Soja: Com chuvas nos EUA, demanda e vendas paradas, Chicago tem máxima em 3 semanas – Via Notícias Agrícolas

Soja: Com chuvas nos EUA, demanda e vendas paradas, Chicago tem máxima em 3 semanas – Via Notícias Agrícolas

cotações da sojaPor: Carla Mendes. Com o foco voltado para as condições de clima no Meio-Oeste americano para o avanço da colheita dos grãos, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam a terça-feira (20) em suas máximas das últimas três semanas. O mercado internacional operou, durante todo o dia, em campo positivo e registrando fortes altas, para encerrar os negócios subindo entre 16 e 17,25 pontos. Dessa forma, o novembro/16, referência para a safra dos EUA, foi a US$ 9,89, enquanto o maio/17 concluiu o pregão valendo US$ 10,02 por bushel.

As últimas previsões climáticas do NOAA, o departamento oficial de clima dos EUA, seguem indicando a chegada de mais chuvas ao Corn Belt nos próximos dias, com acumulados elevados e que já geram preocupações não só com a evolução dos trabalhos de campo, mas também com a qualidade da soja e sua chegada aos principais canais de escoamento, como o Golfo do México, para exportação. Tempestades continuam chegando, elevando os volumes acumulados, em determinadas regiões, a algo próximo de 180 mm nos próximos sete dias E mapas climáticos para os próximos 6 a 10 e 8 a 14 dias mostram a manutenção do padrão ainda bastante úmido.

Segundo os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a colheita da soja no país já foi concluída, até o último domingo (18), em 4% da área, ficando ligeiramente abaixo do índice de 6% de 2015, nesse mesmo período, e de 5% da média dos últimos cinco anos.

Ainda nesta terça na CBOT, subiram também e de maneira muito expressiva os futuros do farelo e do óleo de soja, o que também se consolidaram como importantes pilares de suporte para as cotações do grão. O óleo, somente nesta sessão, subiu mais de 3% em Chicago entre as posições mais negociadas, enquanto o avanço do farelo foi de quase 1%.

Entretanto, além dessa preocupação com as chuvas, a força e o impacto que a demanda vem exercendo no mercado financeiro é crescente e deverá ter cada vez mais espaço entre os negócios no mercado de Chicago, explica Vlamir Brandalizze. Afinal, ao mesmo tempo em que os compradores estão ávidos por matéria-prima, as vendas estão paradas nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina, ou seja, os três maiores fornecedores mundiais. “Não há pressão de novas vendas futuras e isso é um fator muito positivo neste momento”, diz o consultor da Brandalizze Consulting.

Somente nesta terça, voltando à ativa após um feriado prolongado, a China comprou 110 mil toneladas de soja da safra 2016/17 dos Estados Unidos.

Além disso, as incertezas trazidas pelas chuvas nos EUA neste momento também podem frear as vendas por lá, uma vez que, ainda segundo Brandalizze, a condição pode provocar perdas de produtividade, de qualidade e, inclusive, um aumento nos custos do produtor americano, exigindo uma outra estratégia de comercialização. “E o produtor acredita que o mercado tenha mais fôlego para subir. Em relação às mínimas da semana passada, já subimos mais de 50 pontos”, afirma.

Preços no Brasil

E apesar da intensa valorização das cotações em Chicago, a formação dos preços no Brasil – que conta também com prêmios fortes e positivos – ainda esbarra no dólar, que voltou a cair frente o real nesta terça-feira. A moeda americana terminou o dia com baixa de 0,53% a R$ 3,26.

O foco principal nesta semana tem sido a espera pela decisão do Federal Reserve sobre o futuro da taxa de juros nos EUA, em uma reunião que começa nesta quarta, 21 de setembro.

Ainda assim, a maior parte das principais praças de comercialização fechou do interior do Brasil subiram de 1,27% a 2,82% nesta terça-feira, bem como o que houve com as referências nos portos, que também subiram. Paranaguá tem R$ 81,00 no disponível e Rio Grande, R$ 80,00, com altas de 1,25% e 1,27%, enquanto no mercado futuro são R$ 80,00 e R$ 81,00 de referência e ganhos de 0,63% e 1,89%.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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