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Produção agrícola e as abelhas

Produção agrícola e as abelhas

A agricultura do Brasil é elogiada, mundo afora, pelo seu dinamismo e eficiência na produção em solos tropicais – originalmente inférteis e ácidos – dominantes em savanas tropicais como o Cerrado brasileiro.

É raro, nessa franja do Planeta, a existência de campos de produção agrícola com alto desempenho. O Brasil é quase uma exceção. Em menos de meio século, transmutou-se de país importador para segundo maior exportador de alimentos. E promete crescer mais, dada a grande disponibilidade de terras aptas para a produção agrícola.

Embora os elogios sejam merecidos para a maioria dos agricultores, existem produtores cujos métodos utilizados no controle das pragas que atacam suas lavouras merecem críticas, porque comprometem a sustentabilidade de outros produtores.

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Muitos agricultores são criteriosos no uso dos agrotóxicos em seus campos de produção, outros, no entanto, não agem tão criteriosamente assim. Ao usar de maneira indiscriminada produtos pouco seletivos, prejudicam produtores orgânicos, fruticultores, produtores de hortaliças e de mel.

Isto porque, além das pragas, esses venenos também matam polinizadores, principalmente as abelhas, indispensáveis no provimento de serviços ecossistêmicos, como a polinização, que corresponde ao ato sexual das plantas.

As Boas Práticas Agrícolas recomendam usar um agrotóxico quando as alternativas mais baratas e saudáveis ao ambiente – como o controle cultural e o biológico – não são suficientes para manter os insetos-praga sob controle. Usa-los como única alternativa de combate às pragas, é um erro.

Mas é o método preferido por expressivo contingente de agricultores que, se bem conseguem controlar as pragas, também matam seus inimigos naturais e outros insetos benéficos, como os polinizadores.

A GRANDE VIRADA AGRÍCOLA NACIONAL

É possível servir-se dos agrotóxicos sem afetar os insetos benéficos, como as abelhas, utilizando produtos menos agressivos ao ambiente e evitando pulverizações desnecessárias e doses exageradas. Também, é recomendável pulverizar à noite ou em horas do dia quando os polinizadores não visitam a lavoura em busca de pólen ou de néctar.

As abelhas, por exemplo, preferem visitar as lavouras de soja nas primeiras horas do dia, indicando que pulverizações feitas à tarde, pouco afetam esses insetos, pois eles estão ausentes da lavoura nesse horário. Evite o uso de agrotóxicos, particularmente quando as plantas estão em floração.

Segundo estudo financiado pela União Europeia, aproximadamente 35% da produção agrícola mundial depende de polinizadores para produzir seus frutos. Em termos globais, os serviços de polinização prestados pelas abelhas (o principal polinizador) nos sistemas agrícolas, foram avaliados em US$ 54 bilhões no ano de 2013.

A conservação das florestas é essencial para a manutenção das abelhas e a polinização das paisagens agrícolas. Para algumas plantas – maracujá, por exemplo – a presença de polinizadores é fundamental para garantir a fertilização e, consequentemente, a produção dos frutos.

Mesmo doses subletais de agrotóxicos, em contato com as abelhas, podem causar malefícios, induzindo comportamentos anormais como irritabilidade, confusão, dificuldade de comunicação, desorientação, abandono das colmeias, entre outros.

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A preocupação com o tema é geral; envolve governos e iniciativa privada na busca de soluções. De 24 a 26 de agosto realizou-se em Brasília, com os auspícios da Syngenta, o 1º Workshop Operation Pollinator, cujo objetivo foi o de analisar e discutir o efeito dos agrotóxicos sobre os polinizadores, particularmente as abelhas, buscando fórmulas de eliminar ou, ao menos, mitigar o problema.

É louvável essa iniciativa da Empresa, que, se bem fabrica agrotóxicos, está preocupada com seus efeitos sobre o ambiente e busca reduzi-los com o desenvolvimento de produtos mais amigáveis. Uma preocupação que necessita permear a sociedade, em especial nossos agricultores, que serão os maiores prejudicados se o serviço ecossistêmico de polinização for prejudicado.

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

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