Intensificação dos sistemas de produção de bovinos de corte: uma perspectiva regional

Intensificação dos sistemas de produção de bovinos de corte: uma perspectiva regional

O Brasil possui o maior rebanho comercial de bovinos no mundo, com aproximadamente 200 milhões de cabeças. Apesar de ser um dos maiores exportadores de carne do mundo, o sistema produtivo se caracteriza por índices zootécnicos insatisfatórios e pouco uso de tecnologia.

A pecuária de corte, que surgiu como uma atividade pioneira, hoje se encontra em vias de marginalização e pouco atrativa a novos investidores. Fatores como a baixa rentabilidade aliada ao panorama político-econômico atual fazem com que a pecuária ceda espaço rapidamente para a agricultura, especialmente em nossa região.

Produtores que desejam manter-se na atividade precisam encontrar formas de contornar essa situação. Na pecuária de corte, a intensificação do sistema produtivo parece ser a alternativa mais plausível.

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Principalmente no setor produtivo regional, que em sua maioria se alicerce na rotação de culturas de grãos com pastagens anuais, onde os sistemas que integram criação e terminação de bovinos com agricultura tem um potencial benéfico mútuo e sinérgico para as atividades, maximizando ganhos e minimizando riscos e perdas.

A integração lavoura-pecuária, definida como sistema que integra ciclos agrícolas e pecuários em sucessão na mesma área, maximiza racionalmente o uso da terra, da infraestrutura e da mão de obra.

Além disso, diversifica e verticaliza a produção, minimiza custos, dilui riscos e ainda agrega valor aos produtos agropecuários por meio de recursos e benefícios que uma atividade proporciona à outra.

Neste modelo, as áreas de lavouras dão suporte à pecuária por meio da produção de alimentos para o animal, seja na forma de grãos, silagem e feno, seja através de pastejo. Tais práticas aumentam a capacidade de suporte da propriedade, permitindo a venda de animais em momentos estratégicos, melhorando a distribuição e o aumento de receita da empresa durante o ano agrícola.

Neste modelo, é fundamental o ajuste da taxa de lotação, buscando um manejo de pastejo que permita um desenvolvimento animal adequado e diminuindo riscos e prejuízos à lavoura, especialmente nos aspectos relacionados ao solo.

Fatores como raça, categoria animal e o modelo produtivo escolhido precisam ser cuidadosamente analisados visando o sucesso da atividade. Se estes estiverem em harmonia, então a adoção de tecnologias permitirá um aumento de produtividade e rentabilidade de forma sustentável.

CONFIRA: PECUÁRIA E DESAFIOS

Para produtores que se especializam nas atividades de cria, recria e terminação na integração lavoura-pecuária, os manejos nutricional, reprodutivo e sanitário precisam de permanente monitoramento. Desta forma, é fundamental que o produtor planeje de maneira consciente suas atividades, lançando mão de manejos condizentes com a época do ano em vistas aos ciclos produtivos das culturas e das categorias animais envolvidas.

Nesse sentido ferramentas como a redução da idade ao abate, redução da idade ao primeiro acasalamento através do uso de sistemas alimentares e protocolos reprodutivos, e ainda manejo sanitário dos rebanhos, precisam ser considerados e discutidos nos sistemas produtivos regionais e explorados de forma estratégica dentro da propriedade.

Daniele Furian Araldi

Zootecnista, Mestre em Produção Animal, Docente dos Cursos de Medicina Veterinária e Agronomia – Área de Produção Animal da Universidade de Cruz Alta.

Lucas Carvalho Siqueira

Médico Veterinário, Doutor em Fisiopatologia da Reprodução, Docente dos cursos de Medicina Veterinária e Mestrado profissional em Desenvolvimento Rural – Área de Produção Animal da Universidade de Cruz Alta.

 

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