Preços agrícolas globais e a ameaça do “El Niño”

Preços agrícolas globais e a ameaça do “El Niño”

Preços agrícolas globais e a ameaça do “El Niño”As cotações globais da soja, milho e trigo avançaram nas últimas semanas de junho e início de julho, após um período de relativa estabilidade. Os preços estão sendo sustentados, em parte, por temores de que o “El Niño” poderá causar estiagem em importantes regiões produtoras de grãos na Ásia e Oceania. Chuvas acima da média estão preocupando os produtores de grãos dos Estados Unidos. Por isso a ocorrência do fenômeno climático conhecido como “El Niño” neste ano está fazendo com que investidores e participantes do mercado de commodities se preparem para uma safra de menor rendimento das lavouras e com maior volatilidade de preços.

Agências meteorológicas dos governos dos Estados Unidos, Austrália e Japão já confirmaram que haverá “El Niño” pela primeira vez desde 2009. Fenômeno que ocorre quando os ventos no Pacífico Equatorial perdem força ou invertem sua direção. Isso causa o aquecimento da água em uma vasta área do oceano o que, por sua vez, pode modificar os padrões climáticos em todo o mundo. Tipicamente, este fenômeno climático reduz as chuvas na Austrália e nas regiões sul e sudeste da Ásia.

Em outros anos, de acordo com um estudo publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), os preços de commodities agrícolas avançaram 5,3% em média em 12 meses após a confirmação do “El Niño”. Entretanto, ainda não se sabe o quão severo será o seu impacto na produção agrícola. Cada El Niño é diferente, incluindo a duração, intensidade e impacto na produção agrícola. Como ele apenas começou, é cedo para estimar a produção em 2016.

Se essas previsões se confirmarem, o fenômeno levará a déficit de produção de trigo, milho e cana-de-açúcar em alguns países do Hemisfério Sul, mas o maior nível de chuvas em algumas regiões ainda ajudará as lavouras. A pressão altista do El Niño será limitada por amplos estoques mundiais de diversas commodities, como arroz e açúcar. Já o rendimento das plantações de trigo na Austrália – que responde por 14% das exportações mundiais do cereal – podem cair até 50%. Entretanto, enquanto a estiagem reduzirá as safras na Ásia, o maior volume de chuvas causado pelo El Niño na América do Sul elevará a produção de soja, milho e açúcar. Lembrando que os impactos típicos no clima do Brasil são chuvas mais intensas no Sul, seca no Norte e Nordeste e temperaturas mais elevadas no Sudeste e Centro-Oeste.

Carlos Cogo
Sócio-Diretor de Consultoria da
CARLOS COGO CONSULTORIA AGROECONÔMICA

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