Percevejo-marrom e o manejo integrado

Percevejo-marrom e o manejo integrado

O percevejo-marrom [Euschistus heros (Fabricius, 1798) (Hemiptera: Pentatomidae)] tem ganhado amplo destaque, tornando-se um dos principais insetos-praga na cultura da soja (Glycine max).

Seus danos estão associados ao aparelho bucal do tipo sugador-picador, o qual é inserido na planta e, através deste, pelo canal alimentar retira água e sais minerais do xilema e fotoassimilados do floema. Através do canal salivar injeta substâncias lesivas ao desenvolvimento da planta.

Sua atividade alimentar e seu ciclo de desenvolvimento estão associados à temperatura do ar, quanto maior a temperatura, maior é a atividade metabólica do percevejo; maior é a sua necessidade alimentar; menor é a duração do seu ciclo de desenvolvimento. De ovo a adulto, o ciclo dura em média 40 dias (+/- 5 dias), após atingir a fase adulta a espécie permanece ativa por mais de 100 dias.

Uma fêmea de percevejo-marrom coloca em média 200 ovos, ou seja, cada indivíduo que permanece na área de cultivo que não é eliminado gera 200 novos percevejos. Ao eclodir os ovos, as ninfas de primeiro instar passam a se alimentar nos líquidos remanescentes do ovo; a partir do segundo instar se alimentam da planta, gerando pequenas lesões visíveis através de lupa; no terceiro instar as lesões geradas são mais perceptíveis, podendo refletir em perdas de rendimento; e a partir do quarto instar sua alimentação passa a ter potencial econômico, afetando a rentabilidade. Ressalta-se que somente adultos do percevejo-marrom possuem habilidade de dispersão.

Na soja o inseto ataca a planta em todos os estádios de desenvolvimento, iniciando nas folhas cotiledonares até o início da maturação fisiológica, momento em que o inseto passa a procurar outras plantas para se alimentar. Seus principais danos estão associados ao período reprodutivo da cultura, no qual, se obtém sua maior densidade populacional (maior número de percevejos por unidade de área).

>>Leia também: A influência da temperatura e umidade na qualidade da semente de soja

Para o manejo do percevejo-marrom temos boas opções de inseticidas químicos (Tabela 1) os quais devem ser utilizados seguindo a recomendação do profissional habilitado. Além dos químicos, há boas alternativas de produtos biológicos a base de fungos como o Beauveria bassiana – que conforme estudo realizado na área experimental da Universidade de Cruz Alta obteve eficiência superior a 80% de percevejo-marrom.

Confira algumas informações importantes para estabelecer estratégias no manejo:

  1. Plantas de entorno (bordaduras) e voluntárias (presentes nas áreas de cultivo) são fundamentais para garantir alimento ao percevejo-marrom nos períodos de entressafra, semeadura e maturação de plantas.
  2. Ele apresenta limitada habilidade de voo, ficando restrito a distâncias máximas de 30 metros.
  3. Sua dispersão inicia das bordaduras das lavouras para o centro.
  4. Quadrantes das lavouras de predominância dos ventos apresentam maiores infestações do percevejo.
  5. Adultos de percevejos tem a habilidade de buscar novas fontes de alimento, ou seja, lavouras vizinhas se não manejadas adequadamente, podem prejudicar a sua lavoura.
  6. Inseticidas são considerados eficientes a partir de 80% de mortalidade da população ou seja, numa população de 100 indivíduos sobram 20 indivíduos.
  7. Com um percevejo-marrom adulto por unidade de área (1 m-2) recomenda-se efetuar o manejo, independente do estádio.
  8. Ninfas são mais susceptíveis aos ativos utilizados por apresentarem maior superfície de absorção do ativo e exoesqueleto mais frágil, diferente de adultos que apresentam exoesqueleto mais rígido e menor superfície de absorção do ativo.
  9. À noite (durante o verão) ninfas e adultos do percevejo-marrom são mais ativos e permanecem no terço superior da planta.
  10. O monitoramento é peça fundamental para o manejo de qualquer inseto.

Professor Maurício Pasini
Engenheiro Agrônomo e Coordenador da área experimental do curso de agronomia na Universidade de Cruz Alta

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