Saiba mais sobre ambiente ruminal (Fungos)

Saiba mais sobre ambiente ruminal (Fungos)

Noções sobre ambiente ruminal (Fungos) – Parte 3 Parte 3 – Há aproximadamente 3 semanas através deste espaço, viemos esclarecendo e melhorando o entendimento sobre os microorganismos presentes dentro do rumem. Já conseguimos definir e categorizar as colônias bacterianas e seus sítios de atuação no meio ruminal, os protozoários e sua distinta atuação e não menos importante na manutenção do pH do rumem, e hoje iremos explanar um conhecimento direcionado a categoria que ainda nos resta expor informações importantes, para que assim, possamos completar o raciocínio sobre os integrantes da microbiota ruminal.

Os fungos constituem cerca de 8% da microbiota do rumem, são microorganismos obrigatoriamente anaeróbicos, possuem ação em alimentos fibrosos, são eficientes na degradação de fibras. Esta ação ocorre principalmente em fibras com baixa digestibilidade, fibras com alta inclusão de lignina (parte da fibra menos digestível), a exemplo da cana de açúcar, palhas de trigo.

Se compararmos à ação das bactérias fibrolíticas, veremos nos fungos uma ação bem mais intensa, pois eles se aderem à parede celular do alimento e liberam polissacarídeos extracelulares contra os carboidratos estruturais, ou seja, os fungos se aderem à fibra e liberam enzimas capazes de digerir carboidratos de difícil digestão de forma mais prática e eficiente. Por causa desta forma singular na ação fibrolítica, algumas cepas fúngicas como Tricoderma reesei, Aspergillus niger, são utilizadas pela indústria de aditivos na alimentação de ruminantes. Após um processo de fermentação individual destas cepas, se extrai enzimas com alto valor e capacidade de degradar polissacarídeos não amiláceos e fibras contidas nos alimentos, como exemplo destas enzimas podemos citar, xilanases, celulases.

>>Leia a primeira parte sobre alimentação de ruminantes aqui.

Diferentemente das bactérias, os fungos são capazes de se penetrarem através de uma cutícula nas lâminas foliares das gramíneas, e solubilizar a fibra menos digestível do material, conseguindo uma eficiente resposta no processo digestivo das fibras. Conforme podemos observar, todo o processo digestivo que ocorre dentro do rumem, é desenvolvido por categorias distintas de microorganismos, com ações específicas para cada tipo de alimento ingerido pelo animal, cada colônia bacteriana fermenta e quebra nutrientes específicos, com um objetivo em comum de produzir energia na forma de glicose para nutrir o animal.

Os protozoários e fungos de forma coadjuvante, mas não menos importantes atuam de forma sinérgica às bactérias, ou seja, em todo o processo fermentativo, o ambiente em que esse trabalho é feito, a potencialização do processo, tudo isso, deve funcionar como uma engrenagem de uma máquina de alta produção, cada rolamento, peça, hélice, trabalhando em uma corrente com um só objetivo, desenvolver um trabalho com alta performance. Por fim, vale-se lembrar que um bovino trata-se de um ser vivo, diferente de uma máquina, pois possui muitos fatores externos à sua fisiologia que pode influenciar no desempenho de sua digestão, assim como manejo, conforto, estruturas.

>>Leia a segunda parte aqui.

Cabe aos pecuaristas e técnicos da área, identificar os pontos de maior dificuldade em relação a nutrição na fazenda e minimizá-los, para que assim, todo o processo de digestão não seja comprometido e os bons resultados em produção de leite e carne surjam de forma eficiente e sem prejudicar a saúde do animal.

Referências Bibliográficas: BAYER, E. A et al. Cellulose, cellulases and cellulosomes. Curr Opin. Struct. Biol., v. 8, p. 538557,1998. GUTFREUND, H. et al. Recommeddations for measurement and presentation of biochemical equilibrium data. J. Biol. Chem., v 251, p. 6879-6885,1976. HOBSON, P. N.; STEWART, C. S. The rumem microbial ecosystem. 2. Ed. London: Blackie Academic & Professional, 1997. 719p. KRAUSE, D. O. et al. Opportunities to improve fiber degradation in the rumem: microbiology, ecology and genomics. FEMS Mi crob. Ver., v. 27, p. 663-693, 2003. RUSSEL, J. B. Effect os extrcellular pH on growth and próton motive force Bacteroides succinogenes, a cellulolytic ruminal bacterium. Appl. Environ. Microb., v. 53, p. 2379- 2583,1987. TANAKA, K. Occurence of conjugated linoleic acid in ruminant products and its physiological functions. J. Anim. Sci. V. 76, p. 291-303, 2005.

Jorge Augusto Abreu Médico Veterinário CRMV-PR 12381 Mestrando em Produção Animal/Nutrição de Ruminantes pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná)

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