Espaçamento reduzido no milho

Espaçamento reduzido no milho

A semeadura do milho está concentrada nos meses de agosto e setembro nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.  Cuidados na implantação da lavoura, como escolha da cultivar e arranjo de plantas, podem definir o sucesso no investimento.

O zoneamento agrícola que orienta a semeadura do milho no RS e SC é amplo, iniciando em julho até a semeadura mais tardia em janeiro. Contudo, a época de maior expressão do potencial de rendimento dos híbridos vai da segunda quinzena de setembro à primeira quinzena de outubro. Neste período o pré-florescimento e o enchimento de grãos coincidem com a radiação solar mais alta e dias mais longos (entre meados de novembro a fevereiro), favorecendo o desenvolvimento da planta e o potencial de rendimento da lavoura. “De uma maneira geral, nesses dois estados, os plantios são realizados mais cedo, entre agosto e setembro, principalmente para evitar que os períodos críticos para a cultura do milho coincidam com veranicos entre dezembro e janeiro. Em regiões onde o risco de geadas tardias é menor, como no noroeste do Rio Grande do Sul, a semeadura tem sido realizada em julho” explica a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, Jane Machado.

Escolha da cultivar

Atualmente, existem mais de 377 cultivares de milho indicadas para o Rio Grande de Sul e Santa Catarina. São híbridos simples, híbridos simples modificados, híbridos triplos, híbridos duplos e variedades, que podem ainda se apresentar na forma convencional ou transgênica, sendo que os transgênicos aparecem com um ou mais eventos.

 

Segundo a pesquisadora Jane Machado, a escolha da cultivar exige cuidado, pois grande parte do sucesso de uma lavoura está na escolha da semente: “é preciso levar em conta a disponibilidade de investimento a ser empregado na lavoura, o tamanho da área e as condições edafoclimáticas da região. Em áreas maiores é importante fazer tanto o escalonamento de plantio, quanto o uso de cultivares de diferentes ciclos e características de resistência a doenças, para evitar a ação de condições adversas, que na presença de genótipo suscetível, pode levar a perdas consideráveis na lavoura”.

 

O sistema plantio direto praticado no Sul, exige boa regulagem da semeadora para a melhor distribuição das sementes. A palhada precisa ser dessecada e a máquina ajustada para que na linha a palha seja um pouco afastada, expondo o solo à radiação solar e aumentando, assim, a temperatura, o que vai favorecer o desenvolvimento mais rápido da plântula.

 

Espaçamento e densidade

O estabelecimento adequado do stand da lavoura é um dos principais fatores que definem o rendimento final no milho. O número de plantas por área (densidade) e o arranjo das plantas (espaçamento entre linhas e dentro da linha) devem ser determinados na escolha da cultivar, nas práticas de manejo e no potencial de rendimento esperado, considerando também as previsões climáticas.

 

Uma prática comum no cultivo do milho tem sido o espaçamento reduzido entre as plantas na lavoura e entre as linhas de semeadura. A distância entre as linhas do milho passou de 80 para 45 a 50cm na última década. Em busca do melhor aproveitamento da área, o espaçamento reduzido, associado ao uso de plantas de menor porte e folhas eretas, está favorecendo o aproveitamento da radiação, a umidade do solo e dificultando o desenvolvimento das plantas daninhas, fatores que tendem a resultar em maior rendimento de grãos.

Por que plantar milho?

 

De acordo com a Emater/RS, a área de cultivo com milho vem apresentando tendência de redução em relação à safra passada. Tal cenário é recorrente, em praticamente todas as regiões produtoras. Isto decorre devido ao baixo preço do milho recebido pelos produtores e à concorrência com a soja. O preço pago aos produtores que têm milho da safra passada para venda está em R$ 23/saca de 60 quilos, contra R$ 60 pela mesma quantidade de soja.

 

Contudo, o milho torna-se uma cultura de extrema importância agronômica, econômica e estratégica nos sistemas de produção da Região Sul. Vários trabalhos de pesquisa salientam as vantagens do milho na rotação de culturas devido a produção de grande quantidade de palha para o sistema plantio direto, ciclagem de nutrientes, equilíbrio biológico no controle de doenças e insetos pragas, diversidade de alternativas no controle cultural e químicos de plantas daninhas, entre outros.

 

Na rotação de verão, principalmente com a soja, o milho apresenta papel de destaque: “Em trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Trigo pode ser verificado o efeito benéfico da rotação com milho para o rendimento de grãos da soja. O cultivo de soja por um, dois ou três anos consecutivos intercalado por milho, apresentou rendimento de grãos mais elevado do que a monocultura dessa leguminosa. Também, a rotação de culturas apresenta-se como prática de controle de pragas, por meio da alternância de culturas não hospedeiras”, avalia o pesquisador da Embrapa Trigo, Henrique Pereira dos Santos.

 

Para a pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, Jane Machado, acima de tudo, a importância do milho está na conservação do solo e no equilíbrio do ecossistema. “A recuperação da capacidade de infiltração e armazenamento de água no solo somente é possível através da função estruturante das raízes do milho e acréscimo de material orgânico. Entre as culturas de grãos que fornecem grandes quantidades de material orgânico, destaca-se o milho. Por apresentar grande produção de fitomassa e por sua relação C/N alta, o milho colabora para uma maior cobertura do solo, tanto em quantidade de palha como em tempo de permanência na superfície do solo”, explica a pesquisadora.

 

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