Prevenção e controle de ferrugem no Trigo

Prevenção e controle de ferrugem no Trigo

Prevenção e controle de ferrugem no TrigoHistoricamente o trigo se estabeleceu no Sul do país por suas condições climáticas favoráveis e tornou-se uma das principais culturas da região ao lado da soja e do milho. O cultivo do grão é afetado por cerca de 15 doenças que podem prejudicar em grande escala a produção final, tornando essencial um manejo preventivo e corretivo durante todas as fases de desenvolvimento da planta. No sul uma das pragas que passou a exigir atenção rigorosa nos últimos anos e que ataca as lavouras em larga escala é a ferrugem, que pode acarretar perdas na produção de mais de 50%.

O custo da ferrugem, que vai desde o manejo com fungicidas aos prejuízos, tem permanecido em aproximadamente US$ 2 bilhões nas últimas safras. A doença se caracteriza pela aparição de pústulas com esporos de cor marrom-avermelhada nas folhas, que reduzem a área fotossintética e aumentam a respiração da planta. Temperaturas entre 15° e 20°C com umidade do ar elevada são as condições ideais para a proliferação dos esporos. O período de molhamento necessário para o desenvolvimento do fundo varia conforme a temperatura. Se e a temperatura for de 20 °C, o tempo de molhamento é de três horas, já a 10 °C o molhamento varia de 10 a 12 horas contínuas.

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Anualmente diferentes espécies novas da praga são detectadas, o que dificulta o desenvolvimento de cultivares resistentes, por isso aquelas cultivares que são disponibilizadas ao produtor apresentam uma resistência de curta duração. A cada mutação do fungo, a característica específica do trigo perde resistência e ele volta a ser atacado.

Tudo isso torna essencial o planejamento do controle da ferrugem no trigo. O monitoramento é fundamental na hora de escolher a hora certa de entrar com aplicação que deve iniciar no aparecimento ou reaparecimento das primeiras pústulas visíveis. O agricultor deve dar preferência ao uso de triazóis sistêmicos e estrobilurinas, registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento por apresentarem eficiência, maior fungitoxicidade, maior espectro de ação e maior poder residual.

Segundo pesquisa da Embrapa Trigo, não se deve fazer a aplicação no estágio de grão leitoso, pois o grão já está praticamente formado, reduzindo eficácia e acumulando resíduos do fungicida no grão, inviabilizando sua utilização como alimento.

Resistência de planta adulta à ferrugem de folha

São poucas cultivares no mercado que possuem genes de resistência a ferrugem. Algumas possuem a Resistência de Planta Adulta (RPA) nas quais o progresso da doença se dá com maior lentidão, embora a reação seja de suscetibilidade. As plantas ainda apresentam infecção na folha bandeira, mas o nível de suscetibilidade é menor, e não provoca desfolhamento precoce como nas cultivares que não possuem essa característica, em que as folhas secam antes do amadurecimento da espiga. Na lavoura, as cultivares com RPA apresentam menor grau de infecção após o espigamento, mas o nível de resistência pode variar entre os genótipos.

Mesmo nas plantas que possuem RPA, é fundamental o acompanhamento do surgimento da ferrugem. Em safras de condições ambientais muito favoráveis, em que os esporos da ferrugem tenham surgido antecipadamente na fase de crescimento vegetativo da planta, o agricultor necessitará de aplicações de fungicida. Se o caso de necessidade de controle com fungicida ocorrer em estágios avançados de desenvolvimento, talvez a aplicação de defensivos não seja vantajosa economicamente, por isso pé sempre importante contar com a orientação de um Engenheiro Agrônomo. A Embrapa Trigo afirma que na maioria dos anos, em cultivares com RPA, o nível de ferrugem só aumenta quando os grãos já estão formados, dispensando o uso de fungicidas. Ainda é preciso que haja familiarização de técnicos e produtores com a RPA, mas somente se esta característica for priorizada no momento da escolha da cultivar, a ferrugem da folha poderá deixar de ser um fator limitante à produção de trigo.

São reconhecidamente portadoras de RPA as tradicionais cultivares Frontana, BR 23 e BR 35.

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