Cenário de grãos 2014/2015

Cenário de grãos 2014/2015

A última safra de trigo tão cedo não irá sair da memória do produtor gaúcho. Em 2014 deparamo-nos com um cenário de excesso de chuvas o que ocasionou o aumento das doenças e afetou diretamente a qualidade do grão do cereal de inverno. Não bastasse isto, com a elevação dos manejos de controle de pragas e doenças, o produtor teve o seu custo elevado ao mais alto patamar dos últimos anos, o que impactou diretamente na rentabilidade da cultura. Com a qualidade e os preços deprimidos a comercialização torna-se difícil e o resultado desta última safra deixa um prejuízo amargo no bolso do triticultor.

Passado este momento, o produtor volta seus olhos ao horizonte e começa a planejar a safra de verão de olho no milho e na soja como as alternativas mais viáveis para cobrir um pouco dos prejuízos. Novamente o clima e o preço das commodities vão nortear as decisões dos produtores que deverão olhar os números e cenários do mercado internacional para esta tomada de decisão. Primeiramente, estamos diante de um ano de El Niño que se caracteriza por produtividades provavelmente recorde na Argentina, ou, muito próxima disto.

A expectativa é que deverá vir muita soja da Argentina, algo acima de 55 milhões de toneladas. Já o Brasil deve crescer algo em torno de 1,5 milhões de hectares na área cultivada com soja. Este aumento deve se dar em cima de áreas de milho principalmente e que seguem com os preços apertados no mercado. Isto significa que o Brasil deverá somar 31,5 milhões de hectares de soja, atingindo uma produção calculada entre 95 e 98 milhões de toneladas, ou seja, a América do Sul se prepara para plantar uma área de soja maior e colher uma produção provavelmente maior também no próximo verão.

Com os cenários anteriores se confirmando – o clima favorável e o aumento de área – realmente ocorrendo, teremos uma expectativa de preços apertados para a comercialização da próxima safra nos primeiros meses de 2015. Com base nestes números o produtor deve concentrar seus esforços em projetar e implantar uma lavoura de verão com a melhor tecnologia disponível em sua propriedade, sempre dentro de um custo adequado ao que o mercado provavelmente irá lhe remunerar. Desta forma conseguimos ser competitivos em um contexto de agricultura tão dinâmica que vivemos nos dias atuais.

Maurício De Bortoli
Engenheiro agrônomo

← Tratamento de sementes: um mercado em movimentação

Deixe seu comentário aqui