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Soja fecha em alta na CBOT e preços no Brasil sobem mais de 3%

Soja fecha em alta na CBOT e preços no Brasil sobem mais de 3%

sojaO mercado internacional da soja fechou a sessão desta sexta-feira (10) em campo positivo na Bolsa de Chicago em dia de divulgação do boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O boletim, que era esperado com muita ansiedade pelos traders, decepcionou em algumas de suas estimativas, porém, antes disso, levou as cotações da oleaginosa a registrarem ganhos superiores a 20 pontos durante o pregão.

Assim, as posições mais negociadas encerraram o dia com altas de 5,50 a 6,75 pontos e todas elas acima dos US$ 10,20 por bushel. O contrato novembro/15, referência para a safra americana, terminou os negócios valendo US$ 10,22.

Um dos dados que motivou boas altas para a soja na sessão desta sexta foi o de estoques finais da safra 2014/15 dos Estados Unidos. A estimativa do USDA foi reduzida de 8,98 milhões – do boletim de junho – para 6,94 milhões de toneladas, volume menor do que a expectativa média dos traders, que era de 7,95 milhões de toneladas. No quadro global, os estoques finais de soja da safra velha ficaram em 81,68 milhões de toneladas, contra 83,7 milhões de toneladas, o que também ajudou a dar suporte às cotações.

Entre os números da demanda pela soja americana também foram reportadas algumas mudanças. As exportações dos EUA – apesar de as vendas acumuladas na temporada já terem superado as 50 milhões de toneladas – foram revisadas e passaram de 49,26 milhões para 49,7 milhões de toneladas. O esmagamento, por sua vez, passou a 49,7 milhões de toneladas, contra 49,4 milhões do reporte anterior.

“A demanda forte e os estoques finais globais menores foram fatores de alta para as cotações em Chicago”, afirmou o presidente da internacional Teucrium Trading, Sal Gilbertie.

Ao mesmo tempo, os analistas internacionais acreditam que os números trazidos pelo USDA nesta sexta-feira para a safra 2015/16 ainda refletem suas incertezas sobre a produção da nova temporada e os reais impactos das adversidades climáticas nas principais regiões produtoras do país. Para os analistas brasileiros, a safra norte-americana de soja – que foi revisada para cima – foi “superestimada”. “Acredito que o destaque entre os números do governo é de que ele ainda não sabe, realmente, o futuro da produtividade até esse momento, e então manteve suas últimas estimativas para soja e milho”, afirmou o analista internacional Don Roose, da U.S. Commodities.

A safra de soja passou de 104,78 milhões de toneladas para 105,73 milhões. A produtividade foi mantida em 52,17 sacas por´hectare, entretanto, a área plantada e colhida foram revistas para cima passando de 34,24 milhões para 34,44 milhões de hectares e de 33,87 milhões para 34,16 milhões de hectares, respectivamente.

Apesar disso, os estoques finais da nova safra também foram reduzidos e caíram de 12,93 milhões para 11,57 milhões de toneladas, número que ficou ligeiramente acima da expectativa média do mercado, de 10,29 milhões de toneladas. As exportações da temporada 2015/16 foram mantidas em 48,31 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento passou de 49,8 milhões para 50,1 milhões de toneladas.

A semana, apesar do fechamento positivo nesta sexta-feira e na semana, começou conturbada para o mercado internacional da soja, que vinha sendo duramente influenciado pelo nervosismo do mercado financeiro. A falta de solução e acordo sobre a dívida da Grécia e os índices acionários chineses recuando de forma significativa foram fatores de pressão sobre as cotações, uma vez que foram combustível para os investidores deixarem suas posições nas commodities e partirem para ativos mais seguros, como o dólar por exemplo.

Paralalemante, o mercado encontrou ainda suporte no cenário climático dos Estados Unidos. O Meio-Oeste americano registrou mais uma semana de fortes chuvas e as últimas previsões seguem indicando precipitações acima da média nos períodos referentes até, pelo menos, os próximos 14 dias. E esse quadro segue sendo observado com atenção, uma vez que seu impacto será decisivo para a definição da produtividade da oleaginosa, segundo explica o analista de mercado Glauco Monte, da FCStone.

“A definição dos preços é o clima agora, e teremos um mercado extremamente volátil”, diz Monte. “Esse rendimento será muito importante agora pois, caso seja reduzido, os estoques confortáveis que se observam agora para a safra nova poderiam ser modificados”, completa.

Assim, na semana, as principais posições na Bolsa de Chicago fecharam com altas de quase 1% no balanço da semana. O vencimento agosto/15 registrou um avanço de 0,95% para US$ 10,32 por bushel, enquanto em novembro/15 o preço passou de US$ 10,14 a US$ 10,22, com ganho de 0,74%.

Mercado Interno

No mercado brasileiro, os ganhos nos preços da soja foram ainda mais expressivos. As referências em Chicago superaram os US$ 10,00 por bushel novamente e o dólar, na semana, chegou a superar os R$ 3,20 – apesar da baixa na sessão desta sexta-feira – e também elevou os negócios a patamares melhores. Nos portos, os ganhos passaram de 1%, enquanto no interior do país variaram de 1,76% a 6,9%, segundo um levantamento feito pelo Notícias Agrícolas junto aos sindicatos rurais e cooperativas.

No terminal de Paranaguá, a soja disponível subiu 2,04% e fechou a semana valendo R$ 75,00 por saca, enquanto em Rio Grande, a alta acumulada foi de 1,35% com o último valor também em R$ 75,00. Ambos, registraram algumas das melhores referências das últimas semanas para a soja disponível. Já para a soja da safra nova, alta de 1,35% em Paranaguá de 0,52% em Rio Grande, onde os valores encerraram os negócios em R$ 75,00 e R$ 76,70, respectivamente.

Para Glauco Monte, os preços da soja disponível no Brasil devem se manter sustentados, pelo menos, até o final do ano e um dos principais fatores de suporte para as cotações deve ser a entressafra no Brasil. “Tivemos muitas exportações e muito esmagamento. Assim, a entrada da entressafra poderia segurar eventuais quedas que fossem registradas em Chicago, o que manteria os preços estáveis ou mais elevados para a soja spot, em reais”, acredita o analista.

Nas praças do interior do Brasil, entre os destaques estão as praças do Sul, como Não-Me-Toque/RS, onde o preço subiu 4,92% na semana para fechar com R$ 64,00 por saca, e Ubiratã e Londrina, ambas no Paraná, com alta de 3,28% e R$ 63,00 por saca, contra R$ 61,00 do registrado na última segunda-feira (6). Em São Gabriel do Oeste/MS, a alta foi ainda mais forte – de 6,9% – onde a soja fechou a semana valendo R$ 62,00, enquanto na segunda valia R$ 58,00.

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