Qualidade na Semeadura

Qualidade na Semeadura

Quando projetamos uma lavoura de elevado potencial produtivo, diversos são os componentes que poderão influenciar em nosso resultado final. Gostaria de destacar dois daqueles que eu considero de extrema importância: qualidade de sementes e semeadura precisa. Cada cultivar de soja apresenta um arranjo e uma população ideal que, quando combinada com boas práticas de manejo agrícola, pode refletir em ganhos significativos de produtividade.

No que tange a qualidade de sementes, é imprescindível que para a obtenção de uma população adequada de plantas, além de escolher lotes que possuam elevado poder germinativo e ótimo índice de vigor, consigamos colocar no solo todas as sementes para germinar e emergir da melhor forma possível. Desta maneira, os indivíduos de alta qualidade terão maior chance de superar condições ambientais adversas e atingir um stand final adequado.

Ao primarmos por sementes de alto vigor em nossos cultivos, estamos, neste momento, definindo o potencial produtivo de nossa lavoura, pois as sementes com estas características certamente produzirão mais ao final do ciclo. Estudos realizados recentemente comprovam que para cada 1,5 ponto percentual de aumento de vigor em um lote de sementes de soja há um ganho direto de 1 saco/hectare na média de nossos campos de produção.

Outro aspecto fundamental é a semeadura precisa, pois no momento em que realizamos tal operação estamos definindo a velocidade ideal e as condições de solo que encontramos em nosso campo, além de outros aspectos como o número desejado de sementes por metro linear e também a profundidade que distribuiremos esta semente no leito de semeadura. Desta forma estaremos novamente influenciando no potencial de rendimento de nossa lavoura.

Existe uma maneira bem simples de mesurarmos a uniformidade de semeadura de uma lavoura que é através do percentual de falhas e de duplas na distribuição das sementes, porém, não conseguimos quantificar as sementes que eventualmente foram deslocadas durante esta operação. Para tanto, existe um meio mais adequado de determinarmos a uniformidade de um cultivo, que é através do coeficiente de variação (CV), sendo que, quanto maior for este índice, maior é a variação da distância entre plantas.

No momento em que relacionamos equidistância com potencial produtivo estamos querendo dizer que para obtenção de altos rendimentos temos que atentar muito para este fator. Alguns trabalhos demonstram que o percentual de CV ideal seria de 20 até no máximo 25% em um campo de produção. Quando extrapolamos este índice estamos reduzindo drasticamente nosso rendimento, pois a lavoura de soja em questão possuirá um maior índice de falhas e ou sementes duplas, o qual jamais poderá ser compensado ao decorrer do ciclo produtivo.

Portanto, com a constante evolução que a agricultura se encontra nos dias atuais, o produtor rural de maneira alguma deverá abrir mão de buscar sementes de elevada qualidade, tanto genética quanto fisiológica, para utilização em seus campos de produção. Após vencer esta etapa chega o momento da semeadura, aonde diversas técnicas deverão ser criteriosamente observadas para que se consiga uma lavoura com stand realmente uniforme que, associado a boas práticas de manejo, possa refletir em produtividade ao final do ciclo.

Mauricio De Bortoli – Engenheiro Agrônomo

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