Soja: Após semanas de boas altas, mercado segue com realização de lucros na CBOT nesta 4ª

Soja: Após semanas de boas altas, mercado segue com realização de lucros na CBOT nesta 4ª

soja_04_05Por: Carla Mendes. Após semanas consecutivas de boas altas, o mercado internacional da soja passa por mais um movimento de realização de lucros na manhã desta quarta-feira (4). As cotações perdiam entre 1,50 e 5,50 pontos nas posições mais negociadas, com o vencimento julho/16 valendo US$ 10,24 por bushel.

A aversão ao risco parece estar mais presente entre os negócios com as commodities nesta semana, trazendo ainda mais volatilidade aos mercados, principalmente o de grãos que, neste momento, contam ainda com as especulações climáticas, tanto na América do Sul, para a conclusão da safra 2015/16, quanto nos EUA, para o avanço do plantio da temporada 2016/17.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja tem 3ª feira positiva no Brasil com alta de mais de 2% do dólar e apesar da queda na CBOT

A terça-feira (3) foi de preços altos para o mercado brasileiro da soja. Após sessões consecutivas de baixa do dólar frente ao real, a moeda norte-americana voltou a subir, disparou mais de 2% e puxou as cotações da oleaginosa que, principalmente, nos portos, apresentaram ganhos significativos. O avanço da soja veio mesmo frente a uma intensa realização de lucros registrada em Chicago, onde as baixas passaram de 13 pontos nos principais contratos.

“As moedas de países emergentes, como um todo, estão caindo. O BC é só a cereja do bolo”, disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta em entrevista à agência de notícias Reuters, referindo-se à realização de leilões de swaps cambiais reversos feitos pela instituição nesta terça-feira.

E os negócios, por mais esta semana, mantêm um ritmo mais aquecido, principalmente com volumes da safra 2016/17. Segundo relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, já há cerca de 20,9 milhões de toneladas de soja em grão comercializadas, somente nos quatro primeiros meses deste ano. O volume fica ligeiramente acima das operações registradas há um ano, nsse mesmo período, e também da média dos últimos cinco anos.

No terminal de Paranaguá, a soja disponível fechou o dia com alta de 1,19% em R$ 85,00, enquanto a futura subiu 1,18% para R$ 86,00 por saca nesta terça. Já em Rio Grande, os ganhos foram de 1,23%  e 1,76% para R$ 83,00 e R$ 86,50 por saca, respectivamente.

Nesse quadro, boa parte dos produtores, ainda como explica Brandalizze, as vendas saem “via insumos”, ou seja, com os sojicultores brasileiros buscando garantir suas compras para a próxima temporada nas operações de troca e enquanto as cotações em Chicago mantêm sua trajetória de alta e garantindo patamares ainda bem remuneradores.

E os números, por outro lado, indicam ainda uma demanda aquecida e crescente pela soja brasileira. Somente no último mês, o Brasil alcançou a marca histórica de 10,1 milhões de toneladas de soja embarcadas e as compras ainda se mostram bastante presentes nos últimos dias.

No entanto, ainda como explica o consultor, já há mais de 70% da safra 2015/16 comercializada e, mais adiante, essas exportações poderiam resultar em uma falta de oferta para atender a demanda interna no segundo semestre. “Ainda não terminamos a colheita e já começamos a ver um período de escassez de produto. Neste ano não teremos um intervalo típico dos outros anos, a entressafra vai chegar mais cedo e, por isso, já se começa a ouvir rumores de que, na virada do ano, o Brasil teria que importar soja para atender a demanda interna”, acredita Brandalizze.

Essa fator atuaria ainda como um estímulo para as cotações da soja em Chicago, no médio e longo prazo, já que poderia ser uma força adicionada à demanda pela soja norte-americana, levando os investidores, os quais vêm atuando com intensidade neste mercado, a apostarem em mais um pilar para os novos e elevados patamares que vêm sendo registrados pela oleaginosa na CBOT.

Assim, no interior do país as cotações também sobem refletindo, em partes o fator dólar e em partes essa relação de oferta x demanda que já começa a se ajustar. Em Ponta Grossa/PR, o preço subiu 5,06% para R$ 83,00 por saca; em Não-Me-Toque/RS, 2,90% para R$ 71,00 e em Campo Novo do Parecis/MT, 1,49% para R$ 68,00.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, a sessão desta terça-feira foi bastante volátil, com o mercado iniciando o dia atuando com altas de dois dígitos, o que levou as cotações a romperem, enfim, o patamar dos US$ 10,50 por bushel e seguindo, portanto, para um movimento de realização de lucros. As posições mais negociadas encerraram o dia com baixas de mais de 1%.

“Não há novidades ou uma mudança de tendência, mas o mercado bateu nos US$ 10,50, que era o próximo alvo, e agora está devolvendo um pouco”, explica Vlamir Brandalizze. Assim, o contrato maio/16 ficou com US$ 10,21 por bushel, o julho com US$ 10,30 e o agosto a US$ 10,32.

A volatilidade ainda é muito grande e essa deve ser, como explicam os analistas, a palavra-chave para o andamento dos preços daqui em diante. Afinal, ainda correm os boatos sobre as reais perdas da safra da América do Sul, que ainda estão sendo contabilizadas, bem como as incertezas sobre a nova temporada norte-americana. Para o consultor, entre os mais pessismistas, a quebra da safra sul-americana poderia chegar as 15 milhões de toneladas dadas as adversidades climáticas.

Na Argentina, o padrão climático atual se mostra mais favorável, de acordo com as últimas previsões, com chuvas mais restritas e temperaturas mais altas que poderiam favorecer os atrasados trabalhos de colheita. Ainda assim, a quebra está consolidada em muitas partes do país e continua, portanto, no radar dos negócios. A Informa Economics, nesta terça, revisou para baixo sua projeção para a safra argentina de soja de 59,5 milhões para 55 milhões de toneladas.

No Brasil, as chuvas voltaram à algumas regiões produtoras que as necessitavam, porém, de forma limitada e insuficiente para a recuperação das lavouras. E as especulações são tão intensas que, ainda segundo Brandalizze, os traders em Chicago já começavam a trabalhar com perdas de até 9 milhões de toneladas na safra 2015/16. A projeção da consultoria Informa, neste caso, caiu de 100,5 milhões para 100,1 milhões de toneladas.

Paralelamente, seguem ainda as especulações e incertezas sobre a nova safra dos Estados Unidos. O momento é de chuvas excessivas no Meio-Oeste americano, principal região produtora, porém, os próximos dias deverão ser de tempo mais seco, o que poderia acelerar o ritmo dos trabalhos de campo. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou, nesta segunda-feira (2), um avanço no plantio da soja de 3% para 8% em uma semana. O número ficou abaixo dos 10% de 2015, nessa mesma época, mas acima dos 6% da média dos últimos cinco anos.

Fonte: Notícias Agrícolas
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