Soja, o produto que tornou o Brasil maior

Soja, o produto que tornou o Brasil maior

O Brasil descobriu-se potencial produtor de soja na década de 1940, quando sua produção evoluiu de míseras 457 toneladas (t) em 1941, para 25.882 t em 1949.

Toneladas insignificantes, mas que cresceram consistentemente nas décadas posteriores: 151.574 t em 1959 e 1.056.607 t em 1969, culminando com o crescimento explosivo da década de 1970, quando saltou de 1,5 milhões de toneladas (Mt) em 1970, para cerca de 15 Mt em 1979.

A década de 1970 consolidou a soja como a principal cultura do Brasil, considerando o seu valor de mercado. O volume de grãos de milho produzidos, no entanto, foi maior e só seria superado no final dos anos 90.

Na última safra (2016/17), a produção de soja superou em cerca de 16 Mt a do milho (114 Mt vs. 98 Mt), que sinaliza com a possibilidade de voltar a ter um volume maior que o da soja, dado o ritmo maior de crescimento de produtividade (213% para o milho vs. 94% para a soja, no período 1991 a 2017).

O preço excepcional da soja no mercado mundial na primeira metade dos anos 70 foi o principal fator a impulsionar o rápido avanço do seu cultivo no Brasil.

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Primeiro na região Sul (anos 60 e 70), onde as cultivares introduzidas dos Estados Unidos (EUA) apresentaram boa adaptação e, posteriormente (anos 80 e 90), no Cerrado do Centro Oeste brasileiro onde essas variedades não se adaptaram e foram substituídas por cultivares desenvolvidas no Brasil, cuja pouca sensibilidade às variações foto periódicas potencializou a expansão da soja no ambiente tropical.

Uma importante conquista da pesquisa brasileira.

A década de 1970 pode ser considerada um marco no desenvolvimento agrícola brasileiro, tendo a soja como motor dessa transformação. Não seria exagero dividir o agronegócio brasileiro em duas fases: antes e depois da soja. Antes, prevalecia a pouco eficiente agricultura de subsistência, que cedeu espaço para a moderna agricultura atual.

No período de 75 anos de cultivo da oleaginosa no Brasil, não foi apenas sua área e produção que cresceram. A produtividade também deslanchou: 940 kg/ha na média dos anos 40 vs. 3.362 kg/ha na média da safra 2016/17 – incremento de 258%.

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Essa cultura evoluiu para ser, não apenas a principal do Brasil, como, também, seu principal produto de exportação e com promessa de continuar na liderança por muito tempo, se é que algum dia essa liderança será ameaçada por outra commodity agrícola.

É importante salientar que, em 1975, ano do estabelecimento da Embrapa Soja, a área de produção e produtividade da soja no Brasil eram, respectivamente: 5,8 Mha; 9,9 Mt e 1.699 kg/ha. Desde então, seu crescimento nas três frentes mencionadas foi de 439%, 866% e 79%, respectivamente.

Certamente os desenvolvimentos tecnológicos patrocinados pela Embrapa Soja ajudaram nessa exitosa transição. Mas não conseguiu isso sozinha. Outras instituições de pesquisa, públicas e privadas, ajudaram no êxito dessa caminhada, que orgulha o Brasil.

Em 1970, a área cultivada com soja era a de menor tamanho (1,3 Mha) no contexto dos oito principais cultivos agrícolas brasileiros (milho, trigo, feijão, café, cana, algodão, arroz, além da soja), contrastando com a sua área atual (33,9 Mha em 2016), destacadamente a de maior tamanho.

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Foi em 1954 que a produção brasileira de soja superou pela primeira vez as 100.000 t, produzidas quase integralmente no Estado do Rio Grande do Sul. O Paraná, em 1967, foi o segundo Estado a superar a produção de 100.000 t, seguido por Santa Catarina (1972), São Paulo (1972), Mato Grosso do Sul (1973), Minas Gerais (1976), Goiás (1978), Mato Grosso (1980), Bahia (1986), Maranhão (1994), Tocantins (2000), Piauí (2003), Rondônia (2003) e Pará (2005).

Futuros avanços na área cultivada com soja no Brasil são esperados, e mais provavelmente isto ocorrerá nos Estados do Tocantins, Piauí, Maranhão, Pará, Rondônia, noroeste e sudoeste de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e na metade sul do Rio Grande do Sul.

Também, poderão avançar os cultivos na região denominada de SEALBA (Sergipe, Alagoas e Nordeste da Bahia), em substituição ao cultivo da cana e de pastagens perenes, principalmente.

O Brasil do futuro que sempre sonhamos começa a tornar-se presente. Capitaneado pelo agronegócio, o único setor que, ainda, não entrou em recessão. Ele merece a admiração e o respeito de todos. Sem as contribuições da soja, o Brasil seria menor, bem menor.

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

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