Sistemas sustentáveis são econômicos?

Sistemas sustentáveis são econômicos?

sistemas sustentaveisRotação de culturas é um assunto atual, mas velho. Mesmo assim, há muita confusão nas definições, empregando-se termos como rotação de culturas e sucessão de culturas. De acordo com os significados das palavras em dicionários, rotação de culturas seria a alternância regular e ordenada no cultivo de espécies vegetais em sequência temporal numa determinada área. As palavras chave aqui são regular e ordenada. Uma sucessão de culturas não implica em ordenamento e regularidade das espécies empregadas, ao contrário do que desejam alguns.

Assim, rotação de culturas é uma forma particular de sucessão de culturas. Mas, do pondo de vista ambiental, todas as práticas que impliquem em cultivar espécies diferentes no mesmo espaço, em tempos diferentes ou não, é benéfico. Serão quanto mais benéficas quanto mais complexas. Porém, quanto mais complexo o sistema, mais difícil seu gerenciamento e alto seu custo. Assim, o sucesso está em equilibrar a sustentabilidade ambiental e econômica, aspecto fundamental dos sistemas de produção. Antes de tudo, esse deve ser um dos objetivos do planejamento do sistema. Ocorre que, algumas vezes, o objetivo imediato não coincide com aquele a longo prazo.

Quando se fala em alta tecnologia, a primeira ideia que se tem é alto consumo de insumos. Isso não é verdadeiro. Uma rotação de culturas é fruto de altíssima tecnologia. Para que todos os objetivos de um sistema de produção sejam atingidos, as espécies incluídas na rotação deverão ser escolhidas de acordo com as condições de clima e solo, do mercado regional, da capacidade técnica e econômica do agricultor e das interações com as outras espécies do sistema. De modo muito geral, pode se dizer que são fundamentais no sistema pelo menos dois tipos de plantas: fixadoras de nitrogênio do ar – visando diminuição de custos; e espécies com palha persistente – que protegem melhor o solo.

A grande dúvida quanto aos sistemas com rotação de culturas é a economicidade, ou seja, a perda de renda. Isso não ocorre se o sistema for bem planejado. Muito pelo contrário. Foi desenvolvido um trabalho na UNESP, em Botucatu, comparando os sistemas safra/pousio, safra/adubo verde, safra/forrageira e safra/safrinha. Embora os custos operacionais tenham sido maiores à medida que o sistema era mais complexo, dando-se um valor de 100 para o retorno financeiro do sistema convencional (safra/pousio), se obteve 105 para safra/adubo verde, 120 para safra/forrageira e 201 para safra/safrinha. Assim, pode-se concluir que sistemas de produção bem planejados e executados não é só uma sucessão de culturas, mas um verdadeiro sucesso ambiental e econômico.

Ciro Antonio Rosolem
Graduação em Agronomia,
Mestrado e Doutorado em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas), pela Universidade de São Paulo, Pós-Doutorado na Universidade da California Davis, UCD, Estados Unidos

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