Sobrevivência de percevejos na entressafra de soja e milho

Sobrevivência de percevejos na entressafra de soja e milho

Percevejos fitófagos apresentam elevada importância econômica em cultivos agrícolas. As espécies de percevejos pentatomídeos, percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e D. melacanthus), percevejo-asa-preta (Edessa meditabunda), Edessa rufomarginata, percevejo-marrom (Euchistus heros), percevejo-verde (Nezara viridula) e percevejo-pequeno-verde (Piezodorus guildinii) (Hemiptera: Pentatomidae) são responsáveis por elevados prejuízos e dependendo da infestação, nas culturas de soja e milho, seus danos podem chegar a 100%.

Nos períodos de entressafra das culturas, estas espécies de insetos-praga possuem como estratégia de sobrevivência a procura por plantas hospedeiras para se abrigarem no entorno das áreas de cultivo, nas quais, permanecem em diapausa, ou seja, baixo desenvolvimento em resposta as condições ambientais. Conforme ABROL (2013) o entendimento das estratégias de sobrevivência dos insetos é de grande importância para os sistemas de manejo integrado de pragas, contribuindo paras as táticas sustentáveis e alternativas de manejo.

Conforme PANIZZI (1997) a importância de plantas hospedeiras silvestres relaciona-se ao acúmulo das populações de percevejos pentatomídeos onde nelas, são capazes de se alimentar e reproduzir durante a maior parte do ano, infestando os cultivos agrícolas. As espécies de plantas capim-rabo-de-burro (Andropogon bicornis), falso-capim-de-rhodes (Chloris distichophylla) e macega-estaladeira (Saccharum angustifolium) são incluídas nessa relação e o trabalho teve por objetivo quantificar as populações destes insetos-praga localizadas no entorno das áreas de cultivo durante a entressafra de soja e milho.

O trabalho em questão foi conduzido na entressafra de 2014, nos meses de julho e agosto, na Localidade de Parada Benito, Cruz Alta, Rio Grande do Sul, em áreas de cultivo dispostas no entorno da Universidade de Cruz Alta. Nestas, foram selecionadas plantas de capim-rabo-de-burro, falso-capim-de-rhodes e macega-estaladeira (50 por espécie), através de caminhamento pelos seus perímetros onde estavam dispostas até 15 m da borda das lavouras. Em cada planta foi realizada a triagem dos indivíduos contidos em seu interior e as espécies de percevejos pentatomídeos ocorrentes identificadas, quantificadas e utilizadas para análise estatística.

Os valores de insetos obtidos das plantas hospedeiras foram organizados em espécies de percevejo pentatomídeos e plantas hospedeiras, para estes, foram estimadas as estatísticas descritivas: média e desvio padrão. Para a comparação entre as médias de insetos-praga em e entre as plantas hospedeiras foi utilizado o teste t a 5% de probabilidade de erro.

Durante a execução da pesquisa foram quantificados 966 indivíduos adultos das espécies de percevejos pentatomídeos Dichelops furcatus, D. melacanthus, Edessa meditabunda, E. rufomarginata e Euchistus heros, com uma média de 2,14 adultos por planta hospedeira.  As espécies de percevejos Nezara viridula e Piezodorus guildinii não foram encontradas, indicando haver preferência por outras plantas hospedeiras ou a não presença dessas espécies na área de estudo (PANIZZI, 1997). Na Figura 1 são apresentados os somatórios das populações de insetos-praga quantificadas nas respectivas plantas hospedeiras.

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Figura 1. Somatório de adultos de percevejos pentatomídeos quantificados em plantas hospedeiras no entorno de área de cultivo na entressafra de soja e milho. Cruz Alta, 2014.

Entre as espécies de percevejos, a E. meditabunda foi a com maior população nas três plantas hospedeiras diferindo estatisticamente das demais espécies seguida pelas espécies D. furcatus, E. heros. D. melacenthus e E. rufomarginata que apresentaram as menores populações. Já entre as espécies de plantas hospedeiras o capim-rabo-de-burro apresentou as maiores populações de insetos-praga, seguido pelo falso-capim-de-rhodes e pela macega-estaladeira.

Esses resultados ressaltam a importância do monitoramento em áreas de cultivo e em seu entorno durante a safra e a entressafra, não apenas na planta cultivada. E a partir da verificação dos níveis populacionais em plantas hospedeiras durante a entressafra, estratégias de manejo podem ser adotadas, eliminando a população infestante das áreas de cultivo nas plantas hospedeiras, fazendo com que o aumento da densidade populacional de insetos-praga seja inibido, diminuindo custos de produção com a menor aplicação de defensivos durante a safra e garantindo um menor impacto ao meio ambiente.

Mauricio Paulo Batistella Pasini
João Fernando Zamberlan
José Luiz Tragnago
Rafael Pivotto Bortolotto

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABROL, D.P. Integrated pest management: current concepts and ecological perspective. Academic Press, Oxford, 2013. 576p.
CORRÊA-FERREIRA, B.S.; PANIZZI, A.R. Percevejos da soja e seu manejo. Londrina: EMBRAPA-CNPSo, 1999. 45p. (Circular Técnica, 24).
HOWE, G.A.; JANDER, G. Plant Immunity to insect herbivores. Annual Review of Plant Biology, v.59, p.41-66, 2008.
(CORRÊA-FERREIRA; PANIZZI, 1999; PANIZZI; BUENO; SILVA, 2012; VII REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE, 2014)
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