na atividade.

Quando o objetivo é a produção de carne ou leite, o foco do estudo passa a ser o bovino, animal de grande versatilidade adaptativa alimentar, pois se utilizando forragens ou grãos de cereais se consegue bons resultados, tanto do ponto de vista de saúde do animal quanto de lucros para o dono. A partir de hoje, então, iremos aprofundar o conhecimento sobre um órgão fundamental para que o sucesso ou o fracasso do desempenho de um bovino dentro de uma fazenda ocorra, o rúmen.

O rúmen é considerado um ecossistema microbiano de grande diversidade e ao mesmo tempo único, pois seu ambiente anaeróbico, com baixa presença de oxigênio, temperatura próxima de 40 graus, com constante presença de substratos e ação fermentativa, configura um ambiente desafiador para que todo alimento ingerido pelo animal consiga ser processado e aproveitado da melhor forma.

Há 3 tipos de microorganismos ativos presentes dentro da flora ruminal: bactérias, fungos e protozoários. As bactérias, tema do presente texto, ocupam aproximadamente 70% da população microbiana ruminal (Kosloski G. V 2009), embora muitas colônias já tenham sido isoladas em estudos, cerca de 20 espécies bacterianas predominam no rúmen.

Essa população bacteriana é a grande responsável pelo processo fermentativo que ocorre no rúmen, e por esse motivo é que a maior parte dos estudos e pesquisas do ramo se desenvolve em torno dessas colônias, pois as mesmas possuem maior importância na nutrição.

Sob o ponto de vista de tamanho e forma, as bactérias ruminais são dos mais distintos tipos: cocos, bacilos, entre outras. O tamanho aproximado é de 0,5 a 2,0 um de diâmetro, e 1,0 a 6,0 um de comprimento (Kosloski G. V. 2009). O tipo de parede celular no exemplo das bactérias gram-positivas, possuem parede celular mais simples, e as gram-negativas apresentam parede celular mais complexa.

As bactérias podem ser divididas em função do perfil do alimento que as mesmas tendem a fermentar:

Bactérias Celulolíticas: Fermentam e degradam celulose e hemicelulose, componentes das forragens e fibras oriundas de pastagens. Ex: Ruminococcus albus, Fibrobacter succinogenes;

Bactérias Amidolíticas: Fermentam e degradam amido oriundo de grãos de cereais, açucares e outros tipos de carboidratos solúveis. Ex: Streptococcus bovis, Lactobacillus sp;

Bactérias Proteolíticas: Fermentam e degradam aminoácidos. Ex: Peptostreptococci sp.

Grande parte das bactérias degrada proteínas e transformam em energia no rúmen, mas as colônias das proteolíticas possuem atividade bem mais intensa que as demais.

Bactérias Lipolíticas: Fermentam triglicerídeos ingerido pelo animal, hidrolisam estas gorduras e transformam em AGV (ácidos graxos voláteis). Ex: Anaerovibrio lipolytica.

Não menos importantes são as colônias de bactérias Ureolíticas, Lácticas, Pectinolíticas e Metanógenas, que degradam e fermentam, respectivamente, uréia, ácido lático, pectina, e convertem lipídios da dieta em metano.

Através dessas divisões pode-se observar que todo o alimento tem ação definida por um conjunto de microorganismos do rúmen, e que o êxito da conversão alimentar em ganho de peso e produção de leite, passa pela boa adaptação e sincronismo no trabalho de cada grupo mencionado. O que define a eficiência do trabalho da flora bacteriana do rúmen é o substrato ingerido pelo animal, pois quanto mais estável e constante a dieta oferecida a um bovino, maior será a simbiose do trabalho dos microorganismos afins.

Jorge Augusto Abreu – Médico Veterinário CRMV-PR 12381
Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná

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